SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – PIB cresce menos no 3º trimestre, mas consumo e investimentos ainda mostram força. CVM julga ex-CEO e ex-diretor da Americanas, diferentes gerações brasileiras se identificam com as mesmas marcas, e uma dica para estar mais preparado para as vagas temporárias que surgem no fim de ano, e outras notícias do mercado para começar esta quarta-feira (4).
**PIBINHO OU PIBÃO?**
O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 0,9% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
↳ O resultado foi menor do que o do segundo trimestre, quando o indicador cresceu 1,4%.
O que é? O PIB é a soma de todos os bens e serviços em um país e é usado como uma forma de medir o desempenho econômico.
Ele também ajuda a analisar a saúde da economia de um país em comparação com outros.
Saber quais setores mais e menos contribuíram para o crescimento da economia no período ajuda a entender as atividades mais importantes e as que precisam de investimento.
O resultado foi bom ou ruim? Bom, na visão de economistas ouvidos pela Folha. As projeções para o indicador variam entre um crescimento de 0,6% e 1,1%, sendo o consenso estimado pela Bloomberg de 0,8%.
Os setores de serviços e da indústria ajudaram a puxar o número para cima, subindo 0,9% e 0,6%, respectivamente. A agropecuária, por outro lado, recuou 0,9%.
↳ Hoje, o setor de serviços é o maior empregador do país e o principal componente do PIB pelo lado da oferta tem peso de cerca de 70% no indicador.
Explicando o resultado: analistas dizem que o consumo de serviços e bens industriais é estimulado pelo aumento da renda.
O mercado de trabalho está aquecido, o que significa salários maiores e maior competitividade entre empregadores pela contratação de funcionários.
Programas de transferência de renda do governo, como o Bolsa Família e o Pé de Meia, também podem contribuir para o vigor nas compras.
Já a agropecuária foi afetada pelo clima neste ano. Fortes secas em algumas regiões e as inundações no Rio Grande do Sul contribuíram para a desaceleração do setor.
Por que o crescimento foi menor? Pode ser algum sinal de desaceleração da economia, mas não muito relevante ainda”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
O crescimento também está associado a um patamar elevado de comparação é o nível mais alto do PIB desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 1996.
Além disso, no setor externo, houve baixa nas exportações.
Inflação. Quando o PIB cresce acima do ritmo potencial, pode pressionar a inflação, o que reforça a perspectiva de aumento de juros pelo BC (Banco Central) por mais tempo.
DIRETOR PUNIDO, CEO ABSOLVIDO
Quase dois anos após a deflagração das fraudes contábeis na Americanas, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) julgou os envolvidos na tarde desta terça-feira (3).
O ex-CEO da empresa, Sérgio Rial, foi absolvido das acusações de divulgação irrregular de informações sobre a crise da varejista.
O punido foi João Guerra, ex-diretor de Relações com os Investidores, multado em R$ 340 mil.
A defesa de Guerra ainda poderá tentar um recurso junto ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
Entenda: Rial era acusado de não ter guardado sigilo sobre uma informação sensível para a cotação da ação da empresa, a qual obteve de forma privilegiada em função do cargo, sem que ela tivesse sido ainda oficializada pela companhia ao mercado.
O primeiro comunicado sobre o escândalo foi feito por ele e pelo então diretor de Relações com Investidores, André Covre, em 11 de janeiro. Os dois diziam que estavam deixando a companhia.
Como a informação deveria ter sido comunicada? Pelo diretor de Relações com Investidores, por meio de fato relevante anexado no site da CVM.
Empate. A decisão a favor de Rial não foi unânime. Houve um empate entre quem queria salvar a pele do ex-executivo e quem queria considerá-lo culpado.
↳ Prevaleceu o entendimento do artigo 8º da resolução 44 da CVM, que diz que os acionistas controladores, diretores, membros do conselho de administração devem guardar sigilo das informações relativas a ato ou fato relevante às quais tenham acesso privilegiado.
