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Novo técnico do São Paulo, Zubeldía eliminou e disse não ao clube do Morumbi

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Aposentadoria precoce como jogador, eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana em 2020 e 2023 e esnobada no clube do Morumbi no início do ano. O argentino Luis Zubeldía, que deve ser anunciado como o próximo técnico do São Paulo no lugar de Thiago Carpini, chamou a atenção dos dirigentes tricolores pelo bom trabalho realizado à frente da LDU, do Equador.

A contratação, antecipada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ainda não foi oficializada, mas a expectativa é que o anúncio ocorra ainda nesta sexta-feira (19).

O treinador de 43 anos comandou até o fim do ano passado o time equatoriano, tendo eliminado o São Paulo pelas quartas de final da Copa Sul-Americana nos pênaltis, quando o colombiano James Rodriguez perdeu sua cobrança. Na semifinal, a LDU eliminou o Defensa y Justicia-ARG e bateu o Fortaleza na final para se sagrar campeão do torneio continental.

Zubeldía também conquistou com a LDU o Campeonato Equatoriano em dezembro. Pouco após o título nacional, deixou o comando da equipe em comum acordo com a direção equatoriana.

O ex-meia surgiu para o futebol no Lanús-ARG, no final dos anos 2000. Ele chegou a disputar a Copa do Mundo sub-20 pela Argentina em 1999, mas uma grave lesão interrompeu precocemente sua carreira. Quando tinha 23 anos, foi diagnosticado com osteocondrite dissecante no joelho esquerdo, doença que afeta a cartilagem e causa dores e inchaço.

Com a aposentadoria precoce, Zubeldía iniciou a trajetória como treinador no próprio Lanus, em 2008. Aos 27 anos, tornou-se o mais jovem treinador a comandar um clube na elite do futebol argentino. Ficou no comando da equipe até 2011, quando foi demitido após uma derrota para o Velez Sarsfield.

Engatou na sequência trabalhos no Barcelona de Guayaquil-EQU e Racing-ARG, chegando em 2014 para sua primeira passagem pela LDU. Em 2015, conquistou o Campeonato Equatoriano.

Deixou o Equador no ano seguinte rumo ao Santos Laguna-MEX, passando em seguida sem grande brilho por Independiente Medellin-COL, Alavés-ESP e Cerro Porteño-PAR, até voltar em 2019 para sua segunda passagem no banco do Lanús.

Pelo clube argentino, eliminou o São Paulo em pleno Morumbi na terceira fase da Copa Sul-Americana, em 2020. Ficou por lá até 2021, assumindo na sequência a LDU pela segunda vez, chamando a atenção pelas vitórias contra times brasileiros e os dois títulos em um ano. Na segunda passagem pelo atual campeão equatoriano, teve um aproveitamento de quase 70%, com 29 vitórias, 15 empates e cinco derrotas.

O São Paulo já havia procurado por Zubeldía no início do ano, quando buscava um técnico para o lugar de Dorival Júnior. A direção tricolor chegou a fazer contato com o argentino, mas não seguiu com as conversas. Coordenador do futebol do São Paulo, Muricy Ramalho criticou na época a postura do treinador, que, segundo o dirigente, teria dificultado uma aproximação entre as partes.

“Esse não entrevistamos, ele marcou, depois não queria conversar, foi muito rápido. Muita pose, pode ser daqui dois dias, daqui três dias, e a gente louco no mercado para trazer um treinador. Você vai desculpar, aqui é São Paulo, meu filho. Não é ‘vou conversar com você amanhã’. Mas pelo menos conversar, não é aceitar ou não, a gente queria saber como o cara é. ‘Hoje não vai dar, amanhã não vai dar’. E a gente louco no mercado. Ele todo dia isso”, afirmou Muricy na ocasião em entrevista à CNN.

O São Paulo acabou fechando com Thiago Carpini, que chegou a vencer a Supercopa do Brasil contra o Palmeiras, além de encerrar um tabu que incomodava a torcida ao comandar o clube do Morumbi na primeira vitória contra o Corinthians na Neo Química Arena. A eliminação para o Novorizontino no Campeonato Paulista e o início ruim no Brasileiro, contudo, pesaram para a decisão da direção de encerrar o contrato com Carpini.

Dessa vez, aparentemente a resistência demonstrada pelo argentino não se repetiu. O fato de estar sem clube pode ter contribuído para a nova postura do técnico.

À frente do São Paulo, Zubeldía terá a missão de recuperar o time após duas derrotas nas primeiras rodadas do Brasileiro –no pior início do time no torneio nacional em 34 anos–, além de buscar a classificação para a fase de mata-mata da Copa Libertadores.

Caso a contratação seja confirmada, os três grandes do Estados voltarão a ter técnicos estrangeiros simultaneamente após 80 anos –com os portugueses Abel Ferreira no Palmeira e António Oliveira no Corinthians.

A última vez havia sido em 1944, quando o São Paulo era comandado pelo português Jorge Gomes de Lima, conhecido como Joreca. O luso comandou o clube do Morumbi por quatro anos e foi tricampeão paulista (1943, 1945 e 1946), chegando a comandar a seleção brasileira em duas partidas contra o Uruguai, dividindo o posto com Flávio Costa.

No mesmo período, o uruguaio Ventura Cambon era o técnico do Palmeiras. Cambon comandou o clube em quatro passagens entre os anos 1930 e 1950, acumulando 305 jogos à frente do alviverde –é o quarto treinador com mais jogos pelo clube, com o qual venceu o Campeonato Paulista em 1944 e 1950 e o Mundial Interclubes em 1951.

Já o Corinthians era dirigido pelo argentino Joseph Tiger. O treinador comandou a equipe em apenas 22 partidas durante o ano de 1944 e não conquistou nenhum título pelo alvinegro.

Três estrangeiros à frente dos três grandes de São Paulo já havia acontecido antes em 1933, quando o húngaro Eugênio Medgyessy comandava o então São Paulo da Floresta, e os uruguaios Humberto Cabelli e Pedro Mazulo estiveram à frente de Palestra Italia e Corinthians.

LUCAS BOMBANA / Folhapress

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