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Notícia falsa fez Bolsa americana se valorizar em mais de US$ 3 tri e depois voltar a cair

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O S&P, índice da Bolsa americana que inclui 500 das maiores empresas de capital aberto dos EUA, se valorizou em US$ 3,6 trilhões durante alguns minutos desta segunda-feira (7), após uma notícia falsa –que repercutiu também em veículos tradicionais– acalmar investidores.

A disparada teve um pico de 8,5%, antes de os ganhos derreterem ao fim do dia. O índice fechou em queda diária de 0,23%.

Às 10h09, a conta Hammer Capital, que então tinha cerca de 600 seguidores, compartilhou no X (ex-Twitter) uma declaração atribuída ao diretor do conselho econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, que depois foi desmentida pela imprensa internacional e o governo americano.

“[O presidente americano Donald] Trump está considerando uma pausa de 90 dias para as tarifas aplicadas a todos os países, exceto à China”, dizia a publicação, escrita em letras maiúsculas.

A mesma frase foi repetida (incluindo a formatação), às 10h13, pelo perfil Walter Bloomberg, que não tem ligação com a agência de notícias homônima e reúne 838 mil seguidores no X. Essa conta, cujo dono tem base na Suíça, reproduz chamadas de diversos veículos especializados em economia.

O dono do perfil disse ao jornal The New York Times que encontrou o conteúdo minutos antes em outra conta no X. “Dado o movimento do mercado -alta de 4,5%- considerei o título confiável e o publiquei às 10h13.”

Em entrevista concedida à Fox News, Hassett, na verdade, disse: “Acho que o presidente vai decidir o que o presidente vai decidir.”

Enquanto tentavam explicar a alta na Bolsa, iniciada por volta das 10h10, âncoras do canal televisivo americano CNBC repetiram a frase falsa atribuída ao conselheiro de Trump.

“Transmitimos informações não confirmadas em uma tarja [no vídeo]”, afirmou a emissora em nota enviada ao Financial Times. “Nossos repórteres rapidamente fizeram uma correção ao vivo”, acrescentou.

Antes de a errata ir ao ar, às 10h23, a agência de notícias Reuters também levou a suposta citação de Hassett ao título de um texto, atribuindo a fonte da informação à CNBC.

A Casa Branca, porém, negou que o conteúdo fosse verídico antes das 11h.

A Reuters disse, em nota enviada ao Financial Times, que retirou a reportagem incorreta do ar e lamentou o erro.

O Financial Times levantou indícios de que a declaração falsa de Hassett começou a circular ainda antes do primeiro post no X, uma vez que a disparada de S&P 500 teve início antes das 10h09.

O jornal britânico atribui a desinformação a uma das muitas fontes de notícia por assinatura, que abastece o mercado financeiro com informações supostamente inéditas. O acesso a esses produtos é caro, o que dificultaria o acompanhamento e checagem de informações lá publicadas.

“Subimos 8% com uma manchete falsa, vendemos quando as pessoas perceberam que era falsa, e depois subimos novamente quando as pessoas pensaram que, se subimos tanto com uma manchete falsa, imagine o quanto subiríamos com uma hipotética manchete verdadeira”, resumiu a situação o perfil do fundo de investimento Quantian.

Redação / Folhapress

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