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Recusa de ministério fortalece Alcolumbre junto ao governo e expõe disputa por poder no União Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O vaivém envolvendo o União Brasil e o comando do Ministério das Comunicações ampliou a disputa por poder no partido, tendo, de um lado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, de outro.

Além disso, um terceiro grupo, ligado ao vice-presidente do partido, ACM Neto, e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aproveita o episódio para reforçar movimentos pelo afastamento imediato da sigla em relação ao governo Lula (PT).

O episódio evidenciou o protagonismo de Alcolumbre e fortaleceu o senador junto a integrantes do governo, sobretudo o presidente da República, enquanto afastou Rueda do Palácio do Planalto. Lula mantém relação distante com o presidente da sigla e nunca o recebeu para uma reunião.

Governistas dizem que a possibilidade de que o deputado Pedro Lucas (União Brasil-MA) assumisse um lugar na Esplanada dos Ministérios era também uma sinalização de eventual aproximação com Rueda, já que o congressista é hoje o nome da bancada mais próximo do dirigente. Pedro Lucas, no entanto, preferiu ficar como líder da sigla na Câmara.

Rueda defendia a indicação de Pedro Lucas para chefiar o ministério, mas não queria correr o risco de ver um deputado que não fosse seu aliado como líder da bancada, após passar três meses negociando com os congressistas para emplacá-lo no posto.

Já Alcolumbre tentou forçar um acordo para que o ex-ministro Juscelino Filho assumisse como líder, o que causou uma rebelião interna e acusações de que o senador tentava interferir na Câmara.

Aliados do presidente da República dizem enxergar uma ação de Rueda nessa recusa e criticam a postura do dirigente. Isso porque o episódio gerou um constrangimento público para Lula e a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), que chegou a anunciar o deputado como novo titular da pasta. Doze dias depois, na terça-feira (22), ele recusou o convite.

Esses aliados defendem que Lula priorize a relação direta com Alcolumbre em detrimento do presidente da sigla. Há um receio, no entanto, de evitar um confronto direto com o partido, já que é a terceira maior bancada na Câmara (com 59 deputados).

Além disso, Pedro Lucas continuará à frente da bancada da Câmara, função em que negociará a posição do partido nas votações. Por isso, uma boa relação do governo com ele é importante.

A recusa em sair da liderança foi, inclusive, elogiada pelos deputados que não o queriam como líder. Esse grupo argumenta que o movimento evitou uma guerra interna pelo posto.

Em entrevista à Folha, o líder do União Brasil na Câmara minimizou a irritação do Palácio do Planalto com seu recuo e justificou que a decisão ocorreu também para ajudar Lula. “Acho que contribui mais [para o governo] ter essa tranquilidade [nas votações] do que eu ir para o ministério por vaidade”, disse.

Com a recusa do deputado, Alcolumbre indicou ao Ministério das Comunicações o presidente da Telebras, Frederico de Siqueira Filho, e aumentou sua influência no governo Lula, com mais uma indicação no primeiro escalão do petista -ele também é responsável pela nomeação de Waldez Góes no Ministério de Desenvolvimento Regional.

Governistas minimizam o impacto negativo desse processo sobre o Palácio do Planalto e dizem que o episódio demonstrou a falta de unidade interna do União Brasil, além da falta de habilidade política de Rueda no processo.

Eles citam o pedido de desculpas feito por Pedro Lucas na nota pública em que recusa o convite, para reforçar que quem errou nesse processo foi o partido -e não o Planalto.

Na avaliação de integrantes do governo, a bancada de deputados saiu prejudicada com o impasse, já que o Ministério das Comunicações, antes destinado à Câmara, acabou nas mãos do presidente do Senado. Agora, o conjunto de congressistas tem somente um representante, o ministro Celso Sabino (Turismo), que é deputado federal licenciado.

O processo também lançou dúvidas sobre a confiabilidade do partido, ao expor suas divergências internas. Um integrante do governo define como movediça a relação do Executivo com o União Brasil.

O União Brasil foi criado em 2022 numa fusão do DEM e do PSL e é marcado por divisões. A sigla tem uma ala que defende maior aproximação do Palácio do Planalto e outra de oposição.

O grupo de oposição do partido viu a recusa como uma vitória, já que a entrada do deputado mais próximo do presidente do União Brasil no governo poderia fortalecer a ideia de maior proximidade com o Executivo.

Como o ministro agora será um nome sem filiação partidária, considerado técnico, a bancada pode se sentir menos obrigada a acompanhar o Palácio do Planalto nas votações.

VICTORIA AZEVEDO, RAPHAEL DI CUNTO E CATIA SEABRA / Folhapress

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