SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mercado financeiro vê os muros ameaçados por facções criminosas e começa a tentar se proteger, Canadá reage a Trump derrubando rixas centenárias e outros destaques do mercado nesta segunda-feira (30),
**RISCO O QUÊ?**
A Faria Lima está colocando o Risco PCC nas suas projeções. Sim, aquele PCC mesmo, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital. O CV, Comando Vermelho, também está no radar dos investidores. Explico melhor.
NO CORAÇÃO
A Folha de S.Paulo entrevistou empresários, gestores de fundos, economistas, líderes de entidades e ouviu uma preocupação comum entre eles.
A inquietação é de que as facções estejam encontrando brechas na economia formal, ameaçando não apenas os ganhos de grandes empresas que atuam na legalidade, mas também a segurança do ambiente de negócios.
EM TODOS OS CANTOS
Operações policiais indicaram que os grupos estão se infiltrando em todos os lugares onde encontram espaço.
Refino, distribuição e venda de combustíveis, mercado imobiliário, transporte privado e público, clínicas odontológicas e diferentes serviços, como internet, saúde, limpeza urbana, coleta de lixo e até o setor financeiro, estão na lista.
A atuação dessas divisões no Congresso e no Judiciário está sob investigação. Criminosos buscam garantir leis que possam manter as brechas permeáveis à manutenção da facção dentro da economia.
“ALA BUSINESS’
É como são chamadas as células ilegais que buscam se infiltrar no mercado financeiro. Analistas que preferem não ter o nome citado afirmaram à Folha de S.Paulo que têm a obrigação profissional de medir esses riscos para os ´RP Não exatamente. A mistura entre crime e negócios é uma das mais antigas do mundo. Mas agora, os representantes das facções passaram a aproveitar brechas legais para se infiltrar nas estruturas dos negócios.
“Se antes os criminosos enterravam dinheiro, agora alguns lavam recursos por meio de uma fintech aberta por parceiros”, diz o promotor de Justiça Fábio Bechara, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público de SP.
**SE NÃO PODE COM ELES…**
O fim do ditado que dá título a este texto seria junte-se a eles. Mas o Canadá está testando outra abordagem algo mais na linha de a união faz a força contra seu vizinho, os EUA.
Para resistir às tarifas de importação determinadas pelo governo de Donald Trump, os canadenses estão retirando barreiras internas e facilitando o comércio doméstico.
RENASCIMENTO ECONÔMICO
Não é uma hipérbole da newsletter quem batizou o fenômeno foram os economistas. O objetivo da reforma é remover cotas, impostos e padrões concorrentes que inibem o livre fluxo de bens e mão de obra entre as dez províncias e três territórios do Canadá.
A ministra do Comércio Interno, Chrystia Freeland, é a encarregada de investigar e detectar as ineficiências econômicas do país e pensar em formas de consertá-las.
PASSE DE MÁGICA
Mudar o status quo é uma missão inglória, e a ministra sabe disso. Não é a primeira vez que um governo tenta alterar as regras do jogo no país.
Todas as barreiras existem por um motivo, há um lobby por trás de cada uma delas, disse Freeland.
Mas a pressão externa de Trump contra o vizinho provoca um sentimento de urgência em Ottawa, que pode fazer com que a reforma saia do papel.
O presidente americano disse na sexta que interromperia as negociações com os canadenses em protesto contra a proposta deles de aumentar impostos aos gigantes de tecnologia do Vale do Silício.
Trump ameaçou aumentar a alíquota imposta sobre as importações de produtos canadenses.
O YIN
Um estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 2019 aponta que a remoção das barreiras comerciais internas acrescentaria cerca de 4% ao PIB (Produto Interno Bruto) per capita do Canadá.
O YANG
Derrubar barreiras internas não será fácil, como já colocamos. Não será o suficiente para resolver todos os desafios que enfrentará a economia nacional enfrentará, que têm alta dependência em relação ao vizinho.
Três quartos do seu comércio é com os EUA, totalizando mais de 1,3 trilhão de dólares canadenses.
**JOGANDO FORA**
O que fazer se você tiver muitos papéis de uma das empresas que mais se valorizaram nos últimos anos e que continuam a escalar? Vender boa parte deles é a resposta dada por executivos da Nvidia.
Líderes corporativos da principal fabricante de chips para inteligência artificial no mundo venderam US$ 1 bilhão (R$ 5,49 bilhões) em ações da empresa nos últimos 12 meses e o CEO da companhia, Jensen Huang, está entre eles.
