MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) – A ciclista Thalita Danielle Hoshino de Souza, 37, que foi atropelada por uma charrete na praia de Itanhaém, no litoral de São Paulo, morreu na tarde desta terça-feira (25). O acidente aconteceu na manhã de domingo (23). Ela estava internada na UTI do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, em estado grave.
A informação foi confirmada pela família de Thalita à Folha de S.Paulo.
“Não temos muito o que dizer. O que precisa ser feito é que se tenha justiça nesse caso”, afirmou o irmão de Thalita, Yuri Souza, 28.
À Folha de S.Paulo Gabriela Neves, amiga de Thalita que a acompanhava no passeio de bibicleta, disse que viu os carros e as charretes com cavalos se aproximando e pediu a ela para ter cuidado. Dali em diante, tudo foi muito rápido.
“Passaram os dois carros, depois uma charrete com o cavalo, que era bem grande até, e aí a segunda, que foi quando eu ouvi o barulho. A Thalita caiu no chão e fizemos o socorro. Eu acredito que era uma corrida porque eles estavam em uma velocidade muito alta, até mesmo os cavalos. Os moradores disseram que é comum ter esse tipo de corrida ali, mas que é proibido”, contou.
Segundo ela, no momento em que tentou registrar o boletim de ocorrência, a polícia não permitiu, afirmando que já havia um em andamento, feito pelo homem que atingiu Thalita. Gabriela, então, decidiu abrir o boletim de ocorrência de forma online, conforme direcionamento de uma advogada.
Segundo Yuri Souza, Thalita estava em estado gravíssimo e havia perdido o olho direito.
“Ela desviou em direção ao mar e aí apareceu a charrete em alta velocidade, apostando racha [corrida] com outra charrete. Elas só viram o carro porque tudo aconteceu muito rápido. Minha irmã foi passar o fim de semana com o marido e amigos e acontece isso. Uma praia com um monte de gente, crianças, cachorros, e o pessoal apostando corrida de charrete, que resultou nesse acidente”, lamentou.
Questionada, a defesa de Rudney Gomes Rodrigues, 31, condutor da charrete, reiterou que ele estava passeando a cavalo em sua charrete pelas ruas do bairro, acompanhado pela família, e, por causa da inexistência de uma orla apropriada para o tráfego, optou por fazê-lo pela faixa de areia até a próxima saída.
“Ressaltamos que, em nenhum momento, o autor participava de qualquer tipo de disputa ou ‘racha’, tratando-se apenas de um passeio familiar. Infelizmente, durante esse trajeto, ocorreu a colisão com uma ciclista. (…) Além disso, por iniciativa própria e de forma espontânea, o autor dirigiu-se à delegacia mais próxima para registrar o boletim de ocorrência, demonstrando plena disposição em colaborar com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos”, disse o advogado Francisco Silveira Filho.
Conforme a nota, Rodrigues e sua esposa prestaram assistência a Thalita. Ele lamentou o ocorrido.
De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), conforme boletim de ocorrência, a batida teria sido de frente, quando a ciclista cruzou na frente da charrete. O condutor disse não ter visto a mulher devido à presença de outra ciclista à esquerda.
Por não ter onde deixar a charrete com o animal, relatou ele, o autor deixou o local temporariamente para prendê-lo enquanto sua esposa, que vinha em um veículo logo atrás, parou e prestou socorro.
Após o acidente, a vítima foi encaminhada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Itanhaém pelo advogado do condutor da charrete, ainda segundo o registro policial.
JOSUÉ SEIXAS / Folhapress