RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Mototáxi ganha ruas mesmo onde prefeituras tentam proibir serviço

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A regulamentação do serviço de mototáxi, motivo de uma batalha entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa 99 Tecnologia Ltda., divide as dez cidades mais populosas do país. Cinco delas criaram regras para o serviço, duas tentaram proibi-lo, e outras três deixaram a atividade sem regulamentação.

Em todas, porém, independentemente de regulamentação ou tentativas de proibição, o serviço existe.

Cidades como Goiânia, Fortaleza e Rio de Janeiro têm regras bem definidas por leis e decretos municipais. Motoqueiros precisam de autorização da prefeitura, seguro de vida para passageiros e dispositivos de segurança nos veículos.

Nas cidades onde o serviço não foi regulamentado, esses profissionais operam na informalidade. Em Curitiba, que tem lei proibindo mototáxis desde 2016, a reportagem pediu sem dificuldade um 99 Moto para fazer o trajeto entre o Mercado Municipal e o Jardim Botânico da cidade, ao preço de R$ 8,37.

Empresas de aplicativo, cooperativas e autônomos continuam operando, mesmo sob proibição municipal, amparados por um acórdão do STF de 2019, segundo o qual municípios não podem proibir serviços de transporte por aplicativo já regulamentados por legislação federal.

O serviço de mototáxi é previsto em lei federal desde 2009. A legislação sancionada pelo presidente Lula, então em seu segundo mandato, exige que o mototaxista tenha ao menos 21 anos, faça curso especializado e vista colete refletivo. Outra exigência é a certidão negativa de antecedentes criminais.

A lei deixa aos municípios a tarefa de regular demais aspectos. Em função disso, muitas prefeituras definiram trâmites e regras de circulação para o serviço. Em Salvador, por exemplo, um decreto de 2017 exige que os mototaxistas apresentem atestado médico e comprovante de residência e renovem anualmente sua licença para circular.

As motos que circulam na capital baiana devem ter no máximo dez anos e precisam estar equipadas com mata-cachorros (grade metálica instalada em volta do motor, servindo também para impedir que, em uma queda, o corpo do motociclista fique preso entre o asfalto e o veículo), antena corta pipa e alça de apoio para os passageiros –além dos outros requisitos exigidos na lei federal.

Algumas cidades deixaram o assunto no limbo e hoje veem o serviço funcionar na informalidade. Em Brasília, uma lei de 2014 autorizou o funcionamento do mototáxi e determinou que o governador regulasse a atividade em até 90 dias, o que nunca ocorreu. Por isso, motociclistas trabalham na informalidade, sobretudo nas cidades-satélite.

O mesmo ocorre em Recife, que nunca proibiu formalmente a atividade —embora a autarquia municipal de trânsito tenha declarado em 2021 que o mototáxi por aplicativos é “proibido”—, mas também não a regulamentou. Sem maiores transtornos, a reportagem solicitou um Uber Moto do aeroporto Guararapes para a praia de Boa Viagem por R$ 8,50.

A capital mais populosa do Brasil, São Paulo, travou uma longa batalha contra o mototáxi, mas também não se viu livre da atividade. Já em 2016, reportagem da Folha mostrava a atuação do aplicativo pernambucano T81 na cidade, sob protestos da prefeitura.

Em junho de 2018, o prefeito Bruno Covas sancionou lei que proibia o serviço, mas a legislação foi derrubada pelo Tribunal de Justiça no ano seguinte. Em janeiro de 2023, Uber e 99 anunciaram o início do serviço de mototáxi na capital, mas foram recebidas com um decreto do prefeito Ricardo Nunes proibindo a operação.

O decreto segurou as empresas até janeiro deste ano, quando a 99 anunciou a retomada das atividades e foi novamente interpelada na Justiça pela prefeitura. Embora enfrente sentença desfavorável, a empresa diz estar respaldada pela legislação federal e afirma que seguirá oferecendo o 99 Moto.

MARCOS HERMANSON E MARINA COSTA / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS