RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Justiça Federal manda SP apresentar plano de mecanismo estadual contra tortura em prisões

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Justiça Federal mandou o estado de São Paulo apresentar, em 180 dias, um plano para criar o comitê e o mecanismo estadual de prevenção e combate à tortura em presídios paulistas.

A decisão, da 8ª Vara Cível Federal de São Paulo, é desta quinta-feira (10) e atende a um pedido da Defensoria Pública de São Paulo em uma ação civil pública. Cabe recurso do estado.

Esse mecanismo é um órgão análogo nos estados ao Mecanismos Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, formado por peritos que avaliam as condições dos presídios. Ele está presente em 22 estados da federação.

A União também foi condenada a cooperar e acompanhar a implementação do plano, devendo prestar informações sobre reuniões e o andamento do trabalho.

No processo, São Paulo havia argumentado que já tinha um modelo próprio de mecanismo por ter um Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e um Programa Estadual de Direitos Humanos, além de contar com estruturas da pasta de Administração Penitenciária como corregedoria e ouvidorias. Na manifestação, o estado também citou órgãos como a própria Defensoria Pública, a Promotoria de Justiça de Execução Penal, a Fundação Casa e até as corregedorias das polícias Civil e Militar.

Essas estruturas, no entanto, não foram consideradas suficientes por não atenderem, segundo a juíza federal Luciana Ortiz Tavares Costa Zanoni, às regras da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, da qual o Brasil é signatário.

A criação de um mecanismo já havia sido recomendada a São Paulo, que teve projeto aprovado pelo Legislativo estadual e vetado em 2019 pela gestão João Doria (então no PSDB).

Em maio do ano passado, o estado também havia sido condenado liminarmente na Justiça estadual a organizar a instituição do grupo, porém recorreu, e a decisão foi suspensa pelo presidente do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

Ele considerou que o cumprimento da ordem, por envolver a criação de órgãos e cargos públicos, exige edição de lei específica, não podendo ser objeto de deliberação judicial.

Essa suspensão pelo tribunal prejudica o cumprimento da decisão desta quinta, pois agora ela só passa a valer após o trânsito em julgado, ou seja, quando todas as possibilidades de recurso forem esgotadas, explica o defensor público Bruno Shimizu.

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), por meio da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, também citou a suspensão, decidida no Órgão Especial do TRF-3. “Em razão da suspensão de liminar anteriormente deferida, a sentença também não produz efeitos até o trânsito em julgado do processo.”

Na decisão mais recente, a juíza diz que os comitês estaduais são parte da estratégia para a implementação, no estado, do Plano de Ação do Pena Justa, determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para enfrentar a superlotação e violações de direitos no sistema prisional.

O estado paulista também deve apresentar, em dez dias após o trânsito em julgado -a conclusão definitiva do caso, após eventuais recursos- um cronograma com as etapas de cumprimento da decisão.

LUCAS LACERDA E BRUNO LUCCA / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS