RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Projeto que institui voto impresso passa na CCJ e avança na Câmara

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Sob o comando da deputada bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (11) um projeto de lei que estabelece o voto impresso e a recontagem física do resultado das eleições nas esferas nacional, estadual e municipal.

O projeto, sem nenhuma previsão de que será debatido em plenário, ainda amplia os poderes de questionamento do resultado das eleições, ao atribuir à administração pública o ônus de comprovar a legalidade dos pleitos.

O voto impresso, cuja proposta foi barrada no plenário da Câmara em 2021, é uma antiga demanda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e tornado inelegível justamente por mentiras e ataques ao sistema eleitoral.

Ao longo de seu mandato, a principal estratégia de confronto do então presidente foi a de questionar a segurança das urnas eletrônicas, sistema usado desde 1996 e considerado eficiente e confiável por autoridades e especialistas no país.

Ele nunca apresentou provas ou indícios para questionar as urnas, mas repetiu o discurso golpista, visto como uma tentativa de esconder os problemas do governo, a alta reprovação e as pesquisas que o colocavam atrás do hoje presidente Lula.

A proposta que estabelece o voto impresso foi retomada pela comissão na última semana, a partir de uma movimentação de deputados bolsonaristas. O texto foi aprovado por 31 votos a 20 e agora pode ir ao plenário da Câmara.

O relatório apresentado pelo deputado José Medeiros (PL-MT) nesta quarta, determina que o voto nas urnas eletrônicas precisará ser acompanhado também de meios impressos, que serão usados para realizar a recontagem dos votos.

O texto diz ainda que o voto é “a declaração de vontade do votante, concretizada fisicamente” -ou seja, serão apenas consideradas como o “exercício do poder do povo” as eleições realizadas por meios físicos, “sendo vedada a representação puramente eletrônica”.

O texto não deixa claro como deve ser computado o voto por meio físico.

Pelo relatório de Medeiros, assim que acabe a votação, 5% das urnas eletrônicas que integrem o pleito em questão (selecionadas “sorteio público não-eletrônico”) serão usadas para realizar a recontagem.

Esse processo deve ser acompanhado por fiscais, órgãos de controle, representantes de entidades, de partidos e civis, na própria sessão eleitoral. E se houver divergência, vale o impresso.

“Havendo discrepância na amostragem entre o escrutínio eletrônico e o escrutínio público, prevalecerá o resultado apurado em escrutínio público orientado pela custódia material do voto”, diz o texto.

Além disso, caso haja discrepância, também deverá ser realizada uma nova recontagem, com o mesmo procedimento, mas abrangendo 10% das urnas do pleito.

A proposta também amplia os poderes de questionamento da lisura das eleições, permitindo que associações sem fins lucrativos apresentem impugnação do resultado eleitoral.

“Aplica-se, subsidiariamente, o regramento processual eleitoral e o ônus da prova inverte-se em favor da associação impugnante, cabendo aos agentes do serviço público demonstrar a higidez do procedimento impugnado”, diz o texto.

Ou seja, a proposta inverte a norma geral da administração pública, que impõe ao acusador o ônus da prova.

Neste caso, segundo a proposta de Medeiros aprovada na CCJ, não é quem questiona as eleições que terá que apresentar p rovas de que houve fraude, mas sim o poder público, ou responsável pelas eleições, que terá que demonstrar sua legalidade.

Para Guilherme France, consultor da Transparência Internacional, a lei atual exige “um conjunto mínimo de evidências” para questionamento das eleições, para evitar a “fragilização do processo democrático”, mas esta proposta ameaça isso.

“O risco que isso traz [o novo dispositivo, no projeto] é você passar a exigir uma prova impossível para afastar determinados questionamentos infundados”, diz.

JOÃO GABRIEL / Folhapress

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS