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IBGE não detalha dados de evangélicos no Censo e aponta dificuldade para divulgação

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira (6) dados preliminares de religião do Censo Demográfico 2022 sem o detalhamento dos diferentes grupos que compõem a população evangélica.

O órgão de pesquisas relatou dificuldade para fazer o desmembramento e ainda avalia se conseguirá disponibilizar as estatísticas. A decisão deve ser tomada no segundo semestre deste ano.

Conforme o Censo 2022, os evangélicos alcançaram 26,9% da população de dez anos ou mais no Brasil. Isso equivale a 47,4 milhões de pessoas de um total de 176,6 milhões da mesma faixa etária.

Os números, contudo, não detalham quantos habitantes pertenciam a igrejas evangélicas de missão, como luterana, presbiteriana e adventista, e quantos seguiam igrejas evangélicas de origem pentecostal, que incluem Assembleia de Deus, Universal do Reino de Deus e outras.

É uma situação diferente da verificada no Censo anterior, de 2010. À época, o levantamento desagregou diferentes camadas de evangélicos, além de trazer detalhes de outras religiões, como judaísmo e budismo.

O IBGE associou a dificuldade para a separação dos números de 2022 a registros de denominações religiosas “mais genéricos” em relação a 2010.

“Isso é um fenômeno que tem a ver com a maneira como os respondentes declaram suas crenças. O que a gente percebeu é que nesse Censo [2022] as declarações não foram tão completas como vinham sendo nos Censos anteriores”, afirmou Luiz Felipe Barros, analista do Censo.

“Então, isso gera um pouco mais de dificuldades na desagregação desses dados. A gente está trabalhando, estudando e avaliando as possibilidades de desagregação”, completou.

Em 2022, os dados de religião foram investigados a partir da seguinte pergunta: “Qual é sua religião ou culto?”. A questão foi aplicada junto aos brasileiros recenseados por meio do questionário da amostra —parcela representativa da população.

Segundo Barros, havia possibilidade de respostas abertas para a pergunta. Assim, os recenseadores deveriam registrar os dados fornecidos pelos informantes, e existia um “combo” de opções para auxiliar os pesquisadores no preenchimento dos dados.

“Quando o recenseador começava a resposta, apareciam algumas opções para ele selecionar, mas a resposta não se limitava a essas questões. A gente busca justamente identificar novas denominações, novas igrejas. Esse é um dos objetivos do Censo”, disse.

O pesquisador disse que os procedimentos técnicos utilizados até agora garantem a segurança das estatísticas divulgadas nesta sexta, apesar da incerteza se o detalhamento também ficará disponível.

“A gente, sim, está enfrentando algumas dificuldades para poder desagregar alguns grandes grupos. Estamos avançando nos estudos. A gente não tem posição ainda fechada sobre quais grupos vamos conseguir desagregar no futuro”, afirmou.

Para realizar o Censo 2022, o IBGE enfrentou uma série de percalços. O levantamento estava previsto inicialmente para 2020, mas sofreu atrasos com as restrições de circulação na pandemia e com a falta de verba no governo Jair Bolsonaro (PL).

A coleta dos dados se estendeu por mais tempo do que o previsto, gerando preocupação entre especialistas.

Recenseadores também se queixaram de dificuldades ao longo do trabalho, como atrasos em pagamentos e fake news das quais teriam sido vítimas nas ruas.

O Censo é o mapeamento mais completo das condições sociodemográficas da população brasileira. Os números apurados podem impactar políticas públicas e influenciam repasses de recursos para municípios e estados.

LEONARDO VIECELI / Folhapress

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