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Nunes rebate Enel em audiência na Câmara e diz não conseguir inaugurar obras por falta de energia

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10) para discutir a atuação da Enel em São Paulo e sua intenção em prorrogar o contrato de concessão foi marcada por mais uma série de duras críticas do prefeito Ricardo Nunes (MDB) à empresa.

O emedebista chamou de mentira a apresentação feita por Guilherme Lencastre, presidente da empresa em São Paulo, e disse que seria um absurdo antecipar a renovação da concessão e disse que tem dificuldades em inaugurações de obras devido à ineficiência da distribuidora de energia.

A audiência aconteceu na Comissão de Minas e Energia e foi requerida pelo deputado federal Newton Cardoso Junior (MDB-MG), colega de partido de Nunes, que ainda contou com o reforço de diversos aliados na ofensiva à Enel no evento, como Baleia Rossi (SP), presidente do MDB, João Cury (MDB), deputado federal e ex-secretário municipal da capital, e Paulinho da Força, presidente do Solidariedade.

Em fevereiro deste ano, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou um termo aditivo que permite a renovação de contratos de concessão de distribuição de energia elétrica por mais 30 anos para empresas com contratos a vencer entre 2025 e 2031. A Enel em São Paulo já protocolou pedido para antecipar a prorrogação de seu contrato, previsto para terminar em 2028.

A possível renovação gerou revolta em Nunes, que tem cobrado publicamente a empresa desde os apagões de 2023 e 2024 na cidade.

Lencastre destacou na audiência que está no cargo desde julho de 2024 e que nesse período a empresa tem mostrado índices melhores. Ele mencionou que mais de 1.200 novos colaboradores foram contratados, mais de 225 novos veículos foram incorporados à frota e disse que há um processo de digitalização da rede e instalação de medidores inteligentes.

Segundo ele, houve 50% de redução do tempo médio de atendimento, mesmo que o número de eventos tenha sido maior em janeiro deste ano. Lencastre disse que reconhece que os números de 2023 e 2024 não foram bons, mas, segundo ele, isso aconteceu por causa de eventos climáticos inéditos. Seria como cobrar preparação prévia a uma tragédia como as enchentes do Rio Grande do Sul, defendeu Lencastre.

Ele ainda disse que a empresa investirá R$ 10,4 bilhões em São Paulo no ciclo 2025-2027, pediu um voto de confiança a Nunes e afirmou que a Enel tem plenas condições de renovar a concessão.

Em sua fala, o prefeito emedebista disse que não haveria audiência pública se o cenário retratado por Lencastre fosse verdadeiro. À Folha de S.Paulo ele afirmou que não é mais possível ter uma relação de confiança com a Enel.

“Eles estão na cidade há 27 anos e vão dizer agora que vão melhorar, que vão investir? Prometeram em 2023 e 2024 e não fizeram. Fazem promessas e não cumprem. A empresa já mostrou que não é confiável”, completou.

Na audiência, Nunes relembrou os apagões de 2023 e 2024, contou histórias de pequenos produtores e empresários que tiveram prejuízos com os episódios e disse que a Enel demora a fazer ligações de energia elétrica em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e UBSs (Unidades Básicas de Saúde) prontas para inauguração, atrasando seu cronograma de entregas de obras.

Ele também afirmou que tem mais de 200 ônibus elétricos já adquiridos e parados nas garagens devido a limitações na rede de média tensão por ineficiência da Enel.

O prefeito afirmou que o serviço é de “péssima qualidade”, que a cidade “não aguenta mais” e que considera uma “irresponsabilidade do governo federal” abrir a possibilidade de renovação.

GUILHERME SETO / Folhapress

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