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Investigadores de elite de SP são citados em queixa à polícia de violência contra mulher

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Quero deixar aqui registrado que temo pela minha vida e de pessoas próximas a mim. E se caso algo acontecer, de qualquer natureza, foi Pedro Campos Figueiredo, Diego Del Rio e Fabio Bopp.”

Esse é o trecho do boletim de ocorrência registrado por uma modelo de São Paulo em maio deste ano, em que ela afirma ser vítima de uma série de ameaças.

A queixa seria mais uma entre milhares registradas pela polícia todos os dias não fosse pelo fato de envolver dois dos investigadores mais conhecidos de São Paulo, Del Rio e Bopp, integrantes do principal grupo de elite da Polícia Civil de São Paulo, o GER (Grupo Especial de Reação).

Figueiredo é um empresário do ramo de seguros, com quem a modelo trabalhou por cerca de dois meses no final de 2023 como assistente pessoal. Tornou-se uma desafeta após ele suspeitar que ela passava informações dele para uma ex-namorada, com quem teria uma disputa judicial.

O boletim não cita de que forma os policiais teriam participado das ameaças. Pessoas ligadas ao empresário afirmam que Figueiredo utiliza policiais entre seus seguranças e que tanto Bopp quanto Del Rio estariam entre eles. Procurados por meio da Secretaria da Segurança Pública, os investigadores não comentaram o assunto.

Bopp é, inclusive, investigador-chefe do GER, tido como homem de confiança do delegado-geral Artur Dian e de outros integrantes da cúpula da instituição. O policial constantemente dá entrevistas a TVs para falar de operações ou da sua ligação com o surfe.

O investigador já teve o nome também citado à Folha por mulheres que denunciaram Thiago Brennand, preso sob suspeita de uma série de crimes sexuais. Segundo elas, o nome e a imagem de Bopp eram usados pelo empresário como seu amigo e protetor.

Não há oficialmente nenhuma suspeita contra o policial no caso Brennand.

Bopp também é, segundo policiais civis, amigo do deputado Carlos Alberto da Cunha (PP-SP), conhecido como Delegado Da Cunha, outro investigado por suspeita de violência contra mulher.

Já o investigador Del Rio tem mais de 460 mil seguidores nas redes sociais, nas quais compartilha o trabalho em situações de perigo e sua rotina de atividades físicas.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública paulista disse que o relato de ameaças contra a modelo é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela 3ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). A unidade solicitou medida protetiva à vítima, mas o pedido foi indeferido pela Justiça.

Sobre o suposto envolvimento dos investigadores do GER, a pasta diz que o assunto está sendo analisado internamente. “A Corregedoria da instituição avalia as medidas a serem tomadas diante dos fatos”, diz em nota.

Ao todo, a modelo registrou três boletins de ocorrência, todos no mês de maio. Apenas no último deles, citou o nome dos policiais. Nas queixas, a modelo relatou uma suposta rotina de ameaças iniciadas desde o início do ano, que inclui uma abordagem feita pessoas desconhecidas.

Conforme registrado em 27 de abril, um homem e uma mulher a abordaram em um posto de combustível ordenando que não gritasse e não fizesse nada porque era “um recado do Primeiro Comando da Capital [PCC]”.

“Eles abriram um papel que mostrava várias fotografias da vítima em momentos com a família, e que ela deveria esquecer que ‘ele existe’, explicando que se referiam a Pedro”, descreve o boletim.

A partir de então, ela teria passado a andar protegida por seguranças particulares. A reportagem apurou que policiais militares atuam nessa proteção.

Gabriela Manssur, advogada especializada nos direitos das mulheres, atua na defesa de Figueiredo e afirma que as acusações são infundadas e que a investigação está em curso.

“A minha defesa é a defesa do direito da mulher e não do uso abusivo da Lei Maria Penha. Quando nós vemos um caso imoralizar a nossa causa, eu analiso a situação e vejo se de fato vale a pena defender contra quem está abusando”, diz Manssur.

“A mulher tem direito, eu sempre vou lutar por elas, mas tenho percebido o uso abusivo da Lei Maria da Penha em alguns casos, normalmente, envolvidos com tentativa de vantagens pessoais. Não concordo com isso, a Justiça tem que ser séria”, completa a advogada.

A modelo, procurada pela reportagem, disse que não pode comentar o assunto porque a investigação corre em sigilo. Disse, ainda, que não teve outros litígios que a fizessem desconfiar da origem das ameaças e que cabe à polícia a investigação.

ISABELLA MENON E ROGÉRIO PAGNAN / Folhapress

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