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Hamas diz ter aceitado proposta de cessar-fogo em Gaza, mas EUA e Israel negam novos termos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Uma autoridade palestina afirmou que o Hamas aceitou nesta segunda-feira (26) nova proposta de cessar-fogo na guerra na Faixa de Gaza, segundo a agência de notícias Reuters, enquanto autoridades de Israel dizem que os termos são inaceitáveis.

A nova proposta, que teria sido enviada ao grupo terrorista via mediadores, prevê uma trégua de 70 dias, retirada parcial de tropas israelenses do território palestino, e a libertação de dez reféns em troca da soltura de detentos palestinos presos em Israel e entrada de mil caminhões de ajuda humanitária em Gaza.

Segundo o site americano Axios, o enviado de Washington ao Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou que ainda não havia recebido sinalização positiva do Hamas. “O que vi deles é desapontador e completamente inaceitável”, disse Witkoff.

Após relatos na imprensa de países árabes vizinhos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciaria nos próximos dias o novo cessar-fogo, autoridades de Israel rejeitaram o novo acordo.

A proposta recebida por Tel Aviv não pode ser aceita por qualquer governo responsável, afirmou uma autoridade do governo, sob anonimato, à imprensa israelense. Segundo esse funcionário, o Hamas estabelece condições impossíveis, que significam o fracasso dos objetivos de guerra e a incapacidade de libertar os reféns.

Esse funcionário israelense negou ainda que os termos indicados coincidam com a proposta de Witkoff, corroborando a declaração do enviado americano sobre o grupo terrorista não ter dado sinalização positiva sobre o trato.

De acordo com o jornal Times of Israel, essa autoridade diz que a proposta dos mediadores que o Hamas teria aceitado não indica um desejo real de superar as lacunas entre as partes e que Tel Aviv continua comprometida com as diretrizes expostas por Witkoff.

Ainda segundo o site Axios, a última proposta do enviado americano sugeria a libertação de dez reféns vivos e mais 19 corpos de reféns mortos em cativeiro ou durante o ataque de 7 de Outubro de 2023 em troca de uma trégua de 45 a 60 dias e a soltura de prisioneiros palestinos.

“Acordos parciais são uma derrota para Israel que pode, e deve, ser evitada. Só há uma solução adequada e desejável: um acordo abrangente que trará de volta todos os 58 reféns e terminar a guerra. O governo pode alcançar isso amanhã de manhã, se assim escolher”, afirmou o Fórum de Famílias de Reféns e Desaparecidos, organização de familiares de vítimas do Hamas, em resposta aos relatos sobre a nova proposta.

O último cessar-fogo no conflito começou em 19 de janeiro e durou quase dois meses. No dia 18 de março, Israel rompeu a trégua com ataques renovados a Gaza, em meio a pressões de Tel Aviv e Washington e consequentes discordâncias com o Hamas sobre as fases seguintes do acordo.

Nesta segunda, novos ataques aéreos israelenses mataram mais de 50 pessoas, 33 delas deslocadas que se abrigavam em uma escola, de acordo com a Defesa Civil do território controlado pelo grupo terrorista.

O número de mortos em Gaza desde o início da guerra, em outubro de 2023, já ultrapassa 53 mil, segundo autoridades locais —a maioria dos óbitos seria de civis. Desde o fim do cessar-fogo iniciado em janeiro, a cifra voltou a crescer rapidamente, assim como a deterioração das condições do território, sob bloqueio total de ajuda humanitária imposto por Tel Aviv por quase 80 dias.

Os mortos no bombardeio à escola Fami Aljerjawi, no bairro de Daraj, na Cidade de Gaza, incluíam mulheres e crianças, segundo médicos do território. Em Jabalia, no norte de Gaza, socorristas recuperaram 19 cadáveres após um ataque atingir a casa de uma família, segundo o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal.

O Exército de Israel disse que “terroristas importantes” estavam na escola bombardeada na Cidade de Gaza e que “tomou várias medidas para mitigar o risco de causar danos à população civil”. Afirmou também ter detectado três projéteis lançados a partir de Gaza nesta segunda, incluindo um que foi interceptado.

GUILHERME BOTACINI / Folhapress

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