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Possibilidade de ampliação de voos no Santos Dumont revolta políticos e empresários no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Lideranças políticas e empresariais do Rio de Janeiro se mobilizam para tentar barrar uma eventual ampliação no número de passageiros no aeroporto Santos Dumont.

A possibilidade de alteração da capacidade do terminal, reduzida a 6,5 milhões de viajantes ao ano, deve ser analisada pelo Ministério de Portos e Aeroportos em 2025.

O entendimento no Rio é de que as restrições em vigor neste ano no Santos Dumont contribuíram para estimular o maior aeroporto da cidade, o Galeão.

O Santos Dumont fica na área central da capital fluminense e só recebe voos nacionais. O Galeão, por sua vez, está localizado na zona norte e recebe rotas nacionais e internacionais.

Em nota divulgada na tarde de quarta (4), o Ministério de Portos e Aeroporto disse que fará uma avaliação em 2025, após o término de um ano de restrições, para verificar se é possível atender a uma solicitação da Infraero, que administra o Santos Dumont.

Segundo a pasta, a Infraero propõe uma “pequena ampliação” na movimentação de passageiros, “sem comprometer a qualidade dos serviços”. Ainda de acordo com o ministério, a avaliação atende a uma orientação do TCU (Tribunal de Contas da União).

A pasta, porém, declarou que no momento não há nenhuma alteração na portaria sobre a limitação operacional de passageiros no Santos Dumont, estabelecida em janeiro deste ano. Também disse que tem trabalhado para estimular o Galeão.

“Ressaltamos que, para o próximo ano, é necessário desenvolver uma visão estratégica para fortalecer ainda mais a aviação no estado do Rio de Janeiro, em colaboração com todos os atores envolvidos. Além disso, é importante avaliar a necessidade de a Infraero expandir suas fontes de receita”, declarou o ministério.

Antes da divulgação da nota, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), usou as redes sociais para criticar a eventual ampliação de voos no Santos Dumont, dizendo que “o lobby dessa gente é um negócio inacreditável”. A publicação foi acompanhada pela imagem de uma notícia do portal G1 sobre o assunto.

Paes encontrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta, em Brasília, onde ocorreu anúncio de acordo que transfere para o município a gestão de dois hospitais federais.

A jornalistas, o prefeito afirmou que também conversou com Lula sobre o Santos Dumont e disse que a notícia a respeito da possível ampliação causou “estranheza” no petista. “É uma decisão do presidente que o Galeão seja fortalecido”, disse Paes.

“Não tem essa conversa [de ampliação no Santos Dumont]. É uma questão de honra a recuperação do Galeão. A coisa está indo muito bem, uma grande conquista, mais um presente do presidente Lula ao Rio de Janeiro”, acrescentou.

O tema também gerou reações no governo estadual. “Para que piorar o que está dando certo?”, questionou nas redes sociais o secretário-chefe da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Nicola Miccione.

“Depois de muito esforço se consegue equilibrar as operações do Galeão, com respeito à capacidade máxima do Santos Dumont. Resultado: mais voos, mais conexões e sistema multiaeroportos do RJ mais equilibrado”, completou.

O Santos Dumont é o principal ativo que segue sob administração da Infraero, após a concessão de outros terminais espalhados pelo país. Defensores das restrições a voos no local consideram que a eventual ampliação seria uma forma de fortalecer o caixa da estatal.

A reportagem questionou a Infraero sobre a possibilidade de aumento da movimentação no Santos Dumont, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. A estatal também não comentou sobre o impacto financeiro das restrições no aeroporto.

De janeiro a outubro, o Santos Dumont recebeu quase 5 milhões de passageiros, segundo painel de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A queda foi de 49,6% ante igual período de 2023 (9,9 milhões).

O Galeão, por sua vez, movimentou 11,5 milhões de pessoas de janeiro a outubro deste ano, também de acordo com a Anac. Isso representa um salto de 95% ante o mesmo intervalo de 2023 (5,9 milhões).

Questionada sobre a eventual mudança no Santos Dumont, a concessionária RIOgaleão, responsável pelo terminal da zona norte, afirmou que a coordenação dos aeroportos gera maior conectividade para o Rio, além de contribuir para o desenvolvimento econômico do estado e do país.

Entidades empresariais endossaram o discurso contrário à alteração na capacidade do empreendimento gerido pela Infraero.

Em nota conjunta, a ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro) e a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) chamaram a possibilidade de “tentativa absurda de esvaziar o Galeão”.

“Não faz o menor sentido querer transferir voos nacionais para o já sobrecarregado aeroporto Santos Dumont, que já opera no seu limite físico, com filas de espera monstruosas para seu estacionamento, sem falar nos aspectos de segurança [para novas rotas] já intensamente demonstrados”, acrescentaram.

A Fecomércio-RJ disse estar ao lado de forças políticas e privadas para registrar “repulsa” e atuar contra “qualquer mudança” no limite de passageiros no terminal da região central.

“O aumento do fluxo aéreo doméstico e internacional para o Rio de Janeiro é uma positiva realidade, o que demonstra o acerto da medida, indicando o fortalecimento do hub aéreo no Galeão”, disse.

“Qualquer mudança neste promissor rumo significa um inaceitável retrocesso nessa iniciativa e será fatal para economia e o turismo do Rio. Por que e a quem interessa desvirtuar a política adotada?”, completou.

Cerca de 18 quilômetros separam os dois aeroportos. O Santos Dumont fica ao lado de negócios instalados no centro do Rio e está próximo de pontos turísticos como o Pão de Açúcar e as praias de Copacabana e Ipanema, na zona sul. Sua estrutura para pousos e decolagens, porém, é limitada pela baía de Guanabara.

O Galeão conta com pista mais extensa. Além de movimentar passageiros nacionais e internacionais, também exerce papel relevante no transporte de cargas.

Parte dos usuários, porém, costuma reclamar de dificuldade maior de acesso ao aeroporto na comparação com o Santos Dumont por diferentes motivos. Congestionamentos e sensação de insegurança em vias como a linha Vermelha fazem parte dessa lista.

LEONARDO VIECELI / Folhapress

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