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Onda de calor no Festival de Veneza faz do calendário da moda sua vítima fatal

VENEZA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) – E não é que elas são mesmo gente como a gente? Nicole Kidman entrou na Sala Grande, o principal cinema do Festival de Veneza, para a sessão de gala de seu thriller erótico “Babygirl”, reclamando da temperatura.

“Ai meu Deus, está muito quente, estou morrendo de calor”, disse a atriz australiana, enquanto abanava o rosto e o pescoço com as mãos, já que o ar-condicionado não deu conta do recado.

Aliás, esta tem sido uma reclamação constante no Lido, disputando o primeiro lugar da lista de protestos com a velocidade do wi-fi. Não que as celebridades de Hollywood tenham prazos, pelo menos não tão apertados quanto os dos jornalistas. Então, com eles, o calor constante de quase 40ºC venceu de longe essa corrida.

Se no ano passado a maioria das conversas em Veneza tinham as greves dos roteiristas de Hollywood como mote, neste ano o suor foi a palavra-chave. Baldes de suor. Cheiro de suor. Sensação de suor dos outros. E não aquele suor bem-vindo, que, aliás, povoou várias cenas “calientes” dos filmes de Nicole Kidman e de Daniel Craig, protagonista de “Queer”, dirigido por Luca Guadagnino.

Uma onda de calor sem precedentes e prolongada em toda a Itália na última semana —provocada por um anticiclone africano persistente, o que quer que seja isso— fez os termômetros chegarem perto de 40ºC todos os dias e noites.

O festival, um ambiente sempre agradável, alegre, fresco, este ano foi abafado, encharcado. Um minuto após sair do banho, o corpo já estava todo molhado de novo, a roupa sempre grudando. Não tinha sombra que aliviasse.

Mas, embora essa experiência possa parecer desagradável para a pessoa comum, que anda a pé carregando bolsas pesadas, ou nos vaporettos que ligam o Lido a Veneza, e pareciam piada de tão lotados, vamos voltar a pensar nas pobres celebridades por um instante.

Além de terem que se espremer em modelos de alta-costura para as estreias e inescapáveis festas no tapete vermelho, há lentes de todos os tipos apontadas para elas a cada segundo, prontas para captar cada gota de suor, cada “pizza” embaixo dos braços nas camisas masculinas. E tudo em alta definição.

Na estreia do filme policial da Apple TV “Lobos” na noite de domingo, George Clooney foi visto enxugando o suor da testa e abanando sua jaqueta de smoking para se refrescar. Ines de Ramon, a namorada de Brad Pitt, andava para cima e para baixo com um miniventilador na tentativa de salvar o boy de um vexame molhado.

E mesmo longe do festival e do calor extra que as luzes profissionais provocam, as coisas não melhoram muito. Veneza está cheia de paparazzi desde o aeroporto, então as pobres estrelas já desembarcam ao vivo e em cores nas telas de milhões de celulares.

O que significa que precisam encontrar urgente um lugar para se trocar e retocar a make, já que as marcas que lhes fornecem roupas, óculos de sol, joias e outros acessórios para cada ocasião —incluindo o look de chegada, o de boas-vindas e o do tapete vermelho—, não querem saber de desculpas. Pagaram por gente linda, exigem gente linda.

Porém, há algo de podre —podre é exagero, vamos de complexo— no reino da alta-costura e o calendário do Festival de Veneza. Como o último acontece sempre no final do verão, as marcas de roupas já estão com suas coleções de inverno saindo do forno. E são esses os modelos que interessa mostrar. Não tem nenhuma grife oferecendo opções chiquérrimas de linho ou vestidinhos soltos de algodão para esse pessoal.

E as roupas são só uma parte do problema. A umidade elevadíssima do ar de Veneza também não faz nenhum favor para cabeleireiros e maquiadores. E não foi neste ano que o cabelo frisado e os rostos brilhando entraram no calendário, ou seja, drama.

Angelina Jolie, como costuma acontecer, foi quem levou o choque entre os vestidos de gala coleção outono-inverno e os 40ºC de Veneza, com sensação térmica de carnaval na Bahia, às últimas consequências, quando apareceu para a estreia de “Maria” usando um xale de pele sintética.

O público que esperava a atriz desde de manhã do lado de fora da Sala Grande, embaixo de guarda-chuvas e tomando litros e litros de água, quase engasgou ao ver a atriz com aquela roupa, que dava a sensação de baixar a pressão só de olhar. E ela, lá, aparentemente imune à temperatura, à umidade, caminhando e sorrindo como se a indicação ao Oscar de melhor atriz dependesse disso.

Vai ver que, no final das contas, ela é mesmo uma ótima atriz.

TETÉ RIBEIRO / Folhapress

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