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Pioneiro no reconhecimento facial, Goiás viu aumento de público e queda de ocorrências

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O acesso aos estádios por meio da biometria facial tem sido uma ferramenta utilizada na busca de clubes e autoridades para melhorar a segurança do entorno nos dias de jogos.

Devido às brigas entre torcedores de Sport e Santa Cruz pelas ruas do Recife no início do mês, a Justiça determinou que os clubes implementem a tecnologia para o acesso aos estádios a partir de março.

Alguns dias antes, no fim de janeiro, a prefeitura de Fortaleza havia determinado a instalação de câmeras de reconhecimento facial no Estádio Presidente Vargas, após torcedores do Ceará protagonizarem cenas de violência nas arquibancadas.

A Lei Geral do Esporte impõe que, até o meio do ano, estádios com capacidade acima de 20 mil torcedores implementem o modelo, sob risco de punições aos dirigentes responsáveis.

No Goiás, o primeiro clube do país a adotar a tecnologia no Estádio Hailé Pinheiro para 100% do público, em meados de 2022, a principal motivação para a decisão foi justamente a violência protagonizada pelas torcidas, disse Paulo Rogério Pinheiro, presidente do clube entre 2021 e 2023.

“A motivação surgiu a partir de uma reportagem que destacou a violência dentro e nas redondezas do estádio, além da ineficiência na aplicação das medidas judiciais que proibiam a presença de torcedores condenados nos jogos, o que resultava na diminuição do público médio e na evasão das famílias dos estádios”, afirmou Pinheiro à Folha.

Ele disse que o reconhecimento facial agilizou o processo de entrada em cerca de três vezes, eliminando a necessidade de documentos físicos e ingressos de papel, e impediu o acesso de indivíduos não autorizados ou banidos.

“O reconhecimento de até 20 rostos simultâneos por segundo, dentro e fora do local de jogo, ajudou a evitar confrontos. As ocorrências policiais dentro do estádio caíram para quase zero, e as famílias retornaram ao local”, afirmou Pinheiro.

Em 2021, no ano imediatamente anterior ao início do reconhecimento facial para o acesso ao Hailé Pinheiro, a média de público no estádio foi de 1.143 torcedores.

A partir de 2022, ano em que o Goiás voltou a disputar a Série A do Campeonato Brasileiro, a média saltou para 7.901, e para 8.664 em 2023. Em 2024, com o Goiás de volta à Série B, a média ficou em 6.348.

“Ao eliminar os torcedores de facções, condenados e outros indivíduos não autorizados, a tendência é que o público médio aumente e os jogos se tornem mais atrativos e seguros”, disse o ex-presidente do Goiás.

Diretora de marketing do clube, Jessica Rezende afirmou que são aproximadamente 215 mil usuários cadastrados no sistema de reconhecimento esmeraldino, aptos para acessar o Hailé Pinheiro, também conhecido como “Serrinha”.

Desde o início da operação, cerca de 6 mil pessoas já tiveram seus cadastros bloqueados ou cancelados por terem sido identificados algum tipo de descumprimento das diretrizes do estádio e de medidas restritivas do poder judiciário.

“Hoje, trabalhamos com um grau de precisão de 98%. Trabalhamos com equipamentos que possuem inteligência artificial e que é alimentado com as fotos dos torcedores de acordo com os acessos ao estádio”, afirmou a diretora.

Sócio-fundador da CCLA Advogados, Cristiano Caús assinalou que o artigo 148 da Lei Geral do Esporte estabelece que o controle e a fiscalização do acesso do público a arena esportiva com capacidade para mais de 20 mil pessoas deverão contar com meio de monitoramento por imagem das catracas e com identificação biométrica dos espectadores.

“Trata-se de uma obrigação legal que entrará em vigor em 15 de junho de 2025. Seu descumprimento gera ao clube e ao seu presidente diversas repercussões de ordem disciplinar e até responsabilização criminal, se a falta de identificação do torcedor contribuir ou facilitar para a prática de algum delito cometido na arena”, afirmou Caús.

Entre os grandes do estado, São Paulo e Corinthians ainda não utilizam o acesso via reconhecimento facial no Morumbi e na Neo Química Arena, respectivamente. Os clubes informaram ter planos para se adequar à legislação até junho. Palmeiras e Santos iniciaram as operações de reconhecimento facial no Allianz Parque e na Vila Belmiro em 2023 e 2024, respectivamente.

LUCAS BOMBANA / Folhapress

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