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Má fase da Boeing chega até ao Air Force One

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A má fase da gigante aeroespacial americana Boeing, que enfrenta dificuldades com diversos de seus aviões e até com uma cápsula espacial que não consegue voltar à Terra, chegou a um de seus produtos mais famosos: o Air Force One.

No caso, o novo modelo do Boeing 747 usado pelo presidente dos Estados Unidos. Neste domingo, o chefe da divisão de defesa da empresa, Ted Colbert, afirmou que a fabricante “ainda está lutando contra desafios” para construir os dois novos aviões do tipo.

Eles foram encomendados em 2018, no governo de Donald Trump, por US$ 3,9 bilhões. São versões muito modificadas do Boeing 747-8, a última versão do clássico avião de dois andares lançado em 1969, que deixou de ser produzido no ano passado.

O CEO da Boeing, Dave Calhoun, já admitiu que o contrato que Trump extraiu de seu antecessor, Dennis Muilenburg, tinha custos subestimados. Colbert disse que “nós fizemos uma tonelada de investimentos”, mas “os aviões são muito complexos”.

A empresa diz que já perdeu US$ 2 bilhões no desenvolvimento das duas aeronaves. Elas deveriam ser entregues em dezembro deste ano, mas agora a previsão é de que estejam à disposição em qualquer momento entre 2027 e 2028.

O problema é a sofisticação dos aviões. Eles são inteiramente reconfigurados para poder transportar o presidente e sua equipe mais próxima, com mecanismos de defesa antimíssil e contra interferência eletrônica e de comunicações.

Além disso, são preparados para servir de base voadora em caso de emergências nacionais, como uma guerra nuclear, podendo ficar no ar por dias, sendo reabastecidos por aviões-tanque. Tudo isso transforma a adaptação de uma aeronave comercial num pesadelo, agravado por problemas de linhas de suprimento.

A pandemia da Covid-19 penalizou especialmente o setor aéreo, não só pela perda de negócios com a queda nas viagens, mas pela disrupção na cadeia logística. A retomada forte da demanda por aviões pegou empresas como a Boeing despreparadas.

Um problema adicional foi a Guerra da Ucrânia. Logo após a invasão russa de 2022, a Boeing anunciou que pararia de comprar titânio, material vital para aeronaves e sistemas de defesa, do país de Vladimir Putin. A sua rival europeia, Airbus, não fez o mesmo, e hoje é incerta a quantidade do produto que chega aos aviões da americana porque seus fornecedores não são proibidos de adquiri-lo.

Some-se a tudo isso a crise sistêmica da Boeing, que viu seu principal produto comercial, o 737 Max, passar 20 meses no chão devido a acidentes fatais causados por erros de projeto que demoraram a ser consertados.

Outros aviões, como o 787, passaram por questionamentos semelhantes. Quando o pior parecia ter passado, a empresa sofreu outro baque de imagem quando um tampão de fuselagem de um 737 Max explodiu, no começo do ano.

Foram descobertas falhas graves de qualidade na linha de montagem: faltavam rebites para segurar a peça no lugar com segurança. O processo de reavaliação da cadeia produtiva da Boeing ainda está em curso.

Por fim, até a cápsula Starliner, que marcou a estreia da empresa na era das viagens espaciais do setor privado, deu chabu: após diversos atrasos para lançar dois astronautas rumo à Estação Espacial Internacional, a dupla não consegue voltar ao planeta porque há problemas em sistemas da nave.

Em relação ao Air Force One, o agora futuro ex-presidente Joe Biden seguirá voando no modelo atual, um Boeing 747-200 todo preparado para recebê-lo, mas que está no ar desde 1990. A designação, Força Aérea Um em inglês, diz na realidade respeito a qualquer aeronave em que autoridade máxima do país esteja embarcado, mas como usualmente é 1 dos 2 747 à disposição, o nome colou no avião.

O avião está presente no imaginário ocidental, e até foi o cenário de um filme que leva seu nome estrelado por Harrison Ford como o chefe de Estado, em 1997.

IGOR GIELOW / Folhapress

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