RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Mesmo em dias de calor no Rio de Janeiro, moradores de bairros da zona sul e da zona oeste da cidade têm recorrido a calças, casacos e meias para tentar escapar das picadas de mosquitos borrachudos. Segundo os relatos, houve um aumento incomum nessas regiões e o repelente não tem sido suficiente.
A infestação afeta áreas como Alto da Boa Vista, Barra da Tijuca, São Conrado, Recreio dos Bandeirantes e nas comunidades da Muzema, Tijuquinha, Rio das Pedras, morro do Banco e Ilha da Gigoia.
Vilma Santiago Pereira, 52, moradora da Ilha da Gigóia, diz que a proliferação é inédita na localidade e tem afetado a rotina de quem mora ali. “Eu nasci na ilha. Há mais ou menos dois anos começamos a perceber a presença de borrachudos, mas de uns seis meses para cá se intensificou. Hoje já não conseguimos ficar nas ruas, parados, nos deques de barcos impossível sairmos sem calça, meias, sapatos fechados e até casaco”, afirma.
O mosquito, que se desenvolve em ambientes de água corrente, como rios e córrego, pode provocar reações alérgicas e feridas na pele. Em alguns casos, moradores relataram que nem roupas grossas têm evitado as picadas.
Segundo Vilma, a neta dela de 5 anos teve uma infecção após uma picada. “Evoluiu para uma celulite, tomou Benzetacil e teve febre altíssima. Nunca em toda a história da ilha passamos por isso.”
A Secretaria Municipal de Saúde atribui a proliferação à degradação ambiental nas regiões afetadas. Segundo a pasta, a destruição da mata ciliar, a canalização de rios, o acúmulo de matéria orgânica e a eliminação dos predadores naturais como libélulas, répteis, peixes e aves criam um ambiente propício para a multiplicação dos borrachudos.
A pasta afirma que o uso de fumacê e de inseticidas borrifados é ineficaz contra esse tipo de mosquito, por causa do pequeno porte e da velocidade de voo. Além disso, o veneno mata os predadores naturais e pode agravar a infestação.
A orientação, segundo a secretaria, é investir na restauração ambiental, na limpeza das margens dos rios e na proteção dos predadores que controlam a espécie de forma natural.
Para acompanhar o avanço do problema, a Câmara Municipal criou uma comissão especial presidida pelo vereador Marcelo Diniz (PSD). Segundo ele, o grupo vai promover audiências públicas, ouvir especialistas e cobrar ações sustentáveis dos órgãos responsáveis.
Diniz anunciou ainda que o prefeito Eduardo Paes (PSD) se comprometeu nesta segunda-feira (27) a criar, dentro das próximas semanas, um novo programa da prefeitura voltado ao controle da proliferação dos borrachudos. Ainda não há detalhes sobre como a medida será implementada.
A Secretaria Municipal de Saúde afirma que tem papel de orientação e atendimento, mas destaca que não há ação isolada capaz de eliminar os mosquitos ou restaurar o equilíbrio ambiental. A pasta também conta com apoio dos Guardiões do Rio e da Comlurb na limpeza das margens e retirada de resíduos.
ALÉXIA SOUSA / Folhapress
