‘Máfia do bisturi’ criou cartel para dominar mercado de anestesias no DF

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu neste mês mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar a “máfia do bisturi”, suspeita de ser uma organização criminosa criada com o auxílio de uma cooperativa para dominar o mercado de anestesistas no Distrito Federal.

Cooperativa é acusada de adotar práticas anticompetitivas e condutas ilícitas para controlar o mercado. De acordo com a investigação, grupo também é acusado de intimidar profissionais que não se alinham às diretrizes impostas pelo cartel. Operação foi deflagrada pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

Operação teve o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão contra os principais membros da cooperativa. Os médicos são acusados de praticar constrangimento ilegal contra outros profissionais da categoria que não se alinharam à conduta do grupo. Os alvos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, formação de cartel, constrangimento ilegal e lavagem de dinheiro.

Ameaças de descredenciamento e exclusão da cooperativa a profissionais que não seguem linhas do grupo, indica investigação. A Polícia Civil diz ainda que os suspeitos integram um grupo criminoso estruturado e estável, que vem operando por anos no setor de serviços médicos no Distrito Federal.

Controle de grupos profissionais em hospitais no DF, “impedindo a entrada de novos profissionais e restringindo a concorrência”, diz a Polícia Civil. De acordo com a investigação, há exclusividade na negociação de tabelas de honorários médicos com operadoras de planos de saúde privados, “eliminando a livre concorrência e impondo valores abusivos”.

Grupo é acusado de restringir a atuação de médicos autônomos mediante ameaças psicológicas e até físicas. “Em meio a esta conduta, foi identificada, supostamente, a formação de cartel, impactando diretamente a concorrência, os consumidores e a qualidade dos serviços médicos, tanto no setor privado quanto na rede pública”, aponta a investigação.

HERCULANO BARRETO FILHO / Folhapress

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