Greve na CPTM pode deixar mais de 550 mil pessoas por dia sem trens em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A greve dos ferroviários, anunciada para ocorrer a partir da meia-noite desta quarta-feira (26), poderá atingir cerca de 550 mil passageiros que usam as linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

O número representa, aproximadamente, a média diária dos quase 17 milhões embarques nas três linhas em todo o mês de janeiro, dado mais recente disponível nas estatísticas da companhia.

Na semana passada, os ferroviários aprovaram a greve por tempo indeterminado contra a privatização das três linhas -a abertura das propostas ocorre na sexta-feira (28), em sessão pública programada na sede da B3, a Bolsa de Valores, no centro histórico da cidade de São Paulo.

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) prevê arrecadar R$ 14,3 bilhões em investimentos em 25 anos de concessão.

“Estamos pedindo para que o governo do estado cancele esse leilão, que chame a categoria para conversar, para a gente ver a melhor forma de não ter um transporte privatizado”, diz Lourival Júnior, secretário de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.

Ele chama de bagunça as concessões de outras linhas do trem metropolitano.

Questionada sobre como vai tentar amenizar os efeitos da greve junto aos passageiros, a CPTM não respondeu até a publicação deste texto.

Segundo o sindicato, cerca de 2.000 pessoas trabalham nas três linhas.

Às 9h desta terça (25), a categoria programou uma manifestação em frente a B3. Às 20h está agendada uma nova assembleia para referendar a greve, segundo o sindicato.

A licitação das três linhas faz parte do lote Alto Tietê. De acordo com a gestão Tarcísio, o pregão despertou interesse de investidores nacionais e internacionais.

“A concessão tem um forte impacto social, atendendo a zona leste e regiões metropolitanas de alta demanda, onde vivem mais de 4,6 milhões de pessoas”, afirma o governo, que promete reduzir o tempo de deslocamento, além de ampliações das linhas e no número de estações.

Das atuais linhas do transporte ferroviário na região metropolitana de São Paulo, três linhas foram passadas para a iniciativa privada.

A 8-diamante e 9-esmeralda estão sob gestão da ViaMobilidade, do grupo CCR desde janeiro de 2022.

A 7-rubi será administrada a partir de novembro pelo consórcio C2 Mobilidade Sobre Trilhos, encabeçado pela Comporte -holding brasileira ligada à família Constantino, fundadora da Gol- em parceria com o gigante chinês CRRC, empresa estatal que é a maior fabricante de suprimentos ferroviários do mundo.

“A paralisação é motivada pela manutenção dos empregos dos trabalhadores das linhas 11, 12 e 13”, afirma o sindicalista.

Das três linhas que o governo pretende conceder à iniciativa privada a partir do pregão de sexta, a 11-coral é a que leva mais passageiros, com trens que ligam a estação Palmeiras-Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, à Estudantes, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Em janeiro passado, foram quase 11,3 milhões de embarques em suas 17 estações.

A linha 12-safira teve pouco mais de 5,2 milhões de embarques. Com 13 estações, parte do Brás, na região central paulistana, e vai até Poá, também na região metropolitana.

A linha 13-jade tem o menor número de usuários -foram cerca de 492 mil embarques. Esse é o único serviço de transporte público direto para levar passageiros da capital paulista até o aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Atualmente há duas opções para se chegar pelo sistema ferroviário ao aeroporto de Cumbica. Uma delas é a linha 13, com saída da estação Engenheiro Goulart, na zona leste de São Paulo.

A outra alternativa é o Expresso Aeroporto, que também circula na linha 13, provisoriamente até abril, a partir da estação da Luz (centro), por causa de obras –normalmente a partida é da estação Barra Funda.

O embarque é de hora em hora. Nos dois casos, a tarifa custa R$ 5,20, a mesma de todos os trens metropolitanos.

FÁBIO PESCARINI / Folhapress

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