RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Pequenas fábricas de São Paulo viram exportadoras com ajuda de autarquia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Letícia Feddersen sugeriu a ideia a vários clientes quando trabalhava com empresas de comércio exterior. Estrangeiros têm enorme curiosidade em conhecer sabores de frutas da Amazônia. Para eles, é algo exótico. Por que não explorar isso?

Ninguém lhe deu ouvidos.

“Cheguei à conclusão que nós deveríamos fazer alguma coisa”, diz.

Com o marido, Peter, que tinha mais de duas décadas de carreira bancária, mas era interessado em cozinha, ela abriu em 2017 a Soul Brasil Cuisine, com vocação exportadora. De uma fábrica na Barra Funda, zona oeste da capital, saem geleias, molhos de pimenta e molhos para saladas misturando sementes e frutas que podem ser desconhecidos até para parte dos brasileiros.

Como o cumaru, por exemplo, usado como complemento ou substituto da baunilha.

Peter e Letícia Feddersen são donos da Soul Brasil Cuisine, que fabrica geleias, molhos de pimenta e para saladas Rafaela Araújo Folhapress Um homem e uma mulher estão sorrindo em frente a uma mesa cheia de frascos de molhos e condimentos da marca Soul Brasil. O homem está usando uma camiseta branca com a inscrição ‘SOUL BRASIL’ em letras grandes e pretas, enquanto a mulher está vestindo uma camiseta branca e um colete escuro. O fundo da imagem é amarelo. A empresa prepara a primeira remessa para os Estados Unidos, mercado que pretende começar a explorar com a ajuda de dois sócios americanos.

A Soul Brasil é uma das 300 empresas que são ou já foram apoiadas pela SP Negócios. A autarquia da Prefeitura de São Paulo incentiva pequenos empreendedores da cidade a mirar vendas em outros países.

Nos primeiros nove meses de 2024, as exportações de empresas apoiadas pela instituição chegaram a US$ 4,1 bilhões (R$ 23,5 bilhões). O aumento foi de 11% em relação ao mesmo período de 2023 (US$ 3,7 bilhões ou R$ 21,2 bilhões pela cotação atual). Os dados são da plataforma Comex Stat, do governo federal.

“Muitas vezes o pequeno empresário não acredita, tem receio ou acha que o comércio exterior é um bicho de sete cabeças. Não é. Em agosto deste ano, reunimos 37 empresas de pequeno porte para missões empresariais no Paraguai e Chile. Fizemos uma preparação, explicamos questões tributárias, aduaneiras e a cultura do empresário local. Eles foram percebendo que não é tão difícil”, diz João Manuel Scudeler, diretor-presidente da SP Negócios.

As duas missões resultaram em contratos de exportação que podem chegar a US$ 5,37 milhões (R$ 30,8 milhões) nos próximos 12 meses.

“Enviamos nosso chocolate branco com doce de leite para o México porque é um sabor extremamente popular lá”, diz Samyra Maida, gerente de marketing do chocolate Luckau. A marca fabrica os produtos no Jardim Anália Franco, na zona leste de São Paulo.

A exportação inicial foi de R$ 500 mil para uma parceira mexicana que é especializada em cremes. Foram 250 mil barras de 20 gramas cada.

“Esse primeiro momento é para entrar no mercado. Devemos mandar mais um contêiner, mas estamos em negociação porque eles [o parceiro] pediram alguns ajustes. Questão de gramatura e mudança de embalagem”, completa.

Em operação desde 2019, a Luckau surgiu com a ideia de ser uma marca de chocolates saudáveis, sem adições de açúcar. Com o tempo, deixou de importar chocolate belga e passou a ser produtora com receita própria, do recheio ao chocolate.

“Ano passado, passamos por um reposicionamento da marca. Fomos além de ser ser zero açúcar, zero glúten, e zero lactose. A gente tem sabores de chocolate com polpa de maracujá desidratado e branco com doce de leite. Em junho deste ano, lançamos um chocolate sem maltitol”, lembra Samyra, se referindo a um adoçante artificial popular.

As duas empresas afirmam que a SP Negócios explicou todo o processo de exportar, incluindo a legislação, a necessidade de parceiros e as características do mercado que será explorado. Peter Feddersen afirma que, sem a ajuda da autarquia, sequer conseguiria abrir a fábrica na Barra Funda. Pela lei de zoneamento da prefeitura, molho de pimenta só poderia ser produzido em áreas periféricas da cidade.

“Eles nos pegaram pelo braço e nos levaram para falar com as pessoas certas e resolver isso”, explica Peter, falando sobre a autorização que a Soul Brasil recebeu para fabricar o produto.

A companhia fez parcerias com chefes de cozinha e acordos com empresas maiores. Fabrica o molho de pimenta vendido pela Swift, por exemplo.

O casal Feddersen colocou o pé na estrada e foi ao interior do Amazonas em busca de parceiros para comprar açaí sem intermediários. A maioria não deu nenhuma atenção aos dois, até que encontraram um produtor que aceitou fechar negócio.

Com a ajuda de ONGs, começaram a levar para São Paulo sementes como cumaru e frutas como cupuaçu. Conseguiram autorização para usar o nome da tribo Baniwa, que fica em territórios fronteiriços com Colômbia e Venezuela. A Soul Brazil paga royalties ao povo indígena.

O primeiro país a receber os produtos da companhia foi a Alemanha, em um movimento que para eles foi como um teste porque já tinham contato no país. O plano é, depois de se estabelecer nos Estados Unidos, voltar a mirar o mercado europeu.

“Você precisa de gente que entende como é o país, a cultura local e a melhor maneira de vender o produto. Não tem jeito”, constata Peter Freddersen.

A expectativa deles e da SP Negócios é seguir a retomada de expansão iniciada em 2021, no pós-pandemia da Covid-19. Em 2022, as exportações passaram de US$ 4 bilhões para US$ 4,4 bilhões. No ano seguinte, chegaram a US$ 5,1 bilhões.

“O resultado é ainda mais significativo quando se considera que a economia da cidade de São Paulo é fortemente baseada no setor de serviços. E bancos, seguros, tecnologia da informação, consultoria, comércio atacadista e varejista são sempre setores que importam mais do que exportam”, conclui João Manuel Scudeler.

ALEX SABINO / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS