Quem é Jordan Bardella, estrela da ultradireita na França que pode virar premiê

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Estrela ascendente da ultradireita francesa, Jordan Bardella não é apenas um jovem conservador que segue os passos de sua mestra, Marine Le Pen. É um político ambicioso que tem realizado feitos considerados históricos pelo seu partido.

Há cerca de um ano e meio, ele se tornou presidente da Reunião Nacional (RN), a legenda que Marine Le Pen reformou a partir da sigla que o pai dela havia fundado em 1972 sob o nome de Frente Nacional. Bardella é o primeiro líder do partido a não pertencer à família Le Pen em 50 anos.

A presença do rosto de Bardella nos flyers distribuídos pela RN em sua campanha para as eleições do Parlamento Europeu do mês passado foi apontada como uma das razões para o seu bom resultado no pleito –a sigla conquistou o dobro dos votos do partido do presidente Emmannuel Macron. Isso fez o presidente francês dissolver o Legislativo do país para tentar expurgar a direita.

Não deu certo, já que a RN e seus aliados venceram o primeiro turno com 33% dos votos, seguidos pelo bloco de esquerda Nova Frente Popular (NFP), com 28%, e bem à frente da aliança centrista de Macron, que marcou apenas 22%, segundo resultados oficiais.

Neste domingo, Bardella está novamente no centro das atenções, quando se desenrola o segundo turno das eleições legislativas. Por ora, ele se sente à vontade para dizer que não será o primeiro-ministro do novo Parlamento, a menos que a RN consiga maioria absoluta das cadeiras.

“Francesas, franceses: neste domingo, não deixem que a vitória lhes seja roubada, não se deixem intimidar”, disse ele no X, onde tem 480 mil seguidores, nesta sexta (5). “Abram espaço para alternância e para a mudança. Convido vocês a se mobilizarem. Dêem-nos uma maioria absoluta para governar e restaurar a França.”

Seu alcance em outras redes, como TikTok, onde tem 1,3 milhão de seguidores, ou o Instagram, 800 mil, é ainda mais impressionante, e razão pela qual analistas afirmam que ele é um dos nomes que melhor consegue se comunicar com o eleitorado jovem na França. Um de seus apelidos, dito por políticos pelas suas costas, é “monsieur selfie”, ou “senhor selfie”.

Segundo a imprensa francesa, o rapaz bonito e de sorriso fácil já está escrevendo, com apenas 28 anos, uma autobiografia.

Marine Le Pen deixa o quartel-general da sigla Reunião Nacional, na terça (2), em Paris Dimitar Dilkoff/AFP **** Atento aos anseios da nova geração, Bardella não é tão radical nos temas das chamadas guerras culturais.

Já disse, por exemplo, que um dos maiores desafios dos jovens era a crise climática, apesar de criticar o que vê como excesso de punições do governo Macron no campo do ambiente. Também afirmou ser contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, ainda que tenha admitido que a lei que permite isso já foi assimilada pela sociedade francesa. E se declarou a favor do uso da cânabis para uso médico.

O ponto de honra da RN, no entanto, é a política migratória. Bardella e o partido querem dificultar o máximo possível a vida de imigrantes na França e desestimular a chegada de novos grupos.

De ascendência italiana, Bardella já propagou a teoria da conspiração da Grande Substituição, que diz que as elites estão por trás de um plano para substituir gradativamente os brancos cristãos da Europa por negros muçulmanos.

Reportagens recentes da imprensa europeia, feitas no bairro Saint-Denis, onde Bardella cresceu ­­–e onde vivem muitos muçulmanos­­– vêm escancarando um passado um tanto desconfortável para um político desse naipe.

Sua mãe era uma imigrante italiana que veio de Turim para a França na década de 1960. Quando o menino tinha um ano, ela se separou do pai do garoto, um empresário.

Já seu avô paterno foi casado com uma argelina, e depois com uma marroquina, e após esta segunda união se converteu ao islamismo. Esse avô, que tem 80 anos, hoje mora em Casablanca, segundo as reportagens.

Em suas entrevistas, o político costuma afirmar que sua infância, em um bloco de habitação social do subúrbio, o expôs regularmente à violência. Mas ele frequentou uma escola secundária particular, com seu pai pagando as mensalidades.

“Durante a juventude, Jordan costumava passar os fins de semana e as noites de quarta-feira com o pai, que morava em uma casa de luxo em Montmorency, uma cidade-dormitório”, escreveu o jornal britânico The Telegraph. “Passou férias de verão na Flórida e em outros destinos; e ganhou um carro moderno novinho em folha quando tirou a carteira de motorista.”

Mas essas revelações dificilmente mudarão os votos dos franceses. A julgar pelo que Bardella tem realizado nos últimos dois anos, não é só Macron e a esquerda que devem temê-lo. A própria chefona da ultradireita, Marine Le Pen, corre o risco de acabar eclipsada pelo “monsieur selfie”.

IVAN FINOTTI / Folhapress

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