A explicação óbvia para o movimento dos investidores é que estão capitalizando com o entusiasmo do mercado com a IA.
Mais de US$ 500 milhões (R$ 2,74 bilhões) em ações foram negociadas neste mês, à medida que o preço dos papéis da designer de chips subiu para um recorde, de US$ 157,75 (R$ 865).
Mas Há desconfiança de investidores em relação a esse movimento afinal, seria o mercado financeiro se não estivesse sempre suspeitando de alguma coisa?
Talvez. O ano de 2025 da empresa teve momentos doces e amargos. Ao mesmo tempo em que registrou uma valorização inédita nos pregões e faturamentos recordes, viu seus planos serem dificultados pelas tarifas de Trump.
O tensionamento das relações entre China e EUA é péssimo para a big tech. O país asiático encabeça, junto ao rival, a corrida tecnológica na IA, fato que a torna um mercado consumidor de primeira importância para a Nvidia.
QUESTIONAMENTOS
Será que este é o teto de valorização que a empresa vai atingir? Será que a Nvidia enxerga um futuro menos próspero e, por isso, os investidores estão tentando lucrar no pico dos papéis? São algumas das perguntas que podem aparecer.
Executivos não podem negociar com base em projeções ou dados privados das empresas o que configura uma competição desleal baseada em informações privilegiadas e geraria um baita problema para a Nvidia.
SEM BOLA DE CRISTAL
A empresa afirmou que todas as vendas feitas por Jensen Huang seguiram um plano de negociação pré-estabelecido que definia os preços e as datas em que as vendas seriam acionadas. Ele ainda mantém a grande maioria de suas ações da companhia.
**TODO MUNDO EMAGRECE?**
Desde que o mundo percebeu que o uso das canetas de semaglutida é uma forma de pagar pelo emagrecimento rápido, as farmacêuticas que as vendem viram seus faturamentos explodirem.
O caso mais notório é o impacto da Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, no PIB (Produto Interno Bruto) da Dinamarca, que a gente já explicou aqui.
MUDOU O JOGO
Não são só as farmacêuticas que estão sentindo o impacto do boom dos remédios nas suas finanças. A preocupação com o corpo e o emagrecimento voltaram com tudo e os dias de fazer as pazes com o espelho ficaram para trás.
Essa mudança de comportamento da população fez com que alguns setores ganhassem mais dinheiro e outros, inevitavelmente, perdessem.
SERÁ?
Estimativas de ganhos ou prejuízos em diferentes setores estão circulando em relatórios e nas rodas de conversa entre empresários, mas ainda é difícil saber se os tais remédios vão mesmo provocar uma revolução nos negócios.
MAIS FORTE
A aposta do mercado para matar a fome de quem está usando as canetinhas para emagrecer são os produtos de alto teor proteico.
Ao mesmo tempo em que elimina gordura, o emagrecimento gera perda de massa magra no corpo. Para mitigar esse efeito, médicos indicam atividade física e uma dieta com muita proteína.
Empresas como a Seara, a Danone e a Nestlé ampliaram a oferta de produtos ricos nesse nutriente.
“Isso tem levado a uma demanda global de consumo de proteína. Não é uma proteína ou outra, são todas as proteínas”, disse Gilberto Tomazoni, CEO da JBS.
Mas a JBS não compartilhou os dados que permitiram a correlação entre o aumento de vendas de carnes e o consumo de canetas emagrecedoras.
Ainda, analistas apontam que, mesmo dentro da indústria farmacêutica, é difícil mensurar o impacto delas nos ganhos.
No mês passado, a Goldman Sachs divulgou novas estimativas de vendas, alertando que o mercado de medicamentos antiobesidade pode ser menor do que o esperado.
O consumo global desses produtos deve alcançar US$ 95 bilhões (R$ 521 bilhões) até 2030, ante US$ 130 bilhões (R$ 713 bilhões) das projeções anteriores.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
Mundial de clubes? Que nada. Robôs guiados por IA tomam decisões e fazem partida cheia de gols na China.
Desistentes. Sem o retorno esperado, empresas estão abandonando projetos de geração renovável de energia elétrica no Brasil.
Limites. O Banco Central estuda um teto para a taxa de cartões de crédito.
Sem colher de chá. O presidente Lula está instruindo aliados a se contrapor ao centrão depois do revés nas votações contra a medida do IOF.
LUANA FRANZÃO / Folhapress
