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Quarto mandato de Paes tem desafio de integrar capital com bolsonarismo do Grande Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – No início de dezembro, o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), líder do PL na Câmara e presidente estadual da legenda, foi o anfitrião de um almoço em São Gonçalo, a 31 km do Rio de Janeiro, que reuniu os principais nomes da direita fluminense, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao redor das mesas com o governador Cláudio Castro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e representantes de outros partidos, como o presidente nacional do União Brasil, Antonio de Rueda, circularam ao menos uma dezena de prefeitos eleitos e reeleitos que tentam aglutinar o bolsonarismo à própria imagem.

Estavam no evento o prefeito eleito de Caxias, Netinho Reis (MDB), o prefeito reeleito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e o prefeito eleito de Belford Roxo, Márcio Canella (União).

À exceção da capital, onde Eduardo Paes (PSD) foi reeleito no primeiro turno, grande parte da região metropolitana do Rio de Janeiro teve vitória da direita, com bolsonaristas entre a maioria.

Políticos próximos a Paes, ainda que considerem o prefeito carioca hábil no diálogo com diferentes, admitem que a comunicação com as prefeituras vizinhas é um desafio posto para o quarto mandato.

Eles entendem que prefeitos locais podem tentar emplacar rivalidade com Paes, de olho no cenário estadual para a eleição de 2026. Desde a redemocratização, o interior do Rio alçou três governadores: Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006), ambos de Campos dos Goytacazes, e Pezão (2014-2018), de Piraí.

Paes afirmou mais de uma vez que não será candidato a governador, mas base e oposição consideram a possibilidade.

O bolsonarismo testa nomes. Um dos cogitados é Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias, secretário de Castro e aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro.

Pode pesar contra o nome de Washington Reis a operação da Polícia Federal deflagrada em dezembro, por suspeita de compra de votos na eleição municipal. Investigação da PF indica que o grupo de Reis movimentou cifras milionárias.

Das cidades que fazem limite com o Rio, Niterói, do PDT de Rodrigo Neves, é a que está alinhada com Paes. Rio e Niterói anunciaram candidatura conjunta para o Pan-Americano de 2031.

Outro cotado para voos maiores é Márcio Canella. O prefeito eleito de Belford Roxo tem articulação de alcance estadual, elegendo vereadores aliados até mesmo na capital, que não é sua base política.

Belford Roxo foi a cidade fluminense onde o petismo sofreu principal revés, com a derrota de Matheus Carneiro (Republicanos). Matheus é sobrinho da ex-ministra do Turismo do governo Lula Daniela Carneiro, colocada no posto após articulação do ex-prefeito Waguinho.

Dos 92 municípios do estado, o PL ganhou 22 prefeituras. O partido de Bolsonaro também é maioria na região metropolitana.

O prefeito eleito de Duque de Caxias, Netinho Reis (MDB), aliado da família Bolsonaro, entende que o principal gargalo de integração entre Rio e Baixada é a segurança pública, ainda que o tema seja de atribuição principal do governo estadual.

Netinho defende a guarda municipal armada e acredita que Paes não fará o mesmo —o debate na capital está travado na Câmara.

“Se a gente não se unir, o problema da segurança pública vai se tornar ainda maior”, afirma Netinho.

Rio e cidades da Baixada também compartilham desafios climáticos, especialmente as enchentes após chuvas. Em outubro, a Promotoria do Rio cobrou que seis municípios da Baixada elaborassem planos de ação climática.

“Esse é um grande gargalo, considerando o primeiro trimestre de 2024. Houve muitas enchentes na Baixada e na capital e são problemas integrados [há rios que cortam várias cidades]. Só a capital do Rio tem um plano de adaptação para mudanças climáticas, ainda que protocolar.”, afirma Luize Sampaio, da Casa Fluminense, instituto que monitora o Grande Rio.

Na capital, Paes criou em 2021 a secretaria municipal de Integração Metropolitana, comandada por Luis Antônio Silva dos Santos, ex-árbitro de futebol conhecido como Índio. A pasta tem objetivo de “fomentar a cooperação” entre as cidades, segundo o site.

Antes, em 2018, o governo estadual havia fundado o Instituto Rio Metrópole, responsável por criar planos que integrem a região metropolitana. Em 2022 os prefeitos elegeram para presidente Davi Perine Vermelho. Ex-presidente da Câmara de São João de Meriti, Vermelho já foi preso por suspeita de fraude na compra de respiradores.

Os dois entes pouco aparecem nas decisões de prefeitura e governo do estado.

“O Instituto Rio Metrópole deveria olhar para a integração metropolitana, mas foi totalmente esvaziado, com pouca participação na sociedade civil e na própria gestão. A discussão se torna muito provinciana”, diz Luize.

YURI EIRAS / Folhapress

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