SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Para terminar a semana, Donald Trump quer se libertar no dia 2 de abril. Do que, exatamente, não ficou muito claro, e outras notícias do mercado para começar esta sexta-feira (28).
‘DIA DA LIBERTAÇÃO’
O presidente americano, Donald Trump, faz um alarde sobre o dia 2 de abril o tal do Dia da Libertação. De quem? É a primeira pergunta a se fazer. Dos Estados Unidos perante ao mundo é a resposta do governante. Para ele, todo mundo se aproveita da economia americana para prosperar.
Neste dia, Trump deve anunciar tarifas recíprocas para países que considera que exageram na hora de taxar as importações americanas. Algumas vezes, ele já citou o Brasil como um dos alvos preferenciais dessa taxa. O que está em jogo para nós?
Tudo ou nada. Em um primeiro momento, parecia que o republicano determinaria a sobretaxa de alguns produtos específicos, que, em sua avaliação, eram caros demais de serem importados dos EUA por outros países.
↳ O etanol do Brasil foi citado algumas vezes pelos americanos como um exemplo de tratamento comercial injusto: enquanto os EUA impõem uma tarifa de 2,5% na importação, nós cobramos 18% deles.
Agora, o buraco pode estar mais embaixo. Há o temor de que Trump possa impor uma tarifa alta para todas as importações vindas daqui.
Por quê? Primeiro, ele quer forçar os países a mudarem suas estratégias de comércio para favorecer a compra pelos EUA. Obrigar, na marra, que as taxas de importação de produtos americanos sejam reduzidas e, por consequência, tornar os produtos vindos de lá mais atrativos.
Ainda, ele quer estimular a indústria americana (o campo, nem tanto), praticamente forçando quem vive ou tem negócios nos EUA a se abastecer de mercadorias produzidas domesticamente porque tudo o que vier de fora estará caro demais.
🇧🇷 E nós com isso? Há pouca (para não dizer nenhuma) transparência sobre o que os vizinhos de cima pretendem fazer. Se todos os nossos produtos forem sobretaxados quando exportados para os EUA o Pacote Roubada é bem grande. O suficiente para deixar os cabelos do governo brasileiro em pé.
↳ Em 2024 as exportações industriais brasileiras para os EUA atingiram US$ 31,6 bilhões. Ele é o principal destino dos nossos produtos industriais.
O Brasil tem um bom argumento de defesa, no entanto. O país tem um déficit histórico bilionário nas relações comerciais com os EUA ou seja, eles estão lucrando (muito) nessa relação comercial. Para que mexer em time que está ganhando?
**PERTO DA TELINHA, LONGE DO CORAÇÃO**
Dizem que esta newsletter anda americanizada pois é, leitor. Em 2025, é difícil não ser monotemático Donald Trump dá um infinito pano para manga. Vamos continuar falando do presidente, mas em outro aspecto.
A Fox News, o canal televisivo favorito do líder, viu suas finanças respirarem aliviadas depois de ter pouco espaço para respirar por algum tempo. As frequentes aparições do governante atraíram audiência, que, por sua vez, atraiu 125 novos anunciantes.
O motivo do adeus…foi, justamente, as falas polêmicas de convidados pelo canal e de seus apresentadores. Ninguém quer associar sua marca a um veículo que está constantemente no meio de bafafás.
Em 2018, Tucker Carlson, ex-apresentador da rede, disse que imigrantes tornaram os EUA mais pobres e sujos. Este é um exemplo de confusão gerada pelo canal.
Na época, programas de opinião da Fox News afastaram as empresas. Ninguém queria ser boicotado. A reviravolta veio recentemente, na esteira de empresas que vêm desistindo, uma após a outra, de agendas de diversidade que assumiram há alguns anos.
Caem as máscaras? Parte do trabalho de uma companhia é estar sempre na crista da onda. Ora abraçam uma agenda, ora abraçam outra. E o mesmo vento que as levou embora, as trouxe de volta.
Amazon, GE Vernova, JPMorgan Chase, Netflix, UBS, entre outras, disputam um espacinho na programação da Fox News.
O CEO da rede, Lachlan Murdoch, atribui o fenômeno ao acesso que a televisão ainda tem ao americano médio. O grupo que elegeu Trump é fiel ao canal e a seus figurões. Para ele, as marcas são atraídas para um dos únicos meios de atingir uma concentração relevante de pessoas de uma só vez.
Enquanto as audiências de televisão em outros lugares encolheram, a Fox News absorveu outras redes, capturando 70% de toda a audiência de notícias a cabo.
🎤 A emissora também traz nomes fortes do conservadorismo para seus programas, o que ajuda a reter a audiência deste público. Volodimir Zelenski, presidente da Ucrânia, e Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, são dois exemplos de peso.
[+] A família Murdoch, dona e gestora da Fox, é especulada como a inspiração da série Succession, da HBO. Assim como os personagens da série, os parentes vivem brigando. Você pode saber mais sobre nesta reportagem.
**QUEM É VIVO, SEMPRE APARECE**
Esse nome todo mundo sabe: seja por gostar, ou por não ser muito fã. Guido Mantega já foi ministro da Fazenda, ministro do Planejamento, presidente do BNDES e agora pode participar do conselho fiscal da Eletrobras.
Além dele, a lista de indicados traz Maurício Tolmasquim, diretor de transição energética da Petrobras, e dos ex-ministros Silas Rondeau e Nelson Hubner, respectivamente presidente e integrante do conselho da ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional).
↳ Como suplente do economista, indica o secretário de Apostas, Regis Dudena.
🔁 Segunda tentativa. No ano passado, Lula já tinha indicado o seu braço forte na economia para ser CEO da Vale. Ele convocou aliados para articular com os acionistas, mas não emplacou.
A reputação antecede. Na visão do atual presidente da República, Mantega é injustiçado por ser apontado como responsável pela crise econômica que rolou no governo Dilma Rousseff ele comandou a Fazenda de 2006 a 2015.
Por isso, colocar Mantega em alguma posição de destaque na economia é um assunto que encontra resistência no mercado.
⏰ Timing perfeito. Os nomes foram encaminhados um dia depois de a União e a Eletrobras assinarem o acordo que busca colocar fim à discussão sobre a participação do poder público federal na empresa privatizada.
↳ Por esse tratado, a União ganha mais dois assentos no conselho de administração, totalizando 3 de 10 cadeiras, e uma das cinco cadeiras do conselho fiscal.
🎊 Surpresa! Foi a reação de quem acompanhou as negociações frente às indicações de Rondeau, Hubner e Tolmasquim, que se posicionaram contra o acordo. Os dois últimos, inclusive, tentaram impedir a privatização da Eletrobras.
Ainda tem chão. O acordo estabelecido entre a empresa e o governo precisa ser homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ainda, o nome dos indicados precisa de aprovação na assembleia de acionistas.
LUIZA FRANZÃO / Folhapress