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Lula vai receber familiares de brasileiro levado pelo Hamas, diz Jaques Wagner

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou nesta segunda-feira (11) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se colocou à disposição para receber, pessoalmente, familiares do brasileiro Michel Nisenbaum, que vive em Israel e está desaparecido desde o dia 7 de outubro.

A irmã de Michel, Mary Shohat, e uma das filhas do brasileiro-israelense, Hen Mahluf, participam nesta manhã de uma solenidade na Casa Legislativa, em Brasília, para discutir a guerra entre Israel e Hamas. Outros três familiares de pessoas mantidas como reféns do grupo terrorista também estão presentes.

“Quero comunicar, inclusive porque me foi pedido, que eu acabo de vir, e por isso cheguei atrasado, da sala do senhor presidente da República, que está se dispondo a receber a irmã e a filha do sequestrado, do refém”, afirmou Wagner, ao discursar durante a solenidade.

“Tanto para ser uma palavra de conforto, se é que é possível, como também para garantir que a diplomacia e o próprio presidente estão empenhados em achar um caminho para a liberação de todos os reféns”, completou, dizendo que aqueles que têm cidadania brasileira estão no topo da lista de prioridades.

Lula participou, semanas atrás, de uma conversa por videoconferência com a família do brasileiro, que vive em Israel há 45 anos e foi visto pela última vez no dia em que o Hamas realizou o maior ataque já sofrido pelo país em 50 anos.

À família, as Forças de Defesa de Israel dizem acreditar que Michel esteja entre as mais de 200 pessoas levadas como reféns. Um carro do brasileiro, encontrado incendiado, e um notebook seu recuperado já na Faixa de Gaza alimentam as esperanças de que ele possa estar vivo. Mas nada é certo.

Ao discursar na tribuna do plenário do Senado, Wagner fez um aceno para o senador Sergio Moro (União-PR), um dos autores do requerimento para a realização do debate, e teceu críticas ao ataque terrorista liderado pelo Hamas em 7 de outubro.

“Como foi dito aqui pelo senador Sergio Moro, qualquer ato terrorista ou grupo terrorista é covarde e digno, realmente, de ser eliminado”, disse Wagner, sob aplausos.

Em seguida, o líder do governo fez apelos para que o povo palestino não seja confundido com o grupo terrorista que comanda a Faixa de Gaza.

“Os palestinos não são o Hamas. Os palestinos também querem paz, são pais e mães de família que também sofrem com a perda dos seus familiares e que têm o direito de viver em paz e conviver com o Estado de Israel —que, pelo menos, é o meu sonho”, afirmou o senador do PT, que é judeu.

“A única coisa que eu peço, por mais que eu entenda o sentimento individual de cada familiar que perdeu um parente ou de cada familiar que luta para rever o seu parente, [é] que nós não devemos dirigir essa nossa condenação, para não falar a palavra ódio, para o conjunto do povo palestino, que também não está gostando do que está vendo”, acrescentou.

Wagner afirmou que, por outro lado, críticas à política externa do governo de Israel também não devem abrir caminho para a propagação do antissemitismo, pontuando que o Holocausto foi “a maior barbárie” já perpetrada contra a humanidade.

A vinda ao Brasil de familiares de reféns Hamas foi organizada pelo Fórum de Famílias Sequestradas e Desaparecidas em parceria com a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Federação Israelita do estado de São Paulo (Fisesp). A iniciativa ainda tem o apoio da Embaixada de Israel no Brasil e do Consulado-Geral de Israel em São Paulo.

Nos últimos dias, o grupo também desembarcou na Argentina e no Uruguai para falar sobre a guerra. A ideia é que suas visitas ajudem a sensibilizar as sociedades latino-americanas sobre a situação daqueles que ainda são mantidos como reféns pelo Hamas.

Em entrevista concedida à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, no mês passado, Mary Shohat relatou a angústia vivida pela família enquanto aguarda informações sobre o paradeiro de Michel. “A espera por notícias nos come vivos”, disse.

Nesta segunda, ao discursar no Senado, ela descreveu o irmão como uma pessoa divertida e brincalhona, afirmou que se sente como sua segunda mãe e pediu a ajuda de todos para resgatar Michel.

“Nós estamos com uma dor na nossa alma. O nosso coração está pingando sangue. Eu não tenho palavras para explicar o que está passando com a nossa família. Minha mãe o tempo todo chora, ninguém tem palavras para consolá-la”, desabafou.

Filha de Michel, Hen Mahluf chorou ao discursar perante os senadores e os demais convidados da solenidade. “Eu acredito, eu tenho que acreditar, que uma hora ele vai estar comigo”, afirmou, com a voz embargada. “A vocês, por favor, façam tudo o que puderem para ajudá-lo, para que meu pai possa voltar para a sua casa.”

Nascido em Niterói, no Rio de Janeiro, o brasileiro deixou o país há mais de 45 anos para viver em Israel. Ele tinha 12 anos. Mary, que nasceu em Porto Alegre, tinha 17.

Hoje, Michel tem duas filhas e cinco netos —o sexto está a caminho. Todos vivem em Israel.

Seu último contato com a família foi às 6h57 de 7 de outubro, por telefone, quando avisou a uma de suas filhas que iria buscar a neta em uma base militar. Minutos depois, um terrorista teria atendido o telefone proferindo palavras em árabe e gritando “Hamas”.

MÔNICA BERGAMO / Folhapress

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