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Multidão de apoiadores de Trump encara frio extremo para assistir a discurso

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – Sob uma sensação térmica que chegou a -12°C, dezenas de milhares de apoiadores de Donald Trump lutaram na manhã desta segunda-feira (20) por um espaço no ginásio Capital One Arena. Esperavam acompanhar, em pessoa, o discurso do novo presidente, iniciando seu novo mandato.

Foi uma tarefa inglória, porém. A campanha do republicano tinha distribuído 220 mil ingressos para as celebrações ao ar livre. Com a mudança de última hora para o espaço fechado —justificada pelo frio polar em Washington— o evento pôde comportar apenas 20 mil pessoas.

As filas serpenteavam desde a madrugada pelo centro da capital americana, onde simpatizantes de Trump se acotovelavam sem saber se conseguiriam entrar. Agonizavam diante da perspectiva de não conseguir nem sequer ver a cerimônia oficial de posse enquanto esperavam na fila.

Quando se aproximaram as 12h (14h em Brasília), tomaram seus celulares nas mãos congeladas para assistir Trump ser declarado presidente. Aplaudiram e entoaram a sigla do país, em inglês: “USA! USA! USA!”. A fila começou a se agitar e a se apertar ainda mais entre as grades.

Logo ouviram os anúncios da polícia de que os portões estavam fechados. A decepção foi evidente. O nova-iorquino Christian, 50, tinha passado cinco horas na fila com a mulher e os filhos, envoltos em cachecóis, luvas e aquecedores de mão. “Viemos ser corpos na multidão representando o povo americano”, disse. “Queríamos mostrar nosso apoio à causa em que a maioria votou. É um momento histórico.”

Vendedores de souvenirs tentaram aproveitar o frio extremo para fazer negócio. Havia barraquinhas e ambulantes oferecendo bonés, camisetas e penduricalhos. Os mais procurados eram as toucas, que custavam cerca de US$ 5, o equivalente a R$ 30. Eram itens necessários para quem não tinha vindo preparado para um frio que oferecia algum risco para a saúde.

Costuma fazer frio em toda posse, é claro, já que sempre é realizada no inverno do hemisfério Norte. Mas esse é um problema relativamente recente, ao menos nestas dimensões. Até os anos 1930, as investiduras ocorriam em geral no dia 4 de março —ainda frio, mas mais agradável.

O frio não foi apenas um contratempo, do ponto de vista do novo governo. Trump queria encher os gramados diante do Capitólio com seus apoiadores para responder a quem disse que a sua primeira posse, em 2017, estava vazia. Teve que lidar, porém, com imagens de menos impacto.

A mudança de planos afetou também a segurança do evento. Foi um desafio controlar as multidões na região central, onde fica a arena, em meio a prédios residenciais, hotéis, restaurantes e bares. Estações de metrô foram fechadas e o público teve que encontrar caminhos entre barreiras policiais rumo ao Capital One.

Isso incomoda, em especial, porque os simpatizantes do republicano tinham tomado aviões e ônibus e reservado hotéis contando com uma visão de Trump. Houve também os doadores que desembolsaram fortunas por um assento VIP. Seus ingressos perderam todo o valor nesse novo arranjo.

Na fila, a reportagem cruzou com alguns brasileiros que esperavam ver Trump na arena. A brasiliense Daniela, que mora em Washington, estava com a tia, Ana. Desistiram após algumas horas. Já Fernando Rodrigues, 40, que tinha vindo de Rondônia, tentou até o fim. Disse que lhe entusiasmava a possibilidade de o governo Trump fortalecer seus aliados no Brasil. “É um movimento universal de direita.”

Com o anúncio de que já não havia mais vagas no ginásio, a multidão começou —devagar— a se dispersar. Alguns permaneceram na fila mesmo sabendo que não havia mais a possibilidade de entrar. Outros, esfregando as mãos, corriam para os restaurantes dos entornos para por fim se aquecer.

DIOGO BERCITO / Folhapress

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