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Precisamos cortar os EUA como intermediários de Brasil e Rússia, diz vice-ministro russo

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – À frente do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) neste ano, uma das prioridades da Rússia é a união dos sistemas financeiros do bloco, para que sejam independentes do mercado financeiro e de capitais dos Estados Unidos, o que, segundo o país, iria baratear e facilitar o negócio entre os membros.

“Brasil, China, Rússia, Índia são alguns dos maiores produtores e consumidores de grãos, cujo preço é determinado na Bolsa de Chicago, que ganha muito dinheiro como intermediária. Então, é claro que faz sentido para nós cortar os intermediários e fazer a negociação entre nós”, diz Ivan Chebeskov, vice-ministro das Finanças da Rússia, em entrevista à reportagem.

“Aquele que possui a infraestrutura sempre ganha, o que não é exatamente justo para nós, para os países do Sul Global. Devemos nos beneficiar também dessa infraestrutura financeira”, completou Chebeskov, que está no Rio de Janeiro chefiando a delegação russa durante as reuniões do G20.

O vice-ministro não quis especificar qual a visão dos demais participantes do Brics sobre a proposta, mas disse que há apoio dentro do bloco.

“Muitas das nossas discussões são confidenciais. Mas, alguns países estão prontos para participar do projeto-piloto, e outros ainda estão dizendo ‘bem, é uma boa ideia. Vocês fazem o piloto. Eu vou olhar e então tomar uma decisão.'”

De acordo com Chebeskov, estão em estudos iniciais um sistema de pagamento mútuo, que combinaria os mercados financeiros de países parceiros da Rússia, e a implementação de um sistema de seguro e resseguros que atenderia os países do Brics.

“Essas sugestões precisam de muito trabalho. Em geral, estamos tendo uma recepção muito boa de nossos parceiros de que este é o caminho a seguir. Não é algo que amanhã teremos implementado, mas é algo em que precisamos trabalhar, porque precisamos defender nossos interesses. Precisamos fazer o que é benéfico para nós, para nossas economias e para nosso povo”, afirmou o vice-ministro.

Com as restrições de países ocidentais à Rússia após a invasão da Ucrânia, o país se viu obrigado a redesenhar parte do seu sistema financeiro, tornando-o mais moderno e digital. Uma das ferramentas desenvolvidas se assemelha ao Pix.

“Três quartos de todos os pagamentos [na Rússia] são feitos sem dinheiro. Muitos são pagamentos instantâneos usando o telefone e QR Codes, de forma fácil e gratuita. Usando seu número de telefone, você pode transferir dinheiro para qualquer pessoa na Rússia, e em alguns dos países vizinhos, instantaneamente”, disse Chebeskov.

Uma das propostas do Banco Central para o Pix é justamente transformar o pagamento instantâneo em transfronteiriço, o que poderia ser um dos caminhos para juntar os sistemas financeiros do Brics.

“Não discutimos nenhum sistema de pagamento em cada país, porque cada um de nós tem o seu próprio, mas precisamos de um mecanismo para uni-los, um mecanismo que permita pagamentos transfronteiriços sem nenhuma dificuldade, usando nossa própria infraestrutura que não dependa de outra infraestrutura”, afirmou o russo.

O QUE É O BRICS?

Brics é um bloco econômico criado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em 2009, que visa incentivar o desenvolvimento do chamado Sul Global, de países em desenvolvimento. Atualmente, também ingressam o grupo Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia.

JÚLIA MOURA / Folhapress

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