Policiais são investigados por vídeo com música que exalta Massacre do Carandiru

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Agentes da Polícia Militar aparecem em um vídeo que circula nas redes sociais dançando e cantando uma música que exalta o Massacre do Carandiru. O vídeo foi gravado dentro do prédio da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), no centro de São Paulo.

No vídeo, os policiais gritam “Cavalaria, Brasil”, enquanto batem palma. Um agente identificado como soldado Breno puxa o coro e começa a dançar, sendo acompanhado por vários outros agentes. Nas imagens é possível ver que várias pessoas com roupas civis estavam nos arredores.

Veja a letra da música:

“Cavalaria Brasil. Esquerda, esquerda, direita, Choque! Hoje eu te apresento o 1º Batalhão, aquele que acalmou a Casa de Detenção [Carandiru], 1992, logo pela manhã, o clima já era tenso. A caveira já estava sorrindo para o detento. Lá só tinha lixo, a escória, na moral. Foi dado pista quente para derrubar geral. Bomba, facada, tiro e granada. Corpos mutilados e cabeças arrancadas. O cenário é de guerra, tipo Vietnã. A minha continência, Coronel Ubiratan. Vibra, ladrão, sua hora vai chegar. Escola de Choque tá saindo pra caçar.”

A Polícia Militar, de acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), assim que tomou conhecimento do vídeo, determinou a instauração de uma investigação, por meio do Comando do Policiamento de Choque.

“A conduta dos policiais que aparecem nas imagens não condiz com as práticas da Instituição e medidas cabíveis serão tomadas”, afirmou.

A Folha procurou o ouvidor da polícia por mensagem e ligações, mas não teve resposta até a publicação deste texto.

MASSACRE DO CARANDIRU

Em 2 de outubro de 1992, uma suposta rebelião de presos no Complexo Penitenciário do Carandiru, na zona norte de São Paulo, e a consequente invasão do pavilhão 9 por tropas da Polícia Militar resultaram na morte de 111 detentos. Veja aqui a cronologia do caso.

Mais de 20 anos depois, 74 dos cerca de 350 policiais que participaram da ação foram condenados pelo Tribunal do Júri a penas que variam de 48 a 624 anos de prisão.

Desde então eles aguardam em liberdade pelo desfecho jurídico do episódio, cujo último recurso é o julgamento da constitucionalidade do indulto concedido pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). A questão está em análise no STF (Supremo Tribunal Federal).

FRANCISCO LIMA NETO / Folhapress

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