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Ministério Público cobra explicação da gestão Tarcísio sobre uso do ChatGPT para produzir aulas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Ministério Público de São Paulo cobrou explicações da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre o uso da ferramenta ChatGPT na produção de aulas digitais que serão distribuídas às escolas estaduais de São Paulo.

No procedimento administrativo, o promotor Bruno Orsini Simonetti diz que “exsurge a necessidade” de explicações sobre a decisão de substituir os professores que faziam a produção desse material didático pela ferramenta de inteligência artificial.

Desde setembro do ano passado, o promotor faz diligências para apurar a entrada de tecnologias e plataformas na rede estadual paulista. Conforme mostrou a Folha, desde que assumiu a Secretaria de Educação, Renato Feder, que é empresário do setor de tecnologia, tem promovido uma digitalização do ensino.

Simonetti pediu à secretaria que explique de que forma será empregada, seu funcionamento e a finalidade pedagógica que busca satisfazer com o uso do ChatGPT na produção das aulas. Também cobrou que sejam indicados estudos ou pesquisas que sustentem a decisão.

“Esclareça se foram realizados estudos prévios a respeito de evidências científicas ou experiências bem-sucedidas em âmbito nacional e internacional a respeito do uso de referida ferramenta de inteligência artificial”, diz o documento. O promotor pede ainda que, caso a decisão tenha sido fundamentada com estudos que eles sejam apresentados.

Ele também pediu à secretaria para informar quais materiais didáticos serão elaborados com inteligência artificial e se alguma empresa foi contratada pelo governo estadual para prestar esse serviço.

O promotor também agendou uma reunião com os responsáveis pela Coped (Coordenadoria Pedagógica), área da secretaria que cuida da produção das aulas digitais, e da Citem (Coordenadoria de Informação, Tecnologia, Evidências e Matrícula) para que “apresentem a rotina de produção do material didático atual e as modificações pelas quais passará a partir da introdução de inteligência artificial”.

Conforme mostrou a Folha, as aulas digitais (slides) passaram a ser produzidas no ano passado em uma aposta de Feder para padronizar o que é ensinado nas escolas estaduais. Até então, esse material era feito por professores curriculistas, especialistas na elaboração desse tipo conteúdo.

Agora, com a adoção do ChatGPT, esses docentes terão a função de “avaliar a aula gerada [pela inteligência artificial] e realizar os ajustes necessários para que ela se adeque aos padrões pedagógicos”.

Renato Feder disse que o objetivo da mudança é agilizar a produção do material. O governador também disse que não se deve ter preconceito com a tecnologia.

No documento encaminhado ao secretário de Educação nesta quinta (18), Simonetti também cobrou que a pasta não prestou as informações solicitadas anteriormente sobre outros processos de digitalização do ensino. Três ofícios já foram enviados à secretaria e não foram respondidos com todas as explicações solicitadas.

A Secretaria de Educação disse que o processo de fluxo editorial com o uso do ChatGPT “ainda será testado e passará por todas as etapas de validação para que seja avaliada a possível implementação”.

Embora a pasta afirme que o processo ainda está em teste, os professores curriculistas já receberam as orientações sobre como devem trabalhar nas próximas semanas.

Segundo a secretaria, a ferramenta vai aprimorar as aulas produzidas anteriormente pelos docentes. “Com a inserção de novas propostas de atividades, exemplos de aplicação prática do conhecimento e informações adicionais que enriqueçam as explicações de conceitos-chave de cada aula.”

“Na sequência, esse conteúdo será avaliado e editado por professores curriculistas em duas etapas diferentes, além de passar por revisão de direitos autorais e intervenções de design. Por fim, se essa aula estiver de acordo com os padrões pedagógicos, será disponibilizada como versão atualizada das aulas feitas em 2023”, diz a nota.

ISABELA PALHARES / Folhapress

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