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Revista Manchete volta para mostrar Rio de Janeiro ‘que muitos não conhecem’

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Lançada pelo empresário Adolpho Bloch em 1952, a Manchete logo se tornou uma das maiores revistas do país.

Voltada sobretudo ao fotojornalismo, sob a inspiração da francesa Paris Match, a publicação semanal chegou ao seu auge nas décadas de 1970 e 1980, quando alcançava tiragens de 350 mil exemplares. As tradicionais edições de Carnaval costumavam esgotar em poucas horas nas bancas.

Em 2000, porém, o grupo Bloch foi à falência, levando a revista à sua primeira morte. Sob nova administração, a Manchete saiu em edições especiais até 2007, momento que parecia ser o final definitivo.

No próximo dia 19 de março, porém, a Manchete inicia uma vida nova. Será, em diversos aspectos, bastante diferente da revista que os leitores acompanharam durante cinco décadas.

Embora o grupo Bloch tivesse raízes cariocas, a Manchete publicava frequentemente reportagens a respeito de outras cidades e regiões do país, além de fotos e textos sobre acontecimentos no exterior. Desta vez, vai se concentrar no estado do Rio de Janeiro, mais exatamente naquilo de melhor que a região oferece.

“Concebi esse produto para defender os interesses do Rio. Não vamos tratar de assuntos políticos, muito menos de segurança pública. Não são esses os focos. Vamos apresentar aos fluminenses e aos que não moram aqui um Rio que muitos não conhecem”, diz Marcos Salles, empresário e jornalista responsável pela retomada da revista.

“Estamos preparando, por exemplo, uma matéria sobre o Pantanal fluminense, um lugar lindo que o público não conhece.”

Salles trabalhou na editora Bloch nos anos 1990, comandando as áreas de distribuição e marketing da Manchete e de outras revistas do grupo. Nas décadas seguintes, foi presidente dos jornais Diário de São Paulo e O Dia, do Rio, entre outras funções na imprensa. Também atuou como chefe de gabinete do secretário da Casa Civil do governo fluminense, Nicola Miccione, na gestão de Cláudio Castro.

Em dezembro do ano passado, ele comprou a marca “revista Manchete” do empresário Marcos Dvoskin, que havia adquirido os títulos da Bloch em leilão em 2002. Salles não revela o valor da negociação.

“As pessoas sabem os nomes dos ministros do Supremo, mas não dos grandes empresários que investem no Rio de Janeiro, que geram empregos aqui. A ideia é mudar um pouco isso. Não quero tapar o sol com a peneira [dizendo que não existem problemas no estado], mas acho que há mercado [para as boas notícias da região]”, afirma.

Ele enfatiza que o retorno da Manchete não representa um movimento nostálgico ligado à mídia impressa.

A revista será um “produto boutique”, nas palavras de Salles. Terá circulação bimestral, restrita ao estado do Rio, e será editada em papel couché, ao custo de R$ 59. A publicação vai integrar um projeto multiplataforma, que inclui produções para o YouTube. Os vídeos também estarão presentes em outras redes sociais, como Instagram, TikTok, Facebook e LinkedIn.

Em parceria com o portal R7, o novo projeto também inclui um site, que vai destacar, além dos vídeos, uma agenda com a programação cultural do estado. Uma seleção desses vídeos será a base do programa semanal “Revista Manchete” na TV Max, canal da Net voltado ao público fluminense.

“As pessoas vão descobrir um Rio de Janeiro em revista, em vídeo, na TV ou no site. Como elas quiserem”, diz Salles, que mira os públicos A e B.

Serão 15 colunas, sempre em vídeo e em texto. Tratarão de temas como turismo, cultura, gastronomia, saúde esportiva, agronegócio e motores. Entre os colunistas, estão o presidente do Trem do Corcovado, Sávio Neves, responsável pela seção de turismo empresarial, e o jornalista Fabio Ramalho, que vai abordar as tradições do Rio.

Além de parcerias com uma agência digital e um estúdio, a nova Manchete terá uma equipe formada inicialmente por três jornalistas, uma fotojornalista e uma produtora.

De acordo com Salles, o projeto está sendo bancado com recursos próprios –ele não diz o valor. Não há neste momento, segundo o empresário, qualquer apoio do governo estadual e da prefeitura do Rio.

NAIEF HADDAD / Folhapress

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