RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Governo adia decisão sobre poder de voto da União na Eletrobras e retomada de Angra 3

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O plano do governo de buscar uma forma de ampliar o poder de voto da União dentro do conselho da Eletrobras, estatal que foi privatizada em junho de 2022, foi adiado.

O assunto foi tratado na noite de segunda-feira (17) entre integrantes da AGU (Advocacia-Geral da União) e dos ministérios de Minas e Energia, Gestão e Inovação e Fazenda. Havia a expectativa de que uma proposta final sobre o assunto fosse encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas o prazo dado pela Corte foi ampliado até 6 de março.

Nesta terça-feira (18), o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) disse que deixou clara a sua posição sobre o assunto, mas que o tema deve ser tratado somente em uma próxima reunião com data a ser definida. A entrega de uma proposta definitiva ao STF deve ocorrer nos próximos dias.

O governo busca, desde 2023, alguma forma de ampliar sua influência no conselho da Eletrobras. Em dezembro de 2024, o ministro Kassio Nunes Marques atendeu a um pedido da AGU e da Eletrobras, concedendo um prazo adicional de 60 dias para a elaboração de um termo de conciliação. Esse prazo acabaria nesta terça (18), mas foi ampliado devido aos dias de recesso do fim de ano.

“Eu sou e serei sempre um grande crítico ao modelo de privatização e de capitalização que foi implementado no governo anterior. Deram de graça um grande patrimônio de brasileiros e brasileiras para o setor privado. Porém, esse é o status quo que nós encontramos”, disse Silveira, acrescentando que o assunto deve ser debatido.

“Mesmo indignados com o que foi feito, a gente entende que tem que avançar, porque já foi feito. Foi aprovado pelo Congresso Nacional, virou lei e, contra a lei, não há salvação. Eu defendo que aconteça, sou um voto na mesa para que a gente avance. Tenho muita confiança que vai acontecer”, comentou.

Desde a sua campanha eleitoral, Lula tem criticado a privatização da Eletrobras e busca formas de reverter ou modificar aspectos do processo, para tentar garantir maior controle governamental na empresa.

Hoje, o governo federal detém cerca de 43% das ações da Eletrobras, mas seu poder de voto é limitado a 10%, mesmo possuindo a maior participação individual. Esse limite foi imposto como parte do modelo de privatização.

Na avaliação do governo, essa limitação é desproporcional e causa prejuízo ao interesse público, porque impede a União de exercer influência correspondente ao seu investimento na companhia. Por isso, o governo tenta revogar ou modificar essa regra por meio de ações no STF, além de negociações diretas com a empresa. A AGU, que representa o governo, entrou com um pedido para reverter essa limitação.

Outro tema diz respeito à participação da Eletrobras na Eletronuclear, o qual foi tratado em reunião nesta terça-feira, pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). A estatal de energia nuclear não foi incluída no processo de privatização, além da parte brasileira de Itaipu. A estatal ENBPar, criada em 2021, passou a responder pela Eletronuclear, tornando-se responsável por Angra 1, Angra 2 e pela conclusão de Angra 3.

Apesar da separação, a Eletrobras ainda detém uma participação acionária na Eletronuclear. Atualmente, a empresa está em negociações com o governo federal para vender sua participação remanescente e se desvincular das obrigações relacionadas à construção de Angra 3. Há indefinição, dentro do governo, sobre concluir ou não a usina, o que tem custo estimado em cerca de R$ 21 bilhões

Silveira defendeu a conclusão da usina, disse que o governo gasta cerca de R$ 200 milhões por ano apenas com manutenção de equipamentos já adquiridos e que é preciso ampliar a geração nuclear.

“Eu defendo a continuidade da obra. Ela vai ser decidida no CNPE, com a ressalva que a Eletronuclear seja remodelada completamente, para que ela seja uma empresa com musculatura suficiente para a transparência e eficiência para gestão da obra. Hoje ela não é uma empresa que nos dá segurança para executar uma obra desse porte”, disse o ministro.

ANDRÉ BORGES / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS