SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A relação entre os presidentes americano, Donald Trump, e ucraniano, Volodimir Zelenski, não está na sua melhor fase. Nesta quarta-feira (19), o chefe do executivo americano chamou seu homólogo de “ditador” e afirmou que ele “deve atuar rápido ou não lhe restará um país”.
POR QUE TRUMP OPTOU PELO ATAQUE?
Para especialista, ataques verbais de Trump são tentativa de validar a abrupta mudança de posição americana. Philippe Golub, professor de relações internacionais da Universidade Americana de Paris, disse à RFI que a volta de Putin, antes isolado internacionalmente, às tratativas para o fim do combate pode ser considerada uma vitória pela Rússia.
Interesses econômicos americanos também estariam por trás da atitude de Trump. Segundo Golub, desde o governo de Barack Obama, os EUA não consideram os russos como uma potência que os ameace, mas uma potência regional. A tentativa de reintegrar a Rússia ao cenário internacional é uma forma de para tentar conter a China, vista como o maior ameaça pelos estadunidenses.
Zelenski havia criticado o que chamou de negociação “sobre a Ucrânia sem a Ucrânia” entre russos e americanos. Os integrantes dos governos de Trump e Vladimir Putin se reuniram na terça (18, em Riad, na Arábia Saudita, para discutir um fim para o combate sem participação de ucranianos ou outros europeus.
Na quarta, Zelenski disse que Trump estava vivendo em um “espaço de desinformação” promovido pela Rússia. “Nunca devemos esquecer que a Rússia é governada por mentirosos patológicos. Eles não são confiáveis e devem ser pressionados”, afirmou, nas redes sociais.
Em resposta, o americano chamou o ucraniano de ditador. Zelenski, que foi eleito para um mandato de cinco anos, está completando nesta quarta exatos 9 meses a mais como presidente. A lei ucraniana prevê a possibilidade de não haver eleições durante períodos de guerra.
O magnata americano se alinhado cada vez mais à retórica russa. Trump também considerou Zelenski culpado pela invasão de Putin na Ucrânia, fazendo coro à justificativa de Moscou que a guerra só começou porque os ucranianos queriam se juntar à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Confronto continua além do mundo das bravatas. Uma área residencial em Odessa, no sul da Ucrânia, foi alvo de um ataque russo nesta quarta. Segundo o prefeito da cidade, 14 escolas, 13 jardins de infância e pelo menos 500 casas estão sem eletricidade e aquecimento. O ataque a estruturas energéticas e polos residenciais faz parte da estratégia de guerra dos comandados por Putin desde o início do combate.
WESLEY BIÃO / Folhapress
