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Novos hotéis em Belém apostam em sobrevida após COP30

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) – De olho no efeito COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que acontece em novembro, em Belém, vários grupos empresariais estão construindo hotéis na cidade e na região metropolitana.

O número de quartos disponíveis, bem como os altos preços para reservas no período da conferência, estão entre os principais desafios para a realização do evento, que deve receber de 40 mil a 50 mil pessoas.

“Atualmente há oito hotéis em construção, sete na capital e um em Castanhal [na região metropolitana]. Vamos passar de cerca de 18 mil leitos para 21 mil”, afirma Tony Santiago, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-PA).

Santiago afirma que, desde o ano passado, por conta da realização da conferência, a taxa média de ocupação dos hotéis de Belém passou de 45% a 50% para 70%. “As taxas de ocupação eram muito baixas, porque nós não temos turismo de lazer. Nós só temos turismo de eventos. Foi por isso que o governo do estado fez o Hangar [centro de convenções inaugurado em 2007]. Com esse equipamento, a situação melhorou”, avalia.

Ele estima que, após a COP, a taxa média deva superar os 70%. “Com a COP, eu acho que Belém vai entrar no mapa da amazônia. Todo mundo vai saber que Belém existe. Para as pessoas, amazônia sempre foi Manaus. E o Pará detém mais de 52% dos atrativos turísticos da região. Belém tinha uma carência de hotéis”, diz o empresário, que também é proprietário da Pousada dos Guarás, na Ilha do Marajó.

Santiago lembra ainda que, além dos novos empreendimentos, muitos hotéis da cidade estão sendo reformados para a COP.

Entre os empreendimentos em construção, há dois hotéis de luxo, o Vila Galé Collection Amazônia, do grupo português, e o Tivoli Maiorana, do grupo tailandês Minor Hotel. O primeiro ficará às margens da baía do Guajará, que banha a cidade, instalado em armazéns restaurados do antigo porto de Belém, inaugurado em 1909.

“O ministro Rui Costa [Casa Civil] pediu-nos, face à necessidade da COP, para acelerarmos o projeto. E nós estamos fazendo essa obra a um ritmo acelerado”, disse, em entrevista à Folha, o presidente do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida.

“O hotel será inaugurado oficialmente no dia 31 de outubro, mas vamos antecipar a abertura para o dia 9, para receber os turistas que vão ao Círio de Nazaré [que acontece no segundo domingo de outubro]”. O investimento total é de R$ 180 milhões.

Segundo o engenheiro Fabio Oliveira, responsável pela construção, as obras estão quase 70% concluídas.

O hotel, que conta com 227 quartos em três blocos de cerca de 2 mil metros quadrados cada.A diária, durante os dias do evento da ONU, ficou entre R$ 2.500 e R$ 3.000 -este é o valor da suíte master. “Temos uma política de subir o preço quando há um evento, mas não para valores disparatados, como já ouvimos falar”, afirma Almeida.

A decoração do Vila Galé Collection Amazônia homenageia as mulheres. Nos quartos já prontos visitados pela reportagem, há pinturas, na parede, de personalidades como a escritora Clarice Lispector, a cantora Elis Regina e a atriz Fernanda Torres.

Almeida destaca o paisagismo do empreendimento. “Nós temos o projeto de fazer uma mata amazônica envolvendo o hotel. Vamos olhar para a mata amazônica e tentar replicá-la, com os açaizeiros, os buritis, tudo que é tradicional na amazônia.”

Já Marco Amaral, vice-presidente de operações e desenvolvimento da Minor Hotel no Brasil, diz que a realização da COP30 foi um fator adicional, que acelerou a decisão de construir um hotel da rede Tivoli em Belém.

Segundo ele, o hotel tem investimento do Grupo Roma, de Belém, do empresário Romulo Maiorana Jr., que batizou a unidade de Tivoli Maiorana.

O empreendimento está sendo construído no antigo prédio da Receita Federal, que sofreu um incêndio de grandes proporções em 2012 e, desde então, estava ocioso. O edifício fica no bairro da Campina, área central da cidade, a poucos metros da Estação das Docas -área de lazer e gastronomia às margens da baía do Guajará- e próximo ao icônico Mercado do Ver-o-Peso.

A inauguração está prevista para o segundo semestre, antes do Círio de Nazaré. “O evento religioso será uma excelente oportunidade para testar todos os serviços e ajustar os detalhes antes do fluxo intenso esperado durante a COP”, diz Amaral.

Ele conta que o hotel já está realizando reservas para o período da conferência. “Há grande interesse por parte de delegações internacionais, representantes governamentais, ONGs e empresas privadas.”

As diárias, para os dias da conferência, “estão a partir de R$10 mil, alinhadas com os preços praticados e esperados para eventos dessa magnitude”. “Fora desse período, as tarifas serão a partir de R$4.000”, completa.

Amaral diz acreditar que haverá público para o hotel depois da COP. “A visibilidade gerada pelo evento vai atrair novos fluxos turísticos e fortalecer o posicionamento de Belém como destino internacional. Estamos muito confiantes de que haverá uma demanda consistente e crescente para o hotel, tanto para lazer quanto para negócios.”

Belém também ganhará um hotel na área do aeroporto da cidade, no bairro de Val de Cans. Trata-se do Transamerica Executive, implantado pelo empresário paraense Felipe Santos, em um prédio que estava sem uso.

Segundo Santos, a NOA (Norte da Amazônia Airports), responsável pela operação e infraestrutura do aeroporto, vai construir uma passarela ligando o local ao hotel. “São cinco minutos caminhando do desembarque até o Transamerica Executive”.

O empreendimento, com investimento de R$ 30 milhões, será inaugurado em duas etapas. A primeira, em 1º de setembro deste ano, com 79 quartos. “Quero pegar o Círio, a pré-COP e a COP. A segunda fase será inaugurada até 2027.”

Em uma cidade com índice baixíssimo de saneamento básico, o hotel contará com uma ETE (estação de tratamento de esgoto) e uma ETA (estação de tratamento de água). “A gente vai ter um custo grande com isso, mas é uma exigência hoje dos órgãos ambientais. O cliente vai ter água potável na torneira.”

Em Castanhal, a 75 km de Belém, está sendo construído um hotel da bandeira Ibis, no centro da cidade, com 150 apartamentos. Já a rede Bristol vai inaugurar, no bairro da Marambaia, um hotel com 140 quartos, restaurante e salão de convenções para 700 pessoas.

AUGUSTO PINHEIRO / Folhapress

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