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Revogar vistos é pretexto dos EUA para prejudicar estudantes, diz porta-voz chinesa

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) – A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou nesta quinta-feira (29), ao ser questionada sobre os planos do governo americano de revogar os vistos de estudantes chineses, que Pequim se opõe firmemente à medida.

No ano letivo de 2023-2024, mais de 270 mil alunos internacionais eram da China, o que representava cerca de um quarto de todos os estudantes estrangeiros nos EUA, segundo o Instituto de Educação Internacional, organização sem fins lucrativos dedicada à promoção do intercâmbio educacional global.

“A decisão dos EUA é totalmente injustificada, usa ideologia e segurança nacional como pretexto”, disse Mao. “Ela fere gravemente os direitos e interesses legítimos dos estudantes internacionais da China e interrompe o intercâmbio interpessoal entre os dois países. A China se opõe firmemente à decisão e protestou junto aos EUA contra ela.”

A medida, acrescentou a porta-voz, é “politicamente motivada e discriminatória”. Ela “expõe a hipocrisia dos EUA em relação à liberdade e à abertura e prejudicará ainda mais a imagem e a reputação dos próprios EUA”.

Na noite de quarta-feira (29), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia anunciado que começaria a “revogar agressivamente” o visto de estudantes chineses, destacando “aqueles que têm ligações com o Partido Comunista da China ou que estudam em áreas cruciais”, sem definir quais.

Afirmou que o Departamento de Estado intensificará o escrutínio de novos pedidos de estudantes da China e de Hong Kong. A nota de Rubio tem como título “Novas políticas de visto colocam EUA em primeiro lugar, não a China”.

John Lee Ka-chiu, chefe do executivo de Hong Kong, território autônomo da China, criticou o “tratamento injusto” dado aos estudantes chineses, aos quais prometeu apoio para entrarem nas universidades da cidade. Descreveu eventuais transferências como “uma grande oportunidade”. Escolas de outros países, como a Alemanha, já haviam manifestado prontidão para receber estudantes rejeitados pelo governo americano, independentemente da nacionalidade.

Instituições e autoridades da China continental não se manifestaram sobre eventuais transferências para universidades de Pequim, Xangai e outras. E a pouca repercussão em mídia social no país incluiu alertas contra o possível favorecimento aos estudantes hoje no exterior.

No próximo dia 7 acontece o Gaokao, uma espécie Enem do país, mas mais rigoroso e com impacto maior sobre a vida de 13,35 milhões de jovens chineses inscritos para a prova. A atenção contra favorecimento e fraude, desta vez, inclui inteligência artificial.

Um dos influenciadores chineses que abordaram a transferência de estudantes dos EUA para o país foi o jornalista Hu Xijin, de Pequim, que também defendeu Hong Kong. “A China deve se esforçar para fazer de Hong Kong um novo centro internacional de estudos”, escreveu na plataforma Weibo.

“É uma cidade multicultural, apoiada pela indústria altamente desenvolvida da China continental e pela forte demanda por avanços tecnológicos, e tem muitas vantagens únicas e irreproduzíveis. Há várias universidades em Hong Kong já classificadas em nível muito elevado no mundo.”

Encerrou a postagem afirmando que as restrições aos estudantes chineses são “um sinal claro do declínio da autoconfiança dos EUA” e refletem crescente “estreiteza de espírito na sociedade americana”.

NELSON DE SÁ / Folhapress

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