SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Rafael Birman, 30, exibe a tatuagem feita há poucos dias no antebraço: “survivor” (sobrevivente). É uma referência ao ataque do Hamas em 7 de outubro no sul de Israel, do qual o brasileiro-israelense é um dos sobreviventes.
Há cinco anos no país do Oriente Médio, Birman está agora no Brasil depois de um período em Portugal e participou na noite desta quinta (9) de um evento no Memorial do Holocausto, no Bom Retiro, em São Paulo, sobre os 85 anos da Noite dos Cristais.
“Cheguei muito próximo da morte, vivi o terrorismo quando estava apenas celebrando a vida com meus amigos, e, de repente, estava sendo alvo do ódio sem ter feito mal a ninguém”, diz Birman, que estava na festa de música eletrônica atacada pelo grupo terrorista.
Sobre as semanas pós-ataque, Birman diz estar assustado com o que descreve como manifestações de apoio ao Hamas.
“O terrorista eu entendo, porque ele não sabe nada, cresceu com essa verdade, a única coisa que conhece é o ódio”, diz ele. “Mas as pessoas com acesso à informação, com valores, que os apoiam, que optam pelo mal, essas não entendo. É assustador. É como se fizessem apologia a Hitler, ao nazismo.”
MAYARA PAIXÃO / Folhapress