Em uma segunda decisão, por unanimidade, o colegiado também decidiu pela absolvição de Rial em relação à segunda imputação, que trata de deveres e responsabilidades na divulgação de ato ou fato relevante.
💭 Relembre. No início de 2023, dados mostraram que fraudes contábeis estavam em curso na Lojas Americanas. Elas resultaram em um rombo de R$ 25,2 bilhões.
A operação Disclosure, da Polícia Federal, investigou o ex-CEO da empresa, Miguel Gutierrez, e ex-executivos da companhia. Uma das fraudes identificadas foi no balanço trimestral de 2021.
Um arquivo interno mostrava os resultados antes dos impostos com um prejuízo de R$ 209 milhões. O balanço financeiro divulgado ao público trouxe um lucro de R$ 129,4 milhões.
↳ Os três sócios que detiam as ações da empresa eram, até então, considerados uns dos melhores gestores de negócios do país: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.
CHOQUE GERACIONAL?
As gerações gostam de acreditar que são muito diferentes entre si. Às vezes, não é o caso.
Uma pesquisa da TroianoBranding e da Dezon aponta que, apesar de ter gostos diferentes, as gerações identificam-se com as mesmas marcas.
É o resultado do que o mercado chama de marketing transgeracional, ou seja, que é pensado para atingir pessoas de diferentes idades.
Relembrando… As definições usadas para as diferentes gerações são:
Baby boomers: nascidos entre 1946 e 1964;
Geração X: nascidos entre 1965 a 1980;
Geração Y ou millenials: 1981 a 1996;
Geração Z: 1997 a 2010.
O que vem à cabeça. Os entrevistados foram perguntados sobre qual marca revela quem eles são, enquanto pessoas e enquanto geração.
A perfumaria O Boticário ocupou o primeiro lugar em quase todas a exceção foi a geração X. Somando as escolhas de todos os participantes, a marca foi a favorita.
Entre os nomes que se repetiram estão Nestlé, Natura, Adidas, Nike e Samsung.
A pesquisa foi feita com mil pessoas de modo espontâneo, quando não são oferecidas alternativas aos pesquisados. A resposta é dada por eles sem estímulos externos.
**O QUE DEFINE CADA EMPRESA**
Em uma segunda parte da pesquisa, os participantes precisavam nomear marcas que definissem algumas características da sua geração. Depois, tinham que identificar qual tema os lembrava de qual companhia.
Segundo as respostas, a O Boticário representa identidade; a Nestlé, laços afetivos; a Natura, bem-estar; a Nike, crescimento; e a Samsung, comunidade.
↳ Tomando o exemplo da Nike, os entrevistados lembram da promessa de ser melhor, de ser mais rápido, de ser ágil, de saltar mais alto, e por aí vai. Por isso, o adjetivo crescimento foi o mais citado.
**DICAS DE CARREIRA**
Chegou o fim do ano, e com ele, os contratos temporários.
A Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário) estima que 450 mil vagas temporárias estão sendo criadas no último trimestre de 2024.
Os setores com mais oportunidades, segundo a associação, são a Indústria (45%), seguido de Serviços (25%) e Comércio (10%).
O que explica o cenário? Com as festas de fim de ano e a Black Friday, empresas exigem mais mão de obra para produzir e comercializar produtos, já que a demanda aumenta.
O trabalhador temporário, segundo a lei, não tem vínculo empregatício com a companhia contratante.
↳ Ele tem, porém, direito a quase todos os benefícios de um empregado CLT (13º proporcional, descanso semanal remunerado, jornada de 44 horas semanais )
Como funciona o contrato: ele tem o tempo máximo de 270 dias e pode ser renovado somente uma vez.
Para entender melhor como funciona a modalidade e tirar dúvidas, leia a edição desta semana da newsletter da Folha sobre carreira e mercado de trabalho.
LUANA FRANZÃO / Folhapress
