Marcola nega conhecer Deolane e diz estar indignado com operação, afirma defesa

Deolane foi presa na Operação Vérnix, da Polícia Civil de São Paulo com o Ministério Público, no dia 21

Reprodução

A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe máximo do PCC, disse nesta quarta-feira (27) que ele não conhece a influenciadora Deolane Bezerra e que ficou “indignado” com a investigação sobre lavagem de dinheiro da facção.

Deolane foi presa na Operação Vérnix, da Polícia Civil de São Paulo com o Ministério Público, no dia 21. Ela é suspeita de lavar dinheiro da facção criminosa por meio de uma transportadora de fachada, a empresa Lado a Lado. A influenciadora nega qualquer relação com o PCC. A defesa de Marcola diz que ele é inocente.

A investigação chegou até Deolane depois de identificar a ligação dela com Everton de Souza, o Player. Ele é apontado pela polícia como gestor indireto da transportadora Lado a Lado.

Segundo o Ministério Público, a proximidade entre Deolane e Francisca Alves da Silva, mulher de Alejandro Camacho Júnior, irmão de Marcola, foi um dos elementos considerados para iniciar a investigação sobre a suposta participação da influenciadora na lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.

“Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, vem a público informar que, em atendimento realizado com seu constituinte no dia 25 de maio na Penitenciária Federal em Brasília, este tomou ciência dos fatos relacionados ao inquérito policial/investigação que motivou a decretação de sua prisão preventiva”, diz a nota enviada pelo advogado à imprensa.

“Diante das informações apresentadas, Marco manifestou surpresa e indignação, declarando desconhecer os investigados Deolane e Everton, afirmando que seu único vínculo com o caso se restringe ao parentesco com seus sobrinhos Leonardo e Paloma e com seu irmão Alejandro”, diz a nota.

“Ademais, [Marcola] negou qualquer participação nos fatos investigados, bem como a titularidade, direta ou indireta, da transportadora mencionada na investigação, relatando que tampouco possui o vulgo ‘narigudo’ que lhe é atribuído pela autoridade policial”, diz o advogado.

A investigação aponta que a empresa Lado a Lado funcionava como uma espécie de caixa do crime organizado.

Conforme mostrou a Folha, Deolane declarou à Receita Federal ter ganhado 7,5% do que recebeu em contas correntes ao longo de quatro anos, segundo investigação da polícia.

Foram R$ 7,6 milhões em créditos de 2018 a 2022, sendo que apenas R$ 577 mil foram relatados ao órgão de auditoria fiscal. Esses números constam do relatório final do inquérito que apurou um esquema de lavagem e dissimulação de valores envolvendo a facção criminosa.

A Polícia Civil diz ter identificado uma “complexa engrenagem financeira estruturada em torno da pessoa Deolane Bezerra”, e a decisão que decretou a prisão preventiva (sem prazo) da influenciadora cita um padrão de vida “desproporcional a qualquer fonte de renda lícita apurada”.

Em carta enviada da prisão, Deolane negou participação no suposto esquema de lavagem de dinheiro e se disse vítima de perseguição. “Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião”, escreveu ela no início da carta.

Redação / Folhapress

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