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PSG busca glória europeia após enfraquecer liga francesa

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – A Torre Eiffel será iluminada neste sábado (31) com as cores do Paris Saint-Germain, as mesmas da bandeira francesa: azul, branco e vermelho. A cada gol na final da Champions League, milhares de luzes piscarão no maior símbolo da capital francesa. Caso o time seja campeão, a Champs-Elysées, principal avenida parisiense, viverá um dos maiores desfiles populares de sua história.

Com toda essa festa, os investidores do Qatar estão prestes a coroar enfim um projeto de mais de uma década: transformar Paris em uma das capitais do futebol europeu.

Caso derrote a Internazionale de Milão, o PSG será apenas o segundo clube francês campeão nas sete décadas de história do torneio. O outro foi o Olympique de Marselha, em 1993, título manchado por suspeitas de suborno.

O preço do triunfo de um time francês, paradoxalmente, terá sido a destruição do campeonato francês.

O predomínio esmagador do PSG na liga francesa, conhecida como Ligue 1, reduz a cada ano o interesse do público. Este ano, menos de 500 mil pessoas, um terço do esperado, aceitaram pagar EUR 40 (cerca de R$ 260) mensais pelo pacote de TV por assinatura. Foi preciso reduzir o preço pela metade, e depois até oferecê-lo em promoção na compra de um menu do McDonald’s, para chegar a 600 mil assinantes.

A Ligue 1, cujos direitos de transmissão chegaram a valer mais de R$ 4,5 bilhões em 2016, hoje pena para conseguir quem pague R$ 3 bilhões. Fala-se em mudar o regulamento do campeonato, decidindo o campeão em um mata-mata, e não mais em pontos corridos.

Raí, ídolo do PSG nos anos 1990 e hoje embaixador e consultor do Paris FC, segundo clube da capital e recém-promovido à Ligue 1 com dinheiro de investidores poderosos, acredita que uma solução será encontrada.

“Acho que o grande problema foi a questão dos direitos de imagem, dos direitos do campeonato, que teve um desgaste. Mas com o PSG e outros clubes que trouxeram mais investimento, como o próprio Paris FC, eles tendem a ser reunir, trazer novas ideias e de alguma forma minimizar os problemas”, disse à Folha.

Paris nunca teve um time do primeiro escalão europeu. Fundado em 1970 por um grupo de empresários, o PSG sempre tentou preencher essa lacuna, sem nunca realmente chegar lá, apesar de boas fases com craques brasileiros como Raí e Ronaldinho Gaúcho.

Até que em 2011 o Qatar Sports Investments (QSI), fundo de recursos colossais, decidiu fazer do PSG seu braço futebolístico. Da noite para o dia, a Ligue 1, antes equilibrada e interessante, tornou-se soporífera. Em 14 anos, o PSG ganhou o campeonato 11 vezes, e a Copa da França, oito.

Para os investidores qataris, a verdadeira meta é a Champions. Ela escapou por pouco na esquisita edição de 2020, cuja final foi disputada com portões fechados devido à pandemia da Covid-19. O PSG foi derrotado pelo Bayern de Munique por 1 a 0, em Lisboa.

Inter de Milão tenta esquecer fracassos domésticos por objetivo maior Paradoxalmente, a glória pode vir no momento em que o QSI abandonou a política de contratação de supercraques. Depois de trazer Neymar e Mbappé em 2017 e Messi em 2021, o PSG viu os três saírem no espaço de um ano, entre 2023 e 2024.

Encarregado de montar um time sem estrelas, o treinador espanhol Luis Enrique, campeão da Champions com o Barcelona em 2015, teve enorme êxito. Ajudaram bastante as contratações do atacante francês Ousmane Dembélé, vindo do Barcelona, e do georgiano Khvicha Kvaratskhelia, que chegou em janeiro do Napoli, da Itália, com seu estilo peladeiro de meias arriadas.

Outro achado é o meia-atacante Désiré Doué, 19, vindo do Rennes, que aprendeu a jogar imitando, ironicamente, Neymar.

Na defesa, o ídolo maior é o zagueiro Marquinhos, 31, que chegou em 2013 e hoje é o jogador mais vitorioso da história do PSG. O outro brasileiro do elenco também é da zaga, Lucas Beraldo, 21, ex-são-paulino que caiu nas graças de Luis Enrique desde que chegou, há um ano, mas ainda não se firmou como titular.

É claro que o conceito de “sem estrelas”, em se tratando do PSG, é relativo. O elenco atual vale 923 milhões de euros, o sexto mais caro do mundo, segundo o site especializado Transfermarkt. Isso representa 25% do valor de todos os jogadores dos 18 times da Ligue 1

ANDRÉ FONTENELLE / Folhapress

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