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Governo Lula cede área na Esplanada para Museu da Democracia prometido após 8/1

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo federal cedeu um terreno de 50 mil metros quadrados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para que seja construído o Museu da Democracia, espaço prometido pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, logo após os ataques de 8 de janeiro.

Dois dias após a invasão das sedes dos três Poderes, ela anunciou a criação de um memorial para que os atos golpistas não se repetissem no futuro.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou em agosto passado, no entanto, a ideia agora é que o museu seja dedicado a narrar a história da construção da democracia no país como um todo e que o 8 de janeiro seja parte do conteúdo abordado.

O terreno está localizado em frente ao Teatro Nacional Claudio Santoro e foi cedido à pasta da Cultura pela SPU (Secretaria de Patrimônio da União), vinculada ao Ministério da Gestão do governo Lula (PT). Trata-se do último terreno livre para construção na Esplanada.

A ideia é que o museu incorpore a praça da Cidadania, que hoje existe no local.

O Ministério da Cultura e o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) devem lançar ainda neste semestre um concurso nacional para escolher o projeto arquitetônico do espaço. A expectativa de pessoas do ministério é que o equipamento possa começar a ser construído em 2025.

Segundo o secretário-executivo do Minc, Márcio Tavares, a pasta enviou no ano passado um ofício à SPU sobre o tema e a disponibilização do terreno deverá ser formalizada nos próximos dias.

“É um local privilegiado não só de Brasília, mas do país. Um espaço que é adequado para construir uma instituição museológica que celebra a democracia na sua versão mais ampla. A ideia é que seja uma instituição da República, e não de um governo”, diz.

No ano passado, o governo incluiu no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) um projeto de R$ 40 milhões para a construção do museu. Há uma possibilidade ainda de que o espaço também funcione como sede do Ibram.

A ideia é que possam ser usados recursos do orçamento da Cultura para complementar os custos com a construção do equipamento. Também não está descartada a possibilidade de parcerias com o setor privado —até o momento, no entanto, isso não está em discussão.

Ao longo deste ano, o ministério e o Ibram irão realizar conjuntamente eventos em todas as regiões do país para discutir, junto com a sociedade civil, temas relacionados ao museu. O plano é que a definição do acervo e do escopo do equipamento seja realizada de forma coletiva e com consulta popular.

A presidente do Ibram, Fernanda Castro, afirma que essa é uma oportunidade para o órgão, que irá, pela primeira vez, “pensar um museu do zero, num processo democrático e com participação social”.

“Teremos um espaço para lembrar da tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023 e vamos falar dos momentos de ruptura da construção da democracia no país. Mas o foco do museu estará na divulgação, valorização e estímulo à consolidação de experiências práticas da democracia no Brasil.”

A primeira ação relacionada ao museu em 2024 será lançada nesta segunda-feira (8), data que marca um ano da invasão dos golpistas aos prédios do Congresso Nacional, do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Palácio do Planalto.

No dia, entrará no ar o Repositório Digital para Construção do Museu da Democracia, um site que terá, entre outras coisas, uma seção dedicada ao 8 de janeiro.

Nela estarão expostos vídeos disponibilizados pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional) das ações dos golpistas nos prédios que foram invadidos, que foram editados e passaram por curadoria feita pelo Ibram; uma linha do tempo com notícias que foram publicadas ao longo do dia 8; e uma prévia do documentário “Domingo no Golpe”, dirigido pela pesquisadora Giselle Beiguelman e pelo cineasta Lucas Bambozzi.

O site também terá um espaço dedicado à participação social. A ideia é que ele possa servir para estabelecer diálogo contínuo entre o ministério e as pessoas sobre questões relacionadas à construção do museu.

A iniciativa terá ainda uma seção dedicada a museus e pontos de memória. O Ibram fará uma campanha convidando os espaços a enviarem vídeos com depoimentos sobre projetos e acervos dos museus que tiverem relação com o tema da democracia.

VICTORIA AZEVEDO / Folhapress

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