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Manga teve ajuda de torcedores do Nacional e Botafogo para voltar ao Brasil

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) – As mãos que fizeram grandes defesas e ficaram marcadas pelos dedos tortos pelas batalhas em campo também permitiram ações fraternas e agarraram ajudas. Manga recebeu auxílio nos últimos anos de vida e a solidariedade em prol do ex-goleiro vieram de torcedores de clubes onde foi ídolo, como Botafogo e Nacional do Uruguai.

Manga morreu nesta terça-feira (8) aos 87 anos. Ele estava no Hospital Rio Barra, na Barra da Tijuca. O velório ocorre nesta quarta-feira (9), em General Severiano, sede do Alvinegro.

O CARINHO URUGUAIO

Manga aposentou-se do futebol em 1982, pelo Barcelona de Guayaquil. Ele viveu no Equador até 2019, quando, em meio a problemas de saúde, recebeu ajuda de um grupo de torcedores do Nacional, do Uruguai —clube do goleiro entre 1969 e 1974 e onde tornou-se ídolo.

“Faço parte do coletivo chamado ‘Campeón Para Toda La História’. Em setembro de 2019, quando saí do trabalho, vi que havia muitas mensagens no nosso grupo de WhatsApp e pensei: ‘Aconteceu alguma coisa’. Quando comecei a ler, vi que Mateo [D’Acosta], que era cônsul do Uruguai no Equador, disse que Manga estava em uma situação delicada, sua vida estava em perigo e que ele não tinha fundos”, afirma Matias Montiel.

“Com Enrique Singlet, começamos a organizar todas as opções que tínhamos para poder fazer alguma coisa, uma coleta começou e todos contribuíram com o que podiam. Naquela época, eu estava em uma situação financeira ruim. Como não pude ajudar financeiramente, ofereci minha casa para acomodá-lo e deixá-lo o mais confortável possível. Preparamos um quarto para ele, mobiliamos e tudo ficou pronto para sua recepção”, completou.

O ex-goleiro desembarcou em Montevidéu às 4h da manhã, ao lado da esposa Cecília. Foi recebido por três carros no aeroporto e encaminhado diretamente a um hospital. Exames foram realizados e apontaram uma inflamação na região da próstata, que desencadeou problemas renais.

“Com a questão da saúde resolvida, começamos a nos preocupar com a questão financeira, e foi aí que a torcida do Nacional reagiu e apoiou um dos seus melhores goleiros da história. Uma enfermeira [Curbelo] o visitava todos os dias para cuidar dele, e um taxista se ofereceu para levá-lo quando não podíamos, de graça. Um torcedor que vende adesivos no estádio arrecadou uma quantia enorme de dinheiro vendendo-os e gerando fundos. Todo o grupo do ‘Campeón Para Toda La História’ apoiou para que nada faltasse, e torcedores do Botafogo entraram em contato, e iniciaram uma arrecadação.”

À época, foi realizado um jantar beneficente no Hotel Prado, pelo qual foi cobrado um valor simbólico com renda revertida exclusivamente para Manga. O evento foi chamado de “una mano para Manga”, “uma mão para Manga”, em tradução livre. Lombardo, proprietário do local e torcedor do Nacional, havia disponibilizado o espaço e o serviço de buffet. Houve tempo ainda para uma visita ao Estádio Gran Parque Central.

A VOLTA AO BRASIL

O responsável pelo “Dia do goleiro” retornou ao Brasil e foi morar no Retiro dos Artistas, no Pechincha, zona oeste do Rio. Foi o primeiro atleta acolhido pelo local. A ponte foi feita pelo jornalista Marcelo Gomes, da ESPN, que acompanhou a viagem de volta e conversou com Stepan Nercessian, presidente do Retiro.

“Na segunda, dia 16 de março, levamos o casal para a grande surpresa. Stepan e equipe do Retiro dos Artistas aguardavam para o anúncio. Manga mais uma vez se emocionou com a tão sonhada casita. Stepan só pediu para que fizéssemos uma campanha para reformar e mobiliar a nova moradia do casal. Foi uma mobilização fantástica. Em dois dias, arrecadamos R$ 17 mil, com ajuda de jornalistas como como Paulo Vinícius Coelho, o PVC, Milton Neves e outros artistas do Rio, além da torcida que também vestiu a camisa de Manga”, contou, em texto publicado nesta terça-feira (08) no portal da empresa.

“Abrigar o Manga é abrigar uma das páginas mais lindas do futebol brasileiro. No momento, estamos sem vagas. Mas todas as solicitações são estudadas e estamos abertos, sim [a receber mais jogadores]. Consideramos o jogador de futebol um verdadeiro artista”, contou Stepan, ao UOL, em 2022.

AJUDA ALVINEGRA

Após a chegada ao Brasil, Manga recebeu ajuda de torcedores alvinegros. Rafael Bastos, em contato com Cecília, soube da situação do ex-goleiro e organizou algumas frentes para arrecadar fundos.

Logo depois que o Manga chegou ao Brasil, conseguiu licenciar uma camisa junto ao Botafogo. Quem comercializava essas camisas autografadas era a Cecília, esposa dele, e foi aí que cheguei a ele. Eu comprei cinco camisas, mas não peguei imediatamente. Foi cerca de um mês, e, neste período, fui conversando com a Cecília, e descobrindo a situação deles. Eles tinham o auxílio do Retiro dos Artistas, mas resolvemos ajudar com mais e fizemos algumas açõesRafael Bastos

O grupo fez uma vaquinha, uma rifa solidária, a venda de uma camisa histórica do Nacional, devolvida por um fã de Manga e parceria para a vendas de camisas. Também administrava a conta dele nas redes sociais. Ao todo, foram arrecadados quase R$ 50 mil líquidos. Houve também a inclusão da esposa do ex-goleiro no Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social.

“Com essa visibilidade, a CBF deu ao Manga o título de Embaixador do futebol, e havia uma remuneração mensal”, completou.

Rafael conta que ter tido um contato maior com Manga fez a idolatria aumentar. “Manga é um ídolo muito maior do que eu imaginava. Durante esse ciclo, conversei com muita gente do Brasil inteiro e descobri situações fantásticas, curiosas e uma idolatria que ultrapassa muito o Botafogo. Ele é reconhecido por onde passou. Esse carinho por ele, essa posição de ídolo, de maior goleiro da história do Botafogo, para mim, particularmente, até ficou um pouco maior”.

O ex-goleiro deixou o Retiro dos Artistas e, nos últimos tempos, estava vivendo em um apartamento alugado por Durcésio Mello, ex-presidente do Glorioso.

ALEXANDRE ARAUJO / Folhapress

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