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Merz está próximo de acordo para formar novo governo na Alemanha

BERLIM, None (FOLHAPRESS) – Friedrich Merz está próximo de assumir o cargo de primeiro-ministro da Alemanha. Um dia depois de descrever a situação da Alemanha como dramática diante do advento das tarifas de Donald Trump, o político conservador alcançou um acordo com os sociais-democratas e deve anunciar sua coalizão de governo nesta quarta-feira (9).

De acordo com a emissora NTV, a aliança CDU/CSU, de Merz, havia concluiu as negociações com o SPD, do atual premiê, Olaf Scholz. A divulgação do acerto dependeria de detalhes, que eram discutidos pelos líderes das agremiações na sede da CDU, no centro de Berlim, na noite de terça-feira (8), e continuarão na manhã desta quarta.

Juntas, as legendas comporão uma maioria justa no Bundestag, o Parlamento alemão, com 328 das 630 cadeiras. Era a única coalizão possível para Merz sem envolver a AfD, o partido de extrema direita, que obteve a segunda bancada nas eleições de fevereiro, com 152 deputados.

Além da guerra comercial instalada por Trump, que deve afetar muito a já combalida economia alemã, maior exportadora da União Europeia, Merz era acossado nos últimos dias pelas pesquisas de opinião. Pela primeira vez na história, a AfD empatou numericamente com a CDU nas preferências de voto, que são medidas semanalmente na Alemanha. Os dois partidos registraram 24% nos últimos levantamentos.

Em comparação aos resultados da eleição, a sigla populista de Alice Weidel ganhou 3 pontos percentuais, enquanto o partido de Merz perdeu 4 pontos, o pior patamar da CDU na história. A falta de confiança no próximo primeiro-ministro chega a um patamar de 60%.

Merz, advogado corporativo que chegou a se afastar da política nos anos 2000 após seu grupo político ser superado pelo de Angela Merkel na CDU, sofre um desgaste de popularidade desde que encampou a iniciativa de aprovar o maior pacote de estímulo da Alemanha desde a reunificação. Para relaxar o freio da dívida, a versão local do teto de gastos, autorizar gastos excepcionais com defesa e alocar 500 bilhões (R$ 3,36 trilhões) para atualizar a infraestrutura do país nos próximos dez anos, ele usou o Parlamento anterior, onde obteve a maioria constitucional de dois terços.

No novo Bundestag, que assumiu uma semana depois da votação do pacote, AfD e o partido A Esquerda, juntos, têm uma minoria de bloqueio, que inviabilizaria a manobra. Merz conseguiu apoio das antigas bancadas do SPD e dos Verdes com o argumento de que a Alemanha precisava de investimentos maciços, notadamente em segurança, para fazer frente ao novo cenário geopolítico europeu.

O argumento político de Merz era o de que a Alemanha não poderia ficar à mercê da instável política externa de Trump, que busca um cessar-fogo na Ucrânia a qualquer custo. O avanço territorial russo é uma questão existencial para os alemães, que se assustaram também com um discurso populista do vice americano, J.D. Vance, na Conferência de Munique, em que defendeu a AfD e os políticos da extrema direita europeia.

O sucesso de Merz, porém, encerrou décadas da conhecida austeridade fiscal alemã, o que gerou críticas de setores mais conservadores e de agentes econômicos. Na campanha, ele tinha defendido que mexer no freio da dívida não era prioridade, o que o transformou em alvo fácil da oposição.

As negociações de coalizão com o SPD também estavam sendo vistas com reserva. Como os sociais-democratas já tinham garantido boa parte de seus objetivos com o investimento viabilizado pelo pacote de estímulo, sua posição nas negociações de prioridades do futuro governo teria ficado mais confortável.

Conservadores e sociais-democratas, apesar de comporem a coalizão mais frequente da política alemã, alimentam diferenças fundamentais em questões como imigração, previdência e benefícios sociais. Na Alemanha, os acordos de formação de governo são compromissos negociados à minúcia e determinam as ações políticas futuras.

Alcançado o acordo, Merz deve ser eleito primeiro-ministro, uma formalidade com a coalizão formada no Bundestag, no dia 7 de maio.

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE / Folhapress

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