RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Prefeitura quer que concessionária banque restauração da marquise do Ibirapuera

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Prefeitura de São Paulo estuda transferir a responsabilidade pela restauração da marquise do Ibirapuera para a Urbia, concessionária que há quase três anos administra o parque. Deteriorada, a estrutura de 27 mil m² está interditada há quase quatro anos por oferecer risco aos visitantes –pedaços da laje desabaram em mais de uma ocasião na última década.

O custo da obra é estimado em R$ 70 milhões pela administração municipal, que chegou a publicar uma licitação para contratar a reforma. O pregão eletrônico estava marcado para 18 de agosto, mas o edital foi suspenso para análise do TCM (Tribunal de Contas do Município) após auditores apontarem a necessidade de aprimoramentos.

Em reunião no tribunal ocorrida nesta terça-feira (15), o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ravena, defendeu que a reforma da marquise seja incluída entre as obrigações da concessionária, “para que a obra seja feita de uma forma mais rápida, mais segura e com uma gestão mais centralizada”.

O contrato de concessão assinado em 2019 prevê que a reforma na parte estrutural da marquise é de responsabilidade do município. De acordo com o documento, a empresa que assumiu a gestão do parque é responsável apenas por algumas obras menores e a manutenção periódica da estrutura.

Por meio de nota, a pasta disse que vai encaminhar a documentação solicitada pelo TCM para que as ações relacionadas à marquise tenham sequência. Segundo a secretaria, a estrutura tombada “pode vir a ser reformada pela Urbia Parques se demonstrada e reconhecida vantagem à prefeitura”.

Procurada pela reportagem, a Urbia disse que não participou da reunião com o TCM, mas que acompanha a discussão sobre a reforma da marquise e aguarda orientações.

Se confirmada, a mudança deve ocorrer por meio de uma revisão no contrato de concessão. Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), um termo de aditamento já está em tramitação para estender até 2025 o prazo para a empresa concluir suas obrigações contratuais, que incluem reformas em outros bens tombados do parque.

A restauração da marquise prevê a recuperação estrutural das faces inferior e superior da laje, bem como de pilares, vigas, piso e sistema de drenagem. O projeto deve seguir critérios definidos pelos órgãos de tombamento (Iphan, Condephaat e Conpresp), já que a estrutura faz parte do patrimônio histórico.

Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), a marquise é uma cobertura de concreto armado sustentada por 120 colunas. Com formato geométrico irregular, faz a ligação entre equipamentos culturais do parque, como o MAM (Museu de Arte Moderna), a Oca e o Museu Afro Brasil.

No ano passado, a Justiça determinou que a prefeitura reformasse a estrutura em até três anos, citando como justificativa um laudo técnico encomendado pela própria administração municipal em 2018. “Os estudos demonstram a situação precária da marquise, bem como comprovam a inércia do poder público municipal, considerando o aumento da degradação e dos riscos decorrentes da não realização de reparos ao longo dos anos”, argumentou o juiz Fausto Ferreira.

Inaugurada com o parque em 1954, a marquise era um dos pontos mais frequentados do Ibirapuera antes de ser fechada ao público. Segundo a prefeitura, as últimas reformas ocorreram em 1987 e no período de 2010 a 2012. Pouco depois da conclusão das obras mais recentes, no entanto, os problemas já voltavam a aparecer. Em 2014, a queda de blocos da laje motivou interdições parciais na área para a realização de reparos emergenciais.

Três anos depois, em 2017, parte da cobertura voltou a ceder enquanto skatistas se reuniam no local e, em 2019, infiltrações e outros problemas estruturais motivaram novas interdições parciais. Na ocasião, a SVMA identificou a necessidade de novos reparos, mas não tinha fundos para a realização das obras.

LEONARDO ZVARICK / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS