


Onze montadoras anunciaram nesta sexta-feira (21) o maior recall da história da China em meio ao aumento da fiscalização dos órgãos reguladores sobre os sistemas de abertura emergencial das portas de veículos elétricos.
São mais de 4,27 milhões de veículos envolvidos no procedimento, que incluem marcas como Tesla, Xiaomi, Chery e Xpeng, segundo a agência de notícias Bloomberg.
O recall foi anunciado pela Administração Estatal de Regulamentação do Mercado, órgão regulador do setor na China.
A maioria das medidas, classificadas como recalls de produtos pelas normas chinesas, busca solucionar preocupações de que as maçanetas mecânicas de emergência possam ser difíceis de localizar ou acionar em situações de emergência.
Nove das 11 montadoras, incluindo Tesla e Xiaomi, instalarão gratuitamente etiquetas de advertência para identificar as maçanetas, enquanto a maioria também disponibilizará atualizações remotas de software (OTA).
A Tesla fará o recall de 2,98 milhões de veículos Model 3, Model Y, Model S e Model X, importados e fabricados na China, a partir de 25 de setembro, informou a empresa. A Xiaomi convocou 390,4 mil, seguido por Leapmotor (371,2 mil), Xpeng (264,8 mil), Zeekr (92,6 mil), Chery (68,5 mil), Dongfeng (53,4 mil), BAIC (46,8 mil) e FAW (11,9 mil).
A ampla campanha ocorre no momento em que Pequim reforça a supervisão do setor de veículos elétricos e adota requisitos de segurança mais rigorosos, enquanto as montadoras lançam novas tecnologias em meio a uma acirrada guerra de preços no maior mercado automobilístico do mundo.
A Tesla afirmou que as maçanetas mecânicas para abertura emergencial das portas podem ser difíceis de identificar após uma colisão grave e uma falha no sistema elétrico, o que pode dificultar a saída dos ocupantes ou o acesso das equipes de resgate, segundo o comunicado.
A solução da montadora norte-americana inclui etiquetas de advertência e uma atualização remota que abaixa automaticamente os vidros do veículo após uma colisão. Ainda nesta sexta, a empresa também divulgou um recall de 2,7 milhões para reforçar o sistema de monitoramento de carros que usam o piloto automático.
Geely e Xpeng se recusaram a comentar. A Xiaomi afirmou não ter informações adicionais além do aviso regulatório.
A Leapmotor disse estar comprometida com a segurança. A empresa declarou que a atualização envolvia um rótulo de advertência e a atualização do software de controle dos vidros elétricos, mas que estava “gerenciando e registrando o processo de acordo com o procedimento de recall por uma questão de responsabilidade para com nossos usuários”.
Segundo a agência reguladora, esse é o maior recall da Tesla na China, a exemplo do que também ocorre com Xiaomi, Leapmotor, Xpen, Zeekr e Lynk & Co.
A China deverá proibir maçanetas embutidas ou “ocultas” a partir de 2027, tornando-se o primeiro país a eliminar gradualmente um design popularizado pela Tesla e amplamente adotado por fabricantes chineses de veículos elétricos.
O design, que permite abrir as portas com um chaveiro eletrônico, um smartphone ou um mecanismo acionado por pressão, passou a ser alvo de fiscalização regulatória na China e nos Estados Unidos devido a preocupações de que as maçanetas possam ser de difícil acesso em situações de emergência.
De acordo com levantamento da Bloomberg, ao menos 15 pessoas morreram em virtude de acidentes nos quais os ocupantes de um carro da Tesla não conseguiram abrir as portas após um acidente ou um incêndio no veículo.
FERNANDO NARAZAKI / Folhapress


