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Nacionalista antissistema lidera apuração para presidente na Polônia

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – O nacionalista Karol Nawrocki, um historiador antissistema que começou a campanha fazendo flexões e chegou ao Salão Oval de Donald Trump, liderava a apuração do segundo turno presidencial na Polônia, no início da madruga desta segunda-feira (2). De acordo com levantamento do Instituto Ipsos, que já considera resultados apurados, Nawroki tinha 51% contra 49% do liberal Rafal Trzaskowski, prefeito de Varsóvia.

Pesquisas boca de urna não conseguiram definir o vencedor no fechamento das urnas, neste domingo (1°). Os primeiros números mostravam vantagem numérica de Trzaskowski (50,3% a 49,7%), que quase imediatamente declarou vitória: “Este é um momento especial na história da Polônia. Estou convencido de que isso nos permitirá avançar como um torpedo”. A então margem de erro de 2 pontos percentuais não permitia, no entanto, qualquer conclusão.

Um novo levantamento invertia a tendência às 23h locais (18h de Brasília), com Nawrocki numericamente à frente, mas ainda inferior à nova margem de erro, de 1 ponto percentual. Estatisticamente, a indefinição prosseguia. O candidato declarou estar confiante e festejou ter unido “o campo patriótico, o campo que quer uma Polônia normal, sem imigrantes ilegais”.

Segundo a autoridade eleitoral polonesa, o resultado final só será conhecido nesta segunda-feira (2).

O alto comparecimento, superior a 70% segundo as pesquisas, será um novo recorde em eleições presidenciais se confirmado pelos números oficiais, sublinhando a importância que o pleito tomou: a ratificação do pleito parlamentar de 2023, que trouxe Donald Tusk de volta ao cargo de primeiro-ministro, ou o prenúncio de uma nova ofensiva conservadora em um país chave para a União Europeia.

Sem passado político, Nawrocki foi hospedado no Lei e Justiça, o PiS, a legenda do atual presidente, Andrzej Duda. No sistema político polonês, o presidente tem a capacidade de propor e vetar leis, o que vem impedido Tusk de reverter a agenda conservadora e de contornos autocráticos implementados pelo PiS na última década. Bruxelas chegou a bloquear repasses ao país.

A volta de Tusk destravou os recursos, mas sua coalizão de maioria frágil ainda não foi capaz de desfazer, por exemplo, a reforma do Judiciário, descrita como uma afronta ao Estado de direito pela UE. Não à toa, Nawrocki vendia sua candidatura como um plebiscito da administração Tusk, que foi premiê entre 2007 a 2014, com uma atuação que o alçou à presidência do Conselho Europeu.

Uma eventual vitória do nacionalista poderia forçar Tusk a renunciar, o que provocaria a antecipação das eleições parlamentares, programadas até o momento para 2027. O premiê já afirmou que não fará isso, mas tudo dependerá do comportamento do Parlamento diante do resultados das urnas.

A Polônia, potência em ascensão na Europa, tem papel estratégico no continente e conta com um Exército maior do que os de Alemanha, França e Reino Unido. Ostenta também o maior orçamento de defesa dos países da Otan, a aliança militar ocidental. É a primeira barreira ao expansionismo de Vladimir Putin e seu papel de apoio à vizinha Ucrânia se tornou fundamental desde que a Rússia invadiu o país, em 2022.

A eleição deste ano foi marcada também pela ascensão da extrema direita, que conseguiu no primeiro turno o melhor resultado desde a queda do comunismo. O libertário Slawomir Mentzen alcançou a terceira colocação, com 14,8% dos votos. Com promessas de zerar imposto e impedir a entrada da Ucrânia na Otan, sua votação entre eleitores até 29 anos chegou a 35%. Grzegorz Braun, declaradamente antissemita e homofóbico, conquistou 6,3% dos votos.

Trzaskowski, que liderava com folga as pesquisas de opinião antes do primeiro turno, foi surpreendido com uma margem mínima sobre Nawrocki nas urnas, 31,3% contra 29,5%. Os levantamentos à véspera do segundo turno mostravam empate técnico, com a diferença entre os dois candidatos dentro da margem de erro, o que persistiu até pelo menos a metade da apuração.

A acirrada disputa fez Trump e aliados se envolverem pessoalmente na eleição. Kristi Noem, secretária de Segurança Nacional, chegou a ir à Polônia, na semana passada, em busca de votos para Nawrocki. Até aqui, o presidente americano não havia colhido uma vitória de peso internacional para sua ofensiva populista desde que voltou à Casa Branca, em janeiro.

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE / Folhapress

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