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Planalto silencia sobre crítica de presidente do PT a Padilha e à coalizão do governo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Palácio do Planalto decidiu não se manifestar oficialmente sobre fala da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, crítica ao ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), e que atribui desempenho fraco do partido nas urnas ao governo de coalizão.

“Não vamos comentar”, respondeu a Secom à Folha de S.Paulo.

Reservadamente, auxiliares palacianos classificaram a manifestação de Gleisi como desnecessária, por demonstrar falta de sintonia do partido com o governo, em especial por ir na contramão do discurso de coalizão com partidos aliados.

Mas a palavra de ordem é de pôr panos quentes. Auxiliares de primeiro e segundo escalão evitaram responder à fala da presidente do partido para arrefecer logo a crise. A avaliação é de que, apesar de a crítica ser voltada ao ministro Padilha, a discussão do pano de fundo trata-se da sucessão do PT.

O mandato de Gleisi termina no meio do ano que vem e seu nome é cotado para assumir um ministério na provável reforma ministerial de Lula em 2025.

Após o fim do segundo turno das municipais, começou também a discussão no partido sobre quem assumirá o comando do PT quando ela deixar a legenda. Uma ala defende o nome de Edinho Silva, prefeito de Araraquara (SP), enquanto outra defende o deputado José Guimarães (PT-CE). Segundo relatos, Gleisi é adepta desta segunda corrente.

A crítica de Gleisi também teve o efeito de ofuscar a narrativa do Planalto de que o resultados das eleições, com avanço de políticos de centro, seria também uma vitória da frente ampla construída pelo governo. O ministro Paulo Pimenta (Secom) disse, em entrevista à GloboNews, que a principal derrotada nas urnas foi a extrema direita e que o PT teria mais votos se tivesse lançado mais candidatos, mas que é preciso pensar estrategicamente como governo, não só no partido.

“É evidente que, se o PT tivesse lançado candidatos em todas essas cidades, a votação nominal do partido seria muito maior que os 8,9 milhões que fizemos. Mas um partido que é governo não pode pensar apenas em uma estratégia de voto nominal do partido”, disse.

Pimenta falou ainda na necessidade do PT de se atualizar do ponto de vista programático -algo que Padilha disse também após se reunir com Lula, e que o presidente tem dito mesmo antes da eleição.

Na noite de segunda-feira (28), a presidente do PT disse em rede social que o ministro Padilha ofende o partido ao dizer que o PT continua na “zona de rebaixamento” com o resultado das eleições municipais Ela ainda atribuiu o fraco desempenho do partido nas urnas, neste ano, ao fato de estar em um governo de “ampla coalizão”.

O PT venceu em apenas uma capital, Fortaleza, e em menos de 300 prefeituras pelo país. Trata-se de uma melhora em comparação com 2020, mas o partido está em nono lugar no número de prefeitos eleitos.

“Pagamos o preço, como partido, de estar num governo de ampla coalizão. E estamos numa ofensiva da extrema direita. Ofender o partido, fazendo graça, e diminuir nosso esforço nacional não contribui para alterar essa correlação de forças”, disse Gleisi.

Segundo ela, Padilha deveria “focar nas articulações políticas do governo, de sua responsabilidade, que ajudaram a chegar a esses resultados”. “Mais respeito com o partido que lutou por Lula Livre e Lula Presidente, quando poucos acreditavam”, continuou a presidente do PT.

Tanto Padilha quanto Gleisi estiveram na segunda no Palácio da Alvorada com o presidente Lula, discutindo os resultados eleitorais.

Ela chegou a convidar Padilha para participar da reunião da executiva nacional do PT à tarde, mas ele não pôde comparecer. Foi durante a reunião que o ministro deu a declaração à imprensa, com a metáfora de futebol, na saída do Alvorada.

Na reunião, as pessoas se incomodaram com a fala de Padilha, e Gleisi anunciou que resolveu respondê-lo. Foi aplaudida.

Há um incômodo de parte do PT com a condução da articulação política do governo, como foi verbalizado pela presidente da sigla. Integrantes do partido, sobretudo parlamentares, se queixam de receberem menos atenção que deputados e senadores de outras siglas.

Outra queixa dá conta de que o governo teria dificuldade em fazer disputa política dos seus feitos. Prefeitos de outros partidos, por exemplo, estariam lucrando politicamente em cima de obras feitas com recursos federais.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, o mau desempenho eleitoral do PT precipitou uma disputa pelo comando do partido e colaboradores de Lula passaram a defender até mesmo a antecipação da saída da presidente da sigla –o que ela descarta.

MARIANNA HOLANDA / Folhapress

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