Professora diz ter sido envenenada por mãe de aluno durante 8 meses em PE

Em exames foi comprovado intoxicação por mercúrio. A vítima teve sintomas de fibromialgia agravadas e está com dificuldade motora.

Reprodução

Uma artesã de 43 anos, que atuava como professora voluntária de artesanato em um projeto social no Recife, afirma ter sido vítima de envenenamento por mercúrio, quadro que, segundo ela, comprometeu sua mobilidade e funções motoras.

Principal suspeita é a mãe de um aluno, que acompanhava o filho nas aulas e teria sido filmada adulterando repetidamente a garrafa d’água usada pela professora. O caso é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco.

O inquérito tramita na Delegacia da Boa Vista desde junho de 2025. A artesã Denny Cardoso relata que passou a desconfiar de que havia algo errado com a água que levava diariamente ao trabalho depois de notar “bolinhas” no líquido.

Segundo a defesa, a suspeita aumentou após a professora afirmar ter visto a mulher mexendo em sua garrafa. A partir disso, ela decidiu deixar o celular gravando em algumas ocasiões e registrou imagens, que mostram a suspeita colocando uma substância na água. Segundo a artesã, ela já apresentava um comportamento hostil “sem motivo”.

Após os registros, Denny conta que procurou a polícia duas vezes. Na primeira, na delegacia, registrou o boletim de ocorrência. A garrafa e o vídeo foram recolhidos para investigação.

Em seguida, a artesã comprou uma nova garrafa igual à que foi entregue à polícia, e seguiu gravando. Segundo ela, “o objetivo era conseguir um flagrante, para não restar dúvidas”. Dois dias depois, um novo vídeo no qual a suspeita aparece colocando uma substância na garrafa foi gravado. Denny disse ter acionado a polícia enquanto a mulher estava no local e ambas foram conduzidas à central de flagrantes para prestar depoimento.

Segundo o boletim de ocorrência da segunda ocasião, a suspeita negou ter envenenado a garrafa e foi liberada por falta de provas. A bolsa da mulher, a segunda garrafa e o novo vídeo foram apreendidos para perícia. Um laudo após exame na vítima deu positivo para intoxicação por mercúrio.

Ana Maristela Trajano, advogada da suspeita, afirma que sua cliente tem transtornos psicológicos, entre os quais esquizofrenia e depressão, confirmados por laudo médico. Ainda de acordo com a advogada, ela não se recorda dos fatos investigados.

A advogada da suspeita menciona o diagnóstico de fibromialgia como possível causa para os problemas de saúde apresentados pela vítima. Wilgberto Reis, advogado da artesã, porém, destaca que o diagnóstico “não elimina a intoxicação comprovada nem dispensa a apuração das novas limitações e do possível agravamento provocado pela exposição ao mercúrio”.

A professora afirma que sua saúde está piorando. “Eu não era assim antes. Andava bem, não necessitava de auxílio, de muleta, tampouco de outras pessoas estarem me segurando para poder andar”, diz. Ela relata um agravamento na fibromialgia e um novo diagnóstico de neuropatia.

Um laudo preliminar apontou intoxicação por mercúrio de forma prolongada durante cerca de oito meses. A vítima relata sintomas desde 2024, enquanto os vídeos reunidos pela investigação são de 2025 e mostram mais de um episódio de suposta adulteração da garrafa.

Um novo exame toxicológico foi solicitado para verificar os níveis atuais de mercúrio no organismo da vítima e auxiliar a avaliação da equipe de toxicologia clínica. Segundo Wilgberto Reis, a interpretação dos resultados dependerá do tipo de mercúrio envolvido, do material analisado e do intervalo entre a exposição e a coleta.

Para seguir com exames e tratamento, a artesã abriu uma vaquinha na internet para arrecadar dinheiro. “Minha prioridade é conseguir avaliações especializadas que esclareçam meu quadro atual, o prognóstico e as possibilidades de recuperar minha autonomia e qualidade de vida”, diz o texto.

A investigação criminal apura uma suposta tentativa de envenenamento. Foram apreendidos e encaminhados ao Instituto de Criminalística (IC) vídeos, garrafa e outros documentos.

Exames periciais identificaram mercúrio nas amostras analisadas e também confirmaram intoxicação no organismo da professora. O inquérito, porém, ainda não foi concluído. Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco afirmou que “no momento, a investigação necessita da conclusão dos exames periciais requisitados”.

Redação / Folhapress

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