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Repelente criado em Ilhabela vira queridinho contra borrachudos

ILHABELA, SP (FOLHAPRESS) – Ilhabela é um paraíso para turistas. Mas nas fotos não dá para ver a quantidade de borrachudos do local, tão típicos na cidade do litoral norte paulista quanto suas praias e cachoeiras.

Repelentes comuns, muitas vezes, são ineficazes para afastar os insetos, levando à criação de soluções locais. Misturas de citronela e óleos essenciais são as mais conhecidas, e um dos produtos mais populares hoje é o Citroilha.

Após quase 15 anos da criação, a marca obteve autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializada como repelente no final de 2024.

A mistura foi criada pelo empresário Paulo Celso Gama, 67, dentro de casa. Ele mantinha uma agência de turismo e percebia que os clientes retornavam maravilhados com as paisagens, mas assustados com a quantidade de mordidas de borrachudo pelo corpo.

Ele já tinha observado que moradores da região que frequentavam a cachoeira da Toca, no início da estrada de Castelhanos, misturavam óleo de cozinha com citronela e não levavam picadas. Porém, se expostos ao sol, ficavam com queimaduras pelo corpo. Além disso, o óleo deixava os pés escorregadios e propícios à acidentes entre as pedras.

A ideia de criar um repelente para a região só foi explorada apenas após ele adquirir uma dívida de mais de R$ 1 milhão com a agência, em decorrência de um acidente com o carro que era usado para os passeios na região.

Em casa, se pôs a misturar óleos com citronela e usou o mixer da cozinha para deixar o creme com consistência. A produção começou a incomodar vizinhos pelo forte cheiro de citronela. “O cheiro é lindo no começo, depois a pessoa não suporta mais o cheiro”, admite Paulo.

A formulação se profissionalizou e, além de óleos como de citronela, girassol e semente de andiroba, o repelente também conta com o ativo repelente DEET (dietiltoluamida, o mais antigo do mercado). Segundo a família, o maior diferencial é a citronela pura que é feita por eles.

No início, comerciantes achavam o produto estranho, mas o dono do negócio pedia que eles tentassem comercializar e só pagassem a ele se conseguissem vender. Era a esposa, Andrea Gama, 54, quem passava noites em claro rotulando os produtos.

Hoje, o negócio se tornou profissional, com um sítio em que é produzida a citronela e uma indústria que faz a mistura e embala os produtos em São José dos Campos, interior de São Paulo. Além disso, é comum que comércios anunciem “temos Citroilha” em banners para quem chega à praia.

Os três filhos, Maria Luiza, 28, Luiz Paulo, 22, e Arthur Miguel, 19, que eram pequenos quando o negócio surgiu, hoje ajudam os pais a comandar o negócio e pensam em planos de expansão com a fabricação de um protetor solar e um bronzeador.

A produção se concentra no período de alta temporada, no fim e começo do ano, quando conseguem fabricar 60 mil frascos por semana —em períodos normais, a produção semanal fica em torno de 10 mil a 12 mil. O repelente não é limitado para a ilha e também entregue em outras regiões do Vale do Paraíba e Rio de Janeiro.

Com tantas mudanças, o cheiro da planta que dá nome à marca não é mais preocupação da família. “Nem sinto mais”, diz Andrea.

ISABELLA MENON / Folhapress

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