SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois policiais militares foram afastados do serviço na rua após um deles dar um tapa na cara de um homem e encostar uma arma no rosto dele durante uma abordagem.
O caso ocorreu na Vila Ema, na zona leste de São Paulo. Um vídeo mostra um PM xingando o homem abordado. “Você já me conhece e sabe como o bagulho funciona, beleza? Você quer tomar na cara pra lembrar que você é moleque?”
Em seguida, o agente diz que conseguiu obter informações sobre o homem. Após uma resposta inaudível no vídeo, o PM bate no rosto do abordado, que se desequilibra. “Eu já falei que não gosto de mentiroso”, diz o policial, que volta a perguntar quem mais estaria no “movimento” com ele.
O homem diz que “um menor estava trampando aí” e que ele teria achado drogas, mas que não sabia das circunstâncias.
Em seguida, o PM se vira para outro agente e diz “pega a arma lá que eu vou matar ele”. Chamando o abordado de moleque, aponta a arma e diz “tem que ser na cara para estragar o velório”.
“Vai querer trocar ideia ou vou ter que te lembrar quem eu sou?”, diz o agente.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo diz que a abordagem não condiz com os protocolos da Polícia Militar.
“Os dois policiais envolvidos na ocorrência foram afastados nesta quarta-feira (26), passando a cumprir expediente administrativo. Os agentes serão ouvidos nesta quinta-feira (27), na Corregedoria da PM, como parte do Inquérito Policial Militar que foi instaurado para apurar o caso”, diz o posicionamento da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A sequência de casos de violência policial gerou uma crise no governo estadual no ano passado, gerando cobranças sobre Tarcísio e seu secretário da Segurança, o capitão reformado da Rota Guilherme Derrite.
Em 2024, segundo as estatísticas oficiais, policiais civis e militares mataram um total de 814 pessoas ao longo do ano, um aumento de 63% em relação a 2023 que já teve aumento de letalidade em relação ao último ano do governo anterior. O número é o mesmo do ano de 2020. As ocorrências incluem tanto situações em que os agentes estavam em serviço quanto de folga.
Ao longo do ano, 23 policiais militares e quatro policiais civis foram mortos, tanto em serviço quanto durante folgas.
FRANCISCO LIMA NETO E LUCAS LACERDA / Folhapress
