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Mercado de Cannes seguiu firme apesar de Trump e deu atenção especial ao Brasil

CANNES, FRANÇA (FOLHAPRESS) – Grande homenageado da edição atual do Mercado do Filme no Festival de Cannes —o Marché du Film—, o Brasil bateu recorde de presença na maior mostra de cinema do mundo nesta 78ª edição, com cerca de 400 profissionais cadastrados para a sua área de negócios. Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esta é uma confirmação da excelência do cinema brasileiro.

“O ministério foi perseguido, atacado e deixou de existir em outros governos. Não por acaso, o retorno da pasta coincide com a boa fase do cinema brasileiro, nacional e internacionalmente”, diz ela. “Essa participação em festivais e prêmios mostra a importância estratégica do audiovisual na construção e projeção da identidade brasileira.”

Foi a primeira vez que um ministro da Cultura brasileiro esteve no festival desde Gilberto Gil, que deixou a pasta há 17 anos. Além de Menezes, a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, também marcou presença e participou de uma série de painéis voltados à promoção da indústria brasileira. O investimento do ministério nesta edição de Cannes foi de cerca de R$ 3 milhões.

Não foi apenas a escolha do Brasil como país de honra, porém, que ampliou as vitrines na Riviera Francesa. A sensação geral era de que o Oscar para “Ainda Estou Aqui” havia despertado curiosidade pelos nossos filmes e séries. A boa recepção a “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, na corrida pela Palma de Ouro deu ainda um empurrãozinho extra.

“O Brasil chega forte a Cannes apostando no embalo do Oscar”, dizia uma chamada da revista Variety. Nas outras publicações que criam edições especiais diárias para o festival, o país e os negócios que fechava —além, claro, de anúncios publicitários— também apareceram com mais frequência do que em anos passados.

Não faltaram eventos para celebrar a forte presença no Mercado do Filme, que chegou ao fim nesta quarta-feira, três dias antes da programação de filmes. No convite da festa oficial de abertura, uma simpática arara denunciava a decoração com clima tropical do evento. Na entrada do Palácio dos Festivais, uma grande tela desejava “bienvenue” a quem entrava, até mostrar as cores da bandeira brasileira e mudar os votos para “bem-vindo”.

Neste ano, o Brasil bateu recorde de profissionais na área de negócios, com cerca de 400 credenciamentos. Só como parte da comitiva do Ministério da Cultura, que lançou editais para custear a viagem de alguns representantes do audiovisual, foram cerca de 65 cineastas, produtores, distribuidores, executivos e funcionários públicos, um aumento de 50% em relação ao ano passado.

A sede do país no Mercado do Filme, uma grande área que toma o subsolo e os arredores do Palácio dos Festivais, ocupou um estande de 96 metros quadrados, vizinho de um segundo espaço, de 37 metros quadrados, compartilhado pela Spcine e a RioFilme.

“Ainda que o Brasil já tivesse uma presença consolidada no festival, a homenagem no Mercado reforçou a imagem de potência audiovisual, evidenciando a qualidade das produções, a diversidade de vozes e a capacidade de inovação das nossas empresas”, diz Lyara Oliveira, presidente da Spcine, empresa de audiovisual ligada à Prefeitura de São Paulo.

“Nesse espaço de destaque, o Brasil teve a oportunidade de mostrar ao mundo a força do seu mercado, tanto em termos de produção quanto de consumo. É uma visibilidade que gera conexões, abre portas para coproduções e fortalece a nossa imagem no cenário global.”

Entre os negócios fechados pela Spcine durante o Mercado do Filme está um acordo de cooperação estratégica com a Proimágenes, da Colômbia, país que atualmente encabeça os esforços para levar sets estrangeiros à América do Sul. A parceria, que será assinada em julho em Bogotá, tem como objetivo projetar a cidade de São Paulo como polo de filmagem internacional.

Para Oliveira, a autorização de Donald Trump para que a Casa Branca estude uma taxação de 100% sobre filmes gravados fora dos Estados Unidos, sejam eles estrangeiros ou não, ainda não teve impacto nas negociações, apesar de ser um tema recorrente nas entrevistas com diretores e atores que mostravam seus filmes nos andares de cima do Palácio dos Festivais.

Segundo a presidente da Spcine, muitos dos acordos fechados não só pela empresa paulistana nesta edição do Mercado já estavam sendo articulados antes do anúncio. Em resumo, a área de negócios seguiu “pulsante”. “Há um entendimento de que a produção audiovisual é cada vez mais global”, afirma ela.

Em painéis promovidos pelo pavilhão americano na Vila Internacional, que reúne as sedes oficiais dos países, o tema foi abordado, mas com pouca importância, numa tentativa de acalmar os ânimos. E a imprensa americana, por sua vez, declarou nesta reta final que a postura cautelosa do início do Mercado do Filme evoluiu, conforme os dias foram passando, para “business as usual”.

LEONARDO SANCHEZ / Folhapress

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