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Pesquisadores encontram árvore mais alta da mata atlântica em reserva de Minas Gerais

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em Minas Gerais, pesquisadores encontraram um jequitibá-rosa com 65 metros de altura. Maior que o Cristo Redentor, a árvore foi considerada a mais alta da mata atlântica. A descoberta reforça a importância da conservação ambiental para a manutenção da biodiversidade, uma vez que grandes árvores servem de abrigo para diferentes espécies de animais.

O jequitibá foi encontrado em fevereiro, na Reserva Biológica (Rebio) Mata Escura, localizada nos municípios de Jequitinhonha e Almenara, durante uma expedição para monitorar macacos muriqui (Brachyteles hypoxanthus), liderada por Fabiano Melo, professor e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

A expedição é parte da Meta Florestal da Vale, parceria da empresa com o Instituto Chico Mendes Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

No Dia Nacional da Mata Atlântica, nesta terça (27), especialistas chamam atenção para o papel das reservas biológicas como esta para a sobrevivência do bioma —que, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, tem apenas 24% da vegetação de sua floresta original.

Thiago de Oliveira, engenheiro florestal da mineradora, afirma que a conservação dos jequitibás-rosa é fundamental para a manutenção da biodiversidade.

O gavião-real, por exemplo, é uma ave grande e precisa de uma árvore larga para fazer ninhos. Sem espécies como o jequitibá, não seria possível garantir um ambiente seguro para a reprodução do animal. “Está tudo conectado, integrado”, afirma Oliveira.

Além da altura, os jequitibás são as árvores mais antigas do Brasil. O exemplar considerado mais velho, batizado de Patriarca, está em São Paulo e tem a idade estimada entre 600 e 900 anos.

Essa espécie sobrevive porque não é madeira de interesse econômico, diz Melo, da UFV.

PASSO A PASSO DA DESCOBERTA

Drones associados a sensores infravermelhos, usados para identificar animais nas copas das árvores, foram fundamentais para a descoberta do jequitibá de 65 m de altura e 5,5 m de circunferência. A tecnologia reúne câmera e um sensor de calor.

O calor emitido pelo corpo deles se destaca em meio a folhas e galhos. “Hoje temos o sensor híbrido, que é uma câmera colorida com uma câmera térmica, e aí conseguimos dar zoom e ver que bicho que é”, explica Fabiano Melo.

No dia da descoberta, a temperatura esquentou a copa das árvores e dificultou a procura pelos macacos, porque a mata também estava quente. “Em compensação, as árvores grandes começam a destacar sua galhada, porque ficam aquecidas pelo sol. No momento em que passei perto dos jequitibás, percebi que a copa dessa árvore mais alta estava destacada do dossel da floresta. Aquilo me chamou atenção”, relata Melo.

Para localizar a árvore no meio da mata fechada, o professor utilizou as coordenadas apontadas pelo GPS do drone.

A medição da altura da árvore foi feita com o auxílio de um drone menor. Ele partia do pé do jequitibá e voava até a folha mais alta. Assim o pesquisador registrou 65 metros.

A partir da confirmação da altura, o passo seguinte foi compará-la com registros de outras árvores da mata atlântica na literatura científica.

O livro de Ricardo Cardim, “Remanescentes da Mata Atlântica: As Grandes Árvores da Floresta Original e Seus Vestígios” foi o referencial utilizado. Segundo o livro, a maior árvore anteriormente registrada era um jequitibá de 64 metros, localizado na cidade de Ubatã, no sul da Bahia.

A tecnologia empregada na descoberta permite desvendar elementos da biodiversidade ainda não conhecidos. “Já perdi a conta do quanto me ajudou a descobrir espécies que não eram registradas no lugar”, afirma o pesquisador.

Melo, com o uso da câmera térmica, encontrou o ouriço preto (Chaetomys subspinosus), espécie ameaçada de extinção, na mesma Rebio.

Além disso, drones ajudam na identificação e quantificação de espécies de árvores em espaços aberto e no combate a incêndios, lembra Thiago de Oliveira, da Vale.

DÉBORA VAN PÜTTEN / Folhapress

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