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Pais denunciam condições precárias em escola tradicional de São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pais e responsáveis de alunos da Escola Estadual Caetano de Campos (Unidade Aclimação), na região central de São Paulo, denunciam condições precárias das instalações da instituição. As queixas vão desde banheiros sujos e sem manutenção até a falta de segurança da unidade. Um vídeo gravado por alunos mostra uma lesma dentro de um dos bebedouros.

“Todos os meus filhos estudaram aqui, mas de uns anos para cá tem decaído muito. Essa escola foi modelo e hoje está abandonada. É difícil saber que as minhas netas estão tomando a água de um lugar assim tão sujo”, afirma Jandira dos Santos, 65, membro do conselho de pais da escola, mãe de ex-alunos e avô de estudantes.

Os banheiros e a insuficiência de funcionários são um dos principais alvos de críticas. “Banheiro não existe. Ou a privada está arrancada, ou está tudo sujo, ou não tem papel”, diz Joseli Cândida Dias, 46, mãe de um aluno do quinto ano. “Meu filho carrega papel higiênico na mochila porque nunca tem no banheiro. Não tem funcionário suficiente e tudo fica entregue às baratas”, diz Vitória Abreu, 32, mãe de um aluno do sétimo ano.

Além dos problemas de limpeza e conservação, há queixas sobre a falta de segurança. Segundo relatos, um dos episódios mais graves teria ocorrido no início do ano letivo, quando funcionários encontraram sangue na secretaria após uma suposta invasão. O caso motivou a criação de uma petição online anônima pedindo o afastamento da então diretora da escola. Os pais também relatam o furto de computadores e televisões da unidade.

A reportagem procurou diretamente a direção da escola Caetano de Campos, que preferiu não se manifestar e orientou que o contato fosse feito por meio da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Em nota, a pasta da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) informou ter repassado R$ 183,4 mil, via PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), para manutenção e modernização da unidade. Há previsão de mais R$ 600 mil para a revisão da cobertura e do sistema de águas pluviais. A secretaria disse ainda que a limpeza é feita por empresa contratada, o estoque de insumos está regularizado e que há vigilância em todos os turnos, além do apoio da Ronda Escolar.

Sobre a direção, a secretaria afirmou que a diretora foi afastada em abril deste ano, mas negou que a medida tenha relação com a petição, alegando que a Diretoria de Ensino não tinha conhecimento do documento. A vice-diretora está à frente da unidade interinamente.

Já a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou, por meio da Polícia Civil, que não há registros formais de ocorrência relacionados a invasões e furtos na escola.

Fundada em 1846 como Escola Normal de São Paulo, sua missão original era formar professores para o ensino primário, sendo uma das primeiras instituições do gênero no Brasil. Em 1890, passou a funcionar no tradicional prédio da praça da República, projetado por Ramos de Azevedo. O edifício tornou-se símbolo da educação paulista.

Em 1933, a escola foi rebatizada como Instituto de Educação Caetano de Campos, em homenagem ao educador e médico Caetano de Campos. Com as reformas educacionais da década de 1970 e a transferência da formação de professores para o ensino superior, o modelo das antigas escolas normais foi descontinuado. Em 1978, o prédio foi oficialmente cedido à Secretaria da Educação paulista, o que levou à divisão da escola em duas novas unidades: Consolação e Aclimação.

A unidade da Aclimação, localizada na rua Pires da Mota, no centro expandido de São Paulo, atende cerca de 1.500 alunos do ensino fundamental e médio. O prédio anteriormente abrigava a Escola de Veterinária da USP.

PÂMELA ZACARIAS / Folhapress